FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS   SÉRIES PUBLICIDADE
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS
TOPS
PREMIAÇÕES
ARTIGOS
COMENTÁRIOS
FÓRUNS

SÉRIES
CADASTRE-SE   |   ENTRAR
ARTIGO

A burocracia calculada do Oscar

Categoria: Premiações
Por Bernardo D.I. Brum
Na grande premiação do cinema, quando todos ganham, a impressão é que ninguém ganha.

Uma pequena parábola: um jovem e um velho iam à cidade montados em um burro. O velho no lombo do animal, o garoto guiando. Alguém passa e diz: "velho explorador, coitada da criança". O velho então desce, o garoto sobe e o próximo passante diz: "garoto folgado, o senhor tão idoso, jovens têm de andar". Os dois dão de ombros e então o senhor sobe. A próxima opinião de transeunte que recebem é: "pobre animal, tendo que transportar o peso de duas pessoas". Sem saber o que fazer, os dois descem; e a próxima pessoa que os vê ri e diz: "dois imbecis! Tem um burro em perfeitas condições e andam a pé!".

E o que isso tem a ver com o Oscar? Justamente isso: o preço que se paga por agradar a todos.

Esse ano do Oscar pareceu transitório. Inclusive por isso aconteceu de eles irem com a opção segura e escolherem o filme convencional e formatado.

Porque se você pegar pra analisar, de novo o melhor filme não foi o mais premiado (da mesma forma que Mad Max foi mais premiado que Spotlight); e o maior número de prêmios recebido foi 4. Quatro prêmios pra uma competição que tinha RomaA FavoritaInfiltrado na KlanNasce Uma Estrela e Pantera Negra, quatro players muito mais fortes ou em público ou em crítica, ou nos dois. Se era pra escolher o popular, eles tinham Estrela e Pantera - mas escolheram Green Book para ficar no meio do caminho. Lembraram de Crash, o que não deixa de ser verdade - muitos não lembram mas foi um Oscar extremamente polarizado: ganhou a zebra para não gerar polarização entre os fãs dos fortes.

Mas ainda assim foram vitórias fracas. O Oscar fez questão com que cada um dos candidatos principais fosse contemplado em algum coisa. Reparem na distribuição, não há favoritos. Mesmo Bohemian Rhapsody, maior vencedor da noite, foi o maior vencedor com aperto, com dois filmes com três prêmios em seus calcanhares. 

Uma evidência disso é Olívia Colman. Haviam prêmios de critica e de sindicato que diziam respeito a atuação, e Glenn Close era a favorita com Lady Gaga logo atrás. Mas de forma calculada, o prêmio de melhor atriz foi para A Favorita, pois azar de Glenn Close estar na sétima indicação e não estrelar um dos principais prêmios: A Esposa não fazia parte do rateio, simples assim.

Essa é a burocracia calculada do Oscar. Não esqueçamos, eles querem agradar não o público, mas os públicos: os críticos e cinéfilos e a sede por inovação, o público mais velho e novas versões do mesmo filme, os jovens e suas franquias de super-heróis com músculos, porém também um mínimo de cérebro, os ativistas políticos e seus filmes-agenda, além dos profissionalmente envolvidos: o antigo mercado de distribuição em salas e o novo mercado de distribuição streaming, além dos atores, fotógrafos, figurinistas, montadores, curta-metragistas.

Todos gritam: "me representem!", "voltem aos velhos tempos!", "inovem!", e o resultado de inúmeras sobre a mesma premiação? Todos os lados do muro: quer carta marcada? Tivemos Mahershala Ali ganhando Ator Ator Coadjuvante e o megahit "Shallow" como melhor canção original. Quer ousadia? O ataque frontal ao racismo Infiltrado na Klan descolou o Roteiro Original e Olivia Colman venceu as favoritas (com o perdão do trocadilho) com seu retrato como uma doentia rainha Anne. Quer pra críticos? Roma levou. Pros jovens? Três prêmios para Pantera Negra deixar Kevin Feige todo bobo. E quer agradar o público mais tradicional? Vamos de Green Book: O Guia. E os fãs de filmes populares e bombásticos? Olha Bohemian Rhapsody no pódio.

No final, todos estão um pouco surpresos e um pouco decepcionados. Todos receberam um afago nas costas e uma puxada de tapete. Foi completamente satisfatório? Nem um pouco. Está bom para empacotar tudo e jogar no lixo? Tampouco.

Voltemos à comparação inicial: o preço de tentar agradar todos é no final não agradar ninguém. 

Mas como diria o Monty Python, "always look on the bright side of life". O perfil dos eleitores começa a mudar: não é mais apenas o homem branco e idoso, mas entre os novos também temos negros, estrangeiros, mulheres e jovens, como bem observou o comentarista Arthur Xexéo na Globo. 

Ainda não passamos totalmente dos "#OscarsSoWhite", mas segundo o que informa a revista Exame, 774 convites foram enviados para 53 países em 2017 e os 683 novos membros em 2016 eram constituídos por 46% de mulheres e 41% "não brancos". O perfil estagnado há décadas começa a mudar.

E isso já surte efeito: mais estrangeiros vencem Melhor Direção que nunca: em 2010 tivemos a primeira mulher e desde então apenas Damien Chazelle correspondeu ao perfil mais ou menos clássico: pois lembremos que é também o mais jovem vencedor do prêmio. Ontem, Hannah Beachler foi a primeira mulher negra a ganhar o Oscar de Melhor Design de Produção (conhecido antigamente por Direção de Arte/Cenografia). Mais filmes caídos na graça da crítica e abordando temáticas duras sobre o racismo estão sendo indicados e vencendo do que nunca.

