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ARTIGO

Ranking: Os filmes de Sofia Coppola

Categoria: Filmografia
Por Heitor Romero
Relembre o trabalho da cineasta enquanto aguardamos pela estreia de O Estranho Que Nós Amamos!
Comumente lembrada como filha de Francis Ford Coppola, um dos maiores e mais importantes nomes do cinema americano, Sofia demorou até conquistar seu próprio espaço, sair da sombra de seu pai e seguir por um caminho que a identificasse como uma artista genuína. Se não funcionou como atriz e foi tão criticada por sua participação em O Poderoso Chefão: Parte III, ela se encontrou de verdade atrás das câmeras e estreou alguns anos depois na direção de um grande trabalho, onde revelou logo de cara uma sensibilidade única e um talento notável como observadora da sociedade, distanciando-se do cinema grandiloquente que fez a fama de seu pai e apostando em algo mais minimalista e construído por detalhes. Hoje já é respeitada e reconhecida pela identidade que imprimiu a seus trabalhos e destaca-se de qualquer associação por parentesco. Diante da estreia de seu novo filme, O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled, 2017), o Cineplayers escolheu Sofia Coppola para o novo episódio da série de artigos em que ranqueamos os melhores filmes de um determinado cineasta. Confira. 


5º: Bling Ring: A Gangue de Hollywood (2013)

Quando veio à tona o caso de um grupo de jovens endinheirados que veneravam celebridades e invadiam suas casas a fim de saquear bens e emular a vida dessas personalidades, uma jornalista da Vanity Fair escreveu um livro no qual tentava entender as motivações dessa geração. Coppola adaptou esse livro, mas se livrou da carga de julgamentos e das tentativas de compreender o perfil do jovem rico que recorre ao crime quando no auge da obsessão pelo seu ídolo; pelo contrário, a cineasta buscou apenas retratá-lo em toda a complexidade que se oculta por trás da fachada de futilidade que o define por excelência mídia afora. Mais além, ela dá uma continuidade ao que começou no filme anterior, Um Lugar Qualquer (2010), ao analisar pouco a pouco o abismo moral, emocional, psicológico e mesmo físico que pode existir nesse universo de juventude, riqueza, beleza e fama. Visto hoje, com a distância de alguns anos, Bling Ring já parece um filme maior, que cresce e cada vez faz mais sentido com o avanço das redes sociais que conectam fãs e ídolos num ciclo de veneração e ego muitas vezes nocivo e alienante. Em termos estéticos, é o menor trabalho dela, ainda que traga algumas passagens de encher os olhos. O tédio é o tema central no cinema de Sofia, e aqui ele é abordado na mais fina ironia, como algo empolgante, invejável e almejado por um sem-número de jovens e adultos mundo afora. 


4°: Maria Antonieta (2006)

O fútil e o superficial próprios do cinema de Coppola ganham em Maria Antonieta o respaldo estético em que a diretora mais se esbaldou. Plástico, colorido, ostensivo, o trabalho cenográfico ocupa-se de grande parte da narrativa por si só, enquanto os fatos históricos são preteridos em relação à marca pessoal que Sofia quis imprimir, cruzando a tradição de um filme teen oitentista com a opulência visual própria de um filme de época. Nesse meio, ela lida com o tédio como um caminho para a tragédia. Mas como o destino da personagem principal não é nenhum segredo, resta-nos acompanhar sua jornada até ele dentro desse universo arriscado e muito visual arquitetado pela Sofia-esteta. Maria Antonieta é seu trabalho mais questionador, arriscado, repleto de pequenas escolhas que vão contra qualquer senso comum, subvertendo a prioridade na narrativa ao dar mais voz aos coadjuvantes, por não se ater muito tempo a qualquer situação ou personagem, por não se preocupar com a fidelidade histórica. Aos poucos, todos esses recursos se diluem e se misturam num caldeirão em que a própria Maria Antonieta é colocada como figura de luxo, ao mesmo tempo central e desimportante para a história. O interesse de Coppola é o entorno dessa mulher que, por si só, já foi assimilada como parte de um cenário de luxo, engolida por seu mundo de aparências e superficialidades, e que só é colocada como protagonista para poder em seguida ser descartada na anarquia estética idealizada pela diretora. 


