Este comentário revela detalhes da história do filme.
|
Os Donos da Rua nasce numa época conturbada mais criativa da Hollywood. A direção e o roteiro é do californiano John Singleton. A estória acontece em Los Angeles, cidade do mesmo. A criação dessa história tão comovente é percebida e conhecida numa vivência verídica do autor. É a total realidade escrita em imagens na tela. O expectador aprende com a necessidade de qualquer ser humano a viver uma gonia que habita todo o filme. A agonia da morte.
O filme não tem pontos altos de produção, o seu ponto maior é o roteiro. É o enredo que contagia o expectador, que por isso ganha mais valor na imagem de Cuba Gooding Jr (ele faz o papel do carismático Tre Styles) e do valoroso Laurence Fishburne (papel de Furious Styles, pai de Tre). Os dois, Cuba e Laurence fazem cenas maravilhosas e dignas de aplausos. Os dois são muito fortes, na fala e na palavra (os dois são diferentes: na fala, o ator pode descriminar uma sequência ininterrupta de palavras sem dar importância imediata á elas; na palavra existe o uso máximo de ênfase e de sentido, aguça ainda mais o lado dramático, a palavra torna-se importante, minusiosa, ás vezes até completa o filme somento num diálogo apenas, também muito usado nesse filme).
Sem precisar de uma produção adequada, Singleton
segue o filme com normalidade e intemperismo. O climão de suspense e drama cresce e cresce á cada cena e há cada diálogo. O ápice final é esgotador, o expectador fica nauseado. A agressividade é presente em clima real, e de forma bastante inteligente. O expectador de principio não tem impressão de que o filme trata principalmente (no começo, um drama real: um filho passa a viver com o pai, este ensina 'coisas' da vida e acaba se mostrando amigo; do meio para o fim, um drama e um suspense insuportável: a violência e a maldade do bairro é mostrada de forma documental, com câmera fácil e sequências úteis).
Com toda essa qualidade de roteiro e atores, o filme guia-se á uma chave de situações, por vezes críticas de uma sociedade criminalista e preconceituosa. O filme é uma auto-projeção da vida de homens que entram num mundo negro, e de outros que passam por ele, e que vencem; a lição é linda.
Com todo este estupor de drama e suspense, e na ponta documentário, o filme Os Donos da Rua de 1991, ganha importância entre outros do mesmo gênero e do mesmo ano; um ano que se mostrou agudo e sensível, e que tornou o cinema mais emocionante, e que é capaz de ensinar e de comprometer ideias e preceitos, Os Donos da Noite fez isso.
|