Ano que vem inicia-se uma nova década e, pelo jeito, um novo Oscar. A digestão dessa salada de perspectivas foi vista ontem, em uma burocracia que parece confusa mas em segunda análise é calculada: mudar sem chocar, com surpresas e decepções. 

Quase difícil resistir à leitura que foi um retrato fidedigno de tempos fragmentados, tudo ao mesmo tempo agora. Se sempre foi impossível agradar a todos, em um tempo onde raios e trovões chovem sobre tudo e todos, ontem foi sintomático. 

Afinal de contas, todos estão sujeitos a receber as pedradas textuais: os de um lado, os do outro  e aqueles em cima do muro. No dilema do jovem, do velho e do burro ninguém escapa. Mas não podem impedir que se tente, afinal de contas.

(Agradecimentos ao colega editor Francisco Carbone, pois o que começou como comentário de sua coljna terminou como essa extensa divagação).
Por Bernardo D.I. Brum, em 26/02/2019
Comente no Cineplayers (3)
Por Abdias Terceiro, em 27/02/2019 | 02:18:40 h
Apenas verdades inconvenientes, mas ainda verdades.
Por Bernardo D.I. Brum, em 26/02/2019 | 17:38:07 h
Como é, só quem está por dentro sabe. A impressão que se dá é que sim, dado o desgaste, mesmo se levarmos em conta que a votação foi totalmente espontânea, não houve um "vencedor moral" e que não houve nenhuma "derrota absoluta", pois podemos reparar que todos os principais 8 players foram contemplados. Então não houve nenhum agrado ou desagrado completo, apenas uma insatisfação morna.
Por Alan Nina, em 26/02/2019 | 16:54:39 h
É meio estranha essa lógica, pois tipo, se analisa uma categoria em função de várias. Na linha do "Ah vamos dar roteiro pro Spike Lee, daí não precisa melhor filme". Isso é bem preocupante, o termo usado "rateio" , mais do que mostrar uma engrenagem de funcionamento, mostra na verdade o descrédito da premiação, pois não se analisa a categoria em si, e sim o funcionamento orquestrado pra agradar vários públicos (e de fato, acabar não agradando, perfeita alusão).
Isso é o Oscar.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 CINEPLAYERS CAST
CP Cast
#69 Indicados ao Oscar 2019
#68 Creed II
#67 Vidro
#66 Homem-Aranha no Aranhaverso
#65 WiFi Ralph e O Retorno de Mary Poppins
#64 Melhores Filmes de 2018
#63 Duro de Matar
#62 Roma
#61 O Senhor dos Anéis
#60 Scarface
#59 Infiltrado na Klan
#58 Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
#57 O Legado de Stan Lee
#56 O Roteiro de Cinema
#55 Halloween (2018)
#54 O Primeiro Homem
#53 Nasce Uma Estrela
#52 Musicais no Século XXI
#51 70 anos de John Carpenter
#50 Breaking Bad - 10 Anos
#49 Neorrealismo Italiano
#48 O Exorcista
#47 Wall-E
#46 The Last of Us
#45 60 anos de Tim Burton
#44 Meu Amigo Totoro
#43 Missão: Impossível - Efeito Fallout
#42 Filmes da Sessão da Tarde
#41 Batman: O Cavaleiro das Trevas
#40 100 anos de Ingmar Bergman
#39 Os Incríveis 2
#38 Era Uma Vez no Oeste
#37 Jurassic Park e Jurassic World
#36 O Bebê de Rosemary
#35 A Noite dos Mortos-Vivos e Despertar dos Mortos
#34 Han Solo: Uma História Star Wars
#33 Deadpool 2
#32 Um Corpo que Cai
#31 Stephen King no Cinema
#30 Vingadores: Guerra Infinita
#29 A Franquia 007
#28 Um Lugar Silencioso
#27 2001: Uma Odisseia no Espaço
#26 Jogador Nº1
#25 Planeta dos Macacos
#24 Quentin Tarantino
#23 75 anos de David Cronenberg
#22 Projeto Flórida
#21 Trama Fantasma
#20 Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird
#19 Oito e Meio de Fellini
#18 A Forma da Água
#17 The Post e os filmes de Jornalismo
#16 Indicados ao Oscar 2018!
#15 20 Anos de Titanic
#14 Nostalgia Cinéfila - Especial 15 Anos!
#13 Melhores de 2017
#12 Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
#11 Especial Natalino
#10 Assassinato no Expresso Oriente
#9 Onde os Fracos Não Têm Vez
#8 Liga da Justiça
#7 Stranger Things
#6 45 anos de O Poderoso Chefão
#5 Branca de Neve e os Sete Anões
#4 Halloween
#3 Blade Runner / Blade Runner 2049
#2 De Volta Para o Futuro
#1 Os Goonies
#0 O Piloto
 LEIA TAMBÉM
 FILMES RELACIONADOS
• A Esposa
• A Favorita
• Bohemian Rhapsody
• Green Book: O Guia
• Infiltrado na Klan
• Mad Max
• Nasce Uma Estrela
• Pantera Negra
• Roma
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2019) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
MAIS ASSISTIDOS
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
ESPECIAL A NOVA HOLLYWOOD
ESPECIAL WES CRAVEN
CHAT
MAPA DO SITE
API CINEPLAYERS
ANUNCIE CONOSCO
         
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2019)

           
 USUÁRIOS
 + ASSISTIDOS
 EQUIPE
 HISTÓRIA
CONTATO
FAQ
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
WES CRAVEN
MAPA DO SITE
API
ANUNCIE
Apoiadores
Promobit: O site para encontrar aquela promoção imperdível