3º: Um Lugar Qualquer (2010)

Nascida no meio artístico, entre as celebridades e os delírios próprios dos excessos de Hollywood, Sofia vivenciou de camarim o espiral de tédio e futilidade que esse estilo de vida pode proporcionar. Em Um Lugar Qualquer ela vai radicalizar o que havia discutido até então em obras anteriores e potencializar ao máximo seus temas preferidos, fazendo o seu filme mais pessoal. Aqui a câmera tem a mais simplória e primitiva função de vagar por cenários, situações, personagens, sempre monótona, jamais exaltada, presa a detalhes mínimos. Esses travellings constantes não se interessam por nada em particular em meio a festas, piscinas e belas pessoas, mas se voltam para o vazio que aos poucos se revela cada vez mais sufocante e inescapável. Com a destreza de uma grande cineasta, Sofia revela sem muitas manobras ou exageros o feio por trás do belo, o monótono por trás do festivo, o vazio por trás do material. Filme que evoca muito o cinema burguês de Antonioni, Um Lugar Qualquer pode não ser o melhor trabalho de Sofia, mas com certeza é o seu momento mais vulnerável enquanto artista, no qual ela se expõe como nunca e perpetua sua identidade de autora para o bem e para o mal. 


2°: As Virgens Suicidas (1999)

Anunciando a cineasta incomum que nascia no fim dos anos 1990, As Virgens Suicidas tem a estrutura de um coming of age americano, tratando em suma de jovens crescendo e descobrindo o sexo. Mas as garotas da família Lisbon não são as típicas adolescentes de um filme assim; elas despertam uma atração voyeur nos garotos que a cercam e também no espectador, mais pelo mistério que se anuncia por trás dos meio-sorrisos delas do que pela beleza virginal e etérea de cada uma. A presença feminina em as Virgens Suicidas tem algo de espiritual, impenetrável e mesmo mórbido, que não se encaixa com o retrato da sociedade americana padronizada dos subúrbios repletos de famílias felizes. Como fez Peter Weir em Piquenique na Montanha Misteriosa (1975), Sofia trata da juventude e da feminilidade como uma armadilha onírica que esconde o mortal e o efêmero, que nos atrai como insetos à luz para depois nos esmagar. Aquelas irmãs, tão próximas morando do outro lado da rua, mas tão inalcançáveis, são o limiar entre a juventude e a finitude, o sexo e a morte, e o jogo de perspectivas adotado por Coppola ao mesmo tempo enaltece e chora por elas. À seu modo, a diretora trata de tudo que um bom filme adolescente trata (solidão, isolamento, inadequação, repressão), seja uma comédia de John Hughes ou um slasher de John Carpenter, mas é o seu toque feminino e sua delicadeza mórbida que faz a diferença em um trabalho que já anuncia o desfecho logo no título, mas que mesmo assim nos mantém grudados na tela sem piscar os olhos até o fim. 


1º: Encontros e Desencontros (2003)

Filme que rendeu a Sofia o Oscar de melhor roteiro original, Encontros e Desencontros é seu tratado mais agridoce sobre o tédio e o desamparo. Duas pessoas fora de sua zona de conforto, longe de casa, perdidas em um país e em uma cultura totalmente diferentes, se reconfortam uma na outra para não se deixarem engolir por um imenso sentimento de vazio existencial que se abate sobre eles agora muito mais forte. Coppola se interessa aqui pelo não dito, pelo não feito, e adota um cinema muito moderno e algo europeu que segue na contramão e se interessa e repousa sobre os espaços vazios, em sua maioria filmados em planos abertos que dispõem os atores como detalhes pequenos no quadro. Ao mesmo tempo, em momentos-chave ela proporciona pequenas singelezas na relação entre Bob e Charlotte que dão um colorido ao cenário acinzentado e neon de Tóquio, ainda que essas cores só sirvam de alívio momentâneo e reforcem a efemeridade e beleza daquele encontro ao acaso que jamais poderia ser repetido. Existe uma nostalgia no ar, um tempo que escorre pelos dedos e os dois personagens sabem que aquele momento mágico e fora da curva logo chegará o fim. Encontros e Desencontros é sobre isso, como somente o cinema consegue narrar: um tempo que se destaca na memória e permanece eternizado sem passado ou futuro, tão curto e finito, mas que vale por uma vida para Bob e Charlotte. 
Por Heitor Romero, em 07/08/2017
Comente no Cineplayers (2)
Por André Oliveira de Araujo Ferreira, em 08/08/2017 | 17:25:46 h
Tenho para mim que essa é uma daquelas filmografias em que o primeiro colocado está em um patamar muito acima dos demais.
Por Ricardo Amaral Guedes, em 08/08/2017 | 14:41:02 h
Boa, Heitor (mas eu colocaria Maria Antonieta sobre Um Lugar Qualquer, que me pareceu um lado B de Encontros e Desencontros).
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