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COMENTÁRIO

A Vila

(Village, The, 2004)
Por Nilmar Souza Avaliação:                 8.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

''Uma aula sobre filosofia política ? uma obra injustiçada pela grande expectativa em torno de seu final ? uma ousada brincadeira cinematográfica ? ou apenas um filme/final errôneo por parte de seu diretor ?''

No final do século XIX em uma vila cercada por florestas, um grupo de indivíduos decide fundar uma comunidade extremamente pura, intocada pelo mal externo, sem uso do dinheiro e sem violência. Lá, eles fazem um pacto de nunca saírem da vila e de não deixar ninguém sair, pois na cidade reinava a violência e o medo. O que eles almejavam era criar a sociedade perfeita. Funcionando como contraponto à tranquilidade da vila, há as criaturas, ou "aqueles-de-quem-não-falamos", seres aterrorizantes que vivem nessas florestas. Entre os habitantes e as criaturas há um acordo muito simples : ninguém invade o território de ninguém. Partindo desta premissa mais do que interessante, somos colocados em um clima extremamente desconfortável, em uma vila cheia de segredos e regras que se forem quebradas, põe em risco à vida das pessoas que moram ali, pois as criaturas que vivem nas florestas podem à qualquer momento adentrar na vila se ameaçadas.

Na cena inicial, vemos um homem chorando sob o corpo de seu falecido filho, enquanto toda a vila o observa de longe, o homem é August Nicholson (Brendan Gleeson) que perdeu seu filho por uma simples doença. Seu filho poderia ter sido salvo se os habitantes tivessem ao menos remédios comuns, algo que não tem ali e não podem buscar na cidade, devido ao acordo com as criaturas que vivem da floresta. Logo somos apresentados a Edward Walker (William Hurt), que tem como papel ser o líder dos habitantes da vila e avisar sobre os perigos de se quebrar o acordo. Edward tem duas filhas, Kitty Walker (Judy Greer) e Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), a filha mais nova de Edward que é cega. Más Lucius Hunt (Joaquin Phoenix), um homem muito corajoso e extremamente silencioso perante as pessoas, começa a questionar as regras da vila depois da morte de seu amigo, que era filho de August, um dos anciões da vila. Más nem mesmo August teve o poder de quebrar o acordo para buscar remédios para o próprio filho. Lucius alega que com simples medicamentos, poderia ter salvo à vida de um homem, más é dito à ele que as regras não podem ser quebradas, pois colocaria em risco a vida das muitas pessoas que residem ali.

Após uma invasão de Lucius na floresta (quebrando assim, o antigo acordo), ele é visto por uma das criaturas, e percebe. Na noite do mesmo dia, o clima inseguro toma conta da comunidade após um dos vigias da fronteira floresta/vila, ver uma das criaturas invadindo o território dos habitantes, e assim culminando num clima de terror que espalha-se por toda a comunidade. A partir daí qualquer detalhe da obra à ser revelado por mim seria um spoiler. O que pode-se dizer é, Shyamalan tem total poder sobre o espectador, ele mostra somente aquilo que é necessário, deixando sempre quem está assistindo ativar sua imaginação, o medo fica ainda maior pois quase não se mostra aquilo que os personagens estão vendo, apenas sugere-se. O diretor faz com que o espectador sinta-se obrigado à esperar a revelação final, ato mais do que inteligente. No filme temos o bem representado pela cor amarela, e o mal representado pela cor vermelha. As imagens tornam-se exuberantes quando ambas as cores se misturam, fazendo com que a imagem fique ainda mais bonita, ou até mesmo quando somente o amarelo predomina (na maioria do filme é assim) também na paisagem, sempre nublada e linda.

