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"O filme é um bom drama-comediado, falta somente nele aquilo que tanto encanta o público mundial, a sobrevivência no mundo de Hollywood".
É uma obra tipicamente estrangeira. A produção francesa sempre elabora obras de entendimento sobre-humano, um lindo mergulho no ser humano. O estilo é muito bem seguido e otimamente sobrevive á gêneros e técnicas que escassam as antigas técnicas de tema poético e de ilustre suavidade. Billy Elliot (2000) é um filme ante de data, que suporta ideias e roteiros mesquinhos que corroboram a mente do público com cenas curtas e maleficamente intuitivas. A produção francesa escreve nas cenas o que mais queremos o Belo descrito em sua plena beleza, isso é Billy Elliot.
O filme é todo inglês, tanto em sua locação como o seu elenco magnífico. A França participa ativamente na produção e na massificação de imagem e de caracterização/elaboração das personagens enquanto o modo e estilo a ser seguido. Conquanto rumores (esses que tentam arruinar a ideia original do filme) são defeituosamente errôneos. A direção inglesa (Stephen Daldry) topa o belo e o simples, é uma construção em cima daquele período conhecido como 'a maturação da humanidade'. É uma obrigação (isso se vê óbvio) do filme passar ao expectador o período e entendê-lo ao suportável, imita (aí está) á técnica francesa, crítica (criteriosa, o que não é a mesma coisa), metódica e salubre, o uso da transformação de tema popular é instável, mas habita cenas e diálogos que recorrem ao nada (e, ao mesmo tempo, ao complicado). A direção de Daldry é pesada. Usa um diálogo (como já descriminei) negro, curto e dramático, controla ao máximo a tensão (não quer deixá-lo insuportável, adulto demais), quieta a câmera, organiza sequências belíssimamente claras, opta por luz acinzentada/azulada e por isso, obriga á uma montagem rústica, deslocada e certinha, ao mesmo tempo. A fotografia encurta o espaço, abre o centro, destaca as personagens e também os distraí do expectador (uma transformação do objeto central, o ator, em um usufruto desigual, explicarei mais adiante). Como se sabe, o tema/assunto é a dança, o balé propriamente dito. Por isso (por esse novo tema, afinal, o filme é repleto de temas mal-organizados, de princípio, que logo mais vão se desenvolvendo deliciosamente) Daldry usa um objeto descentralizado, o próprio elenco: é a encurtação do centro, coloca no lugar o movimento, e não o personagem Jamie Bell (o carismático e 'normal' Billy Elliot), ele é perfeito, mais sua dança é melhor ainda; há uma transposição do ser humano na dança, aplicado e encenado, é claro, por Jamie. A cinética usada por Daldry nas cenas de dança transforma o filme não em um 'chatinho longa á despeito de um sonho impossível', mais sim numa sobrevivência de uma época enormemente preconceituosa e machista. Daldry fez um bom trabalho com o roteiro. O roteiro de Lee Hall é complicado, é recheado de compilações, críticas, sonhos (de uma época), cenas dramáticas, cenas comediadas (elaboradas por Daldry com majestosa sequência) e surtos de parada, uma parada rápida no verdadeiro sentido do roteiro. O roteiro é levado por Daldry com clarividência, objetivando os sentidos e colocando força máxima nas palavras e no olhar.
Por isso, por todo esse minucioso trabalho (e mergulho no mundo do entendimento do ser humano) de Billy Elliot, o diretor Stephen Daldry (vale ressaltar outros trabalhos realizados por ele, mais tarde a linda produção fotográfica O Leitor, uma das) é indicado á Melhor Direção, o uso, como se vê, pela volta do estilo francês valeu á pena. Ele não ganha. Outra interessante indicação pelo filme foi por Melhor Atriz Coadjuvante, a indicada era a inglesa Julie Walters, pelo excelente trabalho de protagonista/antagonista. Lee Hall por Billy Elliot leva indicação por Melhor Roteiro Original, também não ganha. Merecidamente as indicações são justas, não poderiam ter sido outras. O diretor, por esse e outros belos trabalhos foi indicado três vezes a melhor diretor, por: Billy Elliot, As Horas e O Leitor. Não ganha com nenhum dos três longas.
Billy Elliot é um filme para se deliciar. É uma cansativa mais permanente construção de estilização, encurtação das personagens, caracterização delas, ou tudo aquilo que o revele natural. O filme ganha apoio (não posso ser hipócrita) maior por ser também inglês. Contrário de outros países, o filme é de todo simples, uma volta gigantesca na arte, na cultura, nos movimentos que fizeram e ainda fazem da França e da Inglaterra grandes potências na cinematografia mundial. E ainda se revele criativa, e ainda se transforme inteiramente.
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