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Luzes da Ribalta
(Limelight, 1952)

Por Caio Lucas Martins Matos
17/04/2007

"Luzes da Ribalta" não é, necessariamente, um clássico de Chaplin, mas sim sua principal crítica as artes. O fabuloso conto é praticamente uma auto-biografia do atual momento em que o gênio se encontrava. Com certeza, o personagem do filme apanha muito mais na vida do que Chaplin sofreu ou poderia sofrer com sua decadência que nem era tão voraz. Mais uma história encantadora com um romance lindo e inspirador. Só que desta vez um final nada feliz. Pode ser que seja, pessoalmente, o filme mais sentimental e sensível da ilustre carreira do comediante.


A história se passa em 1914, mesmo ano em que Chaplin começou a carreira de ator. Ele vive Calvero, um palhaço falido que quer recuperar seus dias de glória. Ele também é apaixonado por Thereza, uma ex-dançarina que abandonou os palcos por não poder andar mais. Cada vez que ela tentava o suicídio era salva por Calvero. Então o adorável vagabundo dá lições de vida para que ela acredite no sonho de poder voltar atuar em alguma peça. Quando os dois estão de volta a ativa, Calvero sem muito sucesso (diferente dela) a abandona. Depois de algum tempo é chamado de volta, e decide realizar antigos números, colocando novamente o sorriso do rosto de muitas pessoas. Após o tremendo sucesso e a perda da amada para outro artista, ele sofre um ataque cardíaco logo em seguida do show e morre.


Desta vez a lenda faz um papel bem diferente de Carlitos (mais conhecido pelo Brasil). Sem o inesquecível bigodinho, ele também está bem mais velho que quando atuou em obras-primas como "Tempos Modernos" e "Luzes da Cidade". Ainda assim consegue transmitir o mesmo charme e fazer alguns difíceis movimentos com seu corpo. Apresenta um personagem muito desconsolado, o que é bem diferente no seu currículo onde na maioria das vezes ele é feliz. Não é tão engraçado nesta película, mas acredito que essa não era mesmo sua intenção. Um roteiro muito mais voltado para o drama do que qualquer outro gênero. Como em todas as vezes, a maravilhosa trilha sonora (que nem se compara a dos melhores filmes do ator) é composta por ele. Também é dele a magnífica direção.


Clair Bloom, a mulher que faz o papel de Thereza, também atuou muito bem. Mas o destaque vai para o, junto a Chaplin, maior humorista de todos os tempos. O diretor conseguiu trazer junto a obra o inesquecível Buster Keaton, que atuou em verdadeiras "obras de arte" como "A General" (sim, esse filme em especial não é só uma obra-prima mas também uma obra de arte). Os dois maiores mestres do humor se reúnem para trazer uma cena simples e hilariante, mas no momento o que prevaleceu foi o apoio a Chaplin no tema da decadência. Ele também foi um dos prejudicados com a chegada das falas.


Desde que Chaplin passou a utilizar os som em seus trabalhos ele não consegue atingir a mesma magia (com exeção de "O Grande Ditador") dos filmes mudos. Ele que lutou contra a utilização das falas (que pra mim é indispensável hoje) no cinema teve que se render a isso, pois os longas mudos já estavam quase extintos. "Luzes da Ribalta" é o segundo e último sucesso da personalidade com a utilização das falas. Apesar disso, esse começa com uma frase escrita, dizendo a data e o local da história a ser contada.


Enfim, "Luzes da Ribalta" é um filme muito bom e simples. Mais um belo romance misturado com drama que deu certo. Chaplin sabia escolher o melhor roteiro. Um longa inesquecível que pode ser lembrado como a última "grande" fita do imortal Carlitos. Super recomendado! Mesmo com uma idade avançada ele conseguiu ser o mesmo. O , talvez, melhor ator de todos os tempos da uma aula de como atuar e encantar.


Por Caio Lucas Martins Matos
17/04/2007
|| notas ::.
 » Avaliação: 7.5
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- Alexandre Koball 7.0
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|| ficha do filme ::.
 Luzes da Ribalta
(Limelight, 1952)
» Direção:
- Charles Chaplin
» Elenco:
- Charles Chaplin
- Nigel Bruce
» Sinopse: Calvero (Charles Chaplin) é um palhaço em decadência que nutre um amor por Thereza (Claire Bloom), uma bailarina que está superando as dificuldades após uma tentativa de suicídio. Ela perde as esperan...
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