Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.
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Sinto que estou redescobrindo a sétima arte nacional. Ou apenas reconhecendo um cinema preeminente pela sua estrutura, estética e produção. Um cinema que, talvez, por anseio de decepcionar-me, não quis enxergar. Falta tirarmos a máscara do preconceito para podermos assistir carinhosamente filmes como este, e compreender que estamos degustando algo de qualidade, sem vencimento e/ou contra-indicação.
Karim Ainouz pisa fundo nas desilusões e nos apresenta a estreita vida de Hermila, jovem desarranjada, de coração apertado, cuja vida se limita a um cigarro e a sua humilde família interiorana. A certeza de um futuro, não somente promissor, mas de um sentido elucidado de seu papel existencial, encontra-se em seu filho. Suely – nome de guerra adotado por Hermila – possui a aparência triste de quem foi entregue precoce para os obstáculos do dia a dia, e arrancada da raiz familiar por um inconsequente amor, prescrito a partir de agora pelo seu imprevisível curso de volta à cidade natal (Iguatu).
Belo, contrastante. O combustível que aquece os sonhos de Hermila localiza-se na fugacidade que o céu limpidamente azul proporciona, o qual esconde, por trás de suas majestosas nuvens, surpresas para essa pequena mulher. Assim como nos seus olhos perdidos em meio à multidão, no silêncio interior que, às vezes, não acredita na veracidade à sua volta.
Mais uma vez Walter Carvalho expõe seu conhecimento na direção de fotografia, deixando evidente que não é à toa que é considerado um dos melhores fotógrafos cinematográficos do Brasil. A proposta de "O Céu de Suely" tonifica um clima amargo, o que não desmerece em nada o conjunto da obra, sobretudo a corrente narrativa. Pelo contrário, a escolha de uma leitura duramente realista influência e muito no resultado quantitativo do longa, que não perde o tempero devido ao modo como se aproveita das tomadas contemplativas e da seleção referencial de uma perspectiva cultural.
Um crítico estudo sobre o regresso, a sexualidade e a fragilidade na busca de nosso próprio céu. Um presente de grande estima para a filmografia brasileira.
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