A obra é na verdade um romance dirigido na forma de um suspense, pois a trama foca na maioria das vezes nas ações (ou não ações) de quatro personagens, e do envolvimento amoroso entre eles. A história foca-se muitas vezes (inclusive no final) no amor do jovem casal Ivy e Lucius, e na extrema necessidade que Lucius tem de protegê-la e mantê-la por perto. Já o outro ''casal'' é de um amor não correspondido (Edward e Alice Hunt). Fica muito claro que o motivo para que Edward não se declare à ela é pelo simples fato de que eles moram na vila, então não há espaço para traições, pois seria um caos, o sentimento de vergonha não pode residir ali. O dilema moral também é muito bem apresentado. Edward Walker, um dos fundadores da vila, decide que alguém precisa ultrapassar os limites da floresta e ir à cidade. Porém, ele não avisa nenhum dos anciões que também o ajudaram a fundar tal lugar e isso desperta a ira de alguns deles, pois um pacto foi feito muito anos atrás de que nenhum deles sairia dali e nem permitiriam tal ato, más Edward alega que uma pessoa foi vítima de um crime, algo que não se pode ocorrer na comunidade habitada por eles, então ele aproveita-se para quebrar outra regra para encobrir algo que é inaceitável na vila, e que colocaria em risco a continuidade e ingenuidade (se é que é possível dizer tal palavra) do lugar. É então que percebemos o tamanho do preço à ser cobrado pela busca por uma sociedade perfeita, onde não se pode haver crimes, violência, dinheiro. Eles fazem com que as crianças cresçam amedrontadas por criaturas que são quase que diariamente citadas pelos pais, e os adultos vivem escondendo seus próprios sentimentos e desejos para manter a ordem em tal lugar. Edward é um exemplo, ele é um homem casado, porém ele é na realidade apaixonado pela mãe de Lucius, Alice Hunt (Sigourney Weaver), más jamais contará isso à ela, pois teme a humilhação pública que sua mulher seria submetida perante todos da vila, o que seria algo inaceitável para os padrões impostos na comunidade. A obra é cheia de simbolismos. Temos Ivy que é cega, e traz a pureza plena em sua pessoa. Lucius, que traz em sua personalidade à coragem. Edward, como o mentor de tal lugar, sempre indicando o que deve-se fazer aos outros tentando deixar à eles um legado. E Noah, que mostra-se ''um'' contraponto à tranquilidade da vila. Ele é a pura instabilidade, insanidade, o medo, a loucura. Algo que na verdade todos habitantes de tal vila guardam um pouco dentro de si, só não sabem.

As passagens são muito bem feitas pelo diretor, e nunca soam forçadas como foi dito por parte da crítica que já o abominava desde ''Sinais''. Quanto ao final, que dividiu tanto as opiniões de crítica e parte do público, (inclusive aqui no Cineplayers. Daniel Dalpizzollo - 1.0, Heitor Romero- 9.0) é de extrema eficiência. O diretor brinca com o espectador de uma forma eficiente, não o menosprezando nem o ofendendo (como muitos falam). Desperta ainda mais a curiosidade do público perante a história, o que de fato acontece ? ele nos faz pensar, sim. O problema é que esperavam algo mais impactante ao meu ver, e o que seria ? uma carnificina talvez ? se a decepção foi essa não há fundamento algum, pois tudo que é revelado faz sentido na trama, e isso não caberia de forma alguma em um filme de Shyamalan, que sempre priorizou pela história e pelo mistério, do que propriamente pela ação. As qualidades da trama não estão apenas na história, e sim nas atuações, na fotografia lindamente feita, na trilha sonora muito bem colocada no filme, nas reviravoltas inteligentes do roteiro, e obviamente na conclusão final que é plenamente condizente com os acontecimentos da trama. O final propositalmente nos deixa querendo saber mais, é claro, outra sacada por parte do diretor. Será por isso que foi tão odiado por alguns, só por não mostrar o desfecho ? acredito que não, foi pura birra por esperar um filme de suspense/terror cheio de sangue e monstros, e de fato encontrar algo mais que isso, mais inteligente, mais bem desenvolvido e com um clima único.

A obra ainda conta com um elenco de extrema qualidade. Como acontece em alguns filmes, aqui vemos alguns atores de muito potencial sendo sub-aproveitados, casos do já consagrado Adrien Brody, do talentoso Michael Pitt e do ótimo Jesse Eisenberg, que pouco aparece. Há também uma atriz nesse ''time'', ela é Sigourney Weaver, que está muito bem quando sua presença é requisitada. Mais esse fato não é por culpa do diretor, e sim porque a história não gira em torno deles e nem de ninguém. Na verdade não há apenas um protagonista, o protagonismo fica por conta do clima sombrio da vila e na curiosidade de alguns em ultrapassar os limites de tal lugar. Bryce Dallas Howard está excelente na pele da inteligente cega Ivy Walker. Ivy é uma menina muito doce e inocente, mais que sabe como ninguém captar sentimentos alheios. Dallas Howard dá um show e tem a melhor atuação do filme (sua personagem é a que tem a maioria das cenas, portanto poderia ser creditada como protagonista). Joaquin Phoenix também está ótimo como o introvertido Lucius Hunt. Lucius mostra que as palavras ás vezes não significam nada, são inúteis perante a algumas situações. Ele é um homem muito corajoso, más que mostra-se extremamente sensível na cena em que declara-se para Ivy (cena linda, aliás), enfim, uma atuação também ótima. Adrien Brody (sub-aproveitado devido a história), tem um desempenho muito bom como Noah Percy. Seu personagem tem sérios problemas mentais que também servem como contraponto à tranquilidade de todos na vila, pois o mesmo é extremamente instável e como nos é mostrado, já ultrapassou os limites da floresta algumas vezes. Sua primeira cena (logo no início, num almoço) quando as ''criaturas'' fazem um barulho assustador e todos na mesa estão em silêncio enquanto ele ri, é simplismente sensacional. William Hurt interpreta um dos anciões e líder da vila, Edward Walker. Um homem que tenta ser um exemplo perante à todos ali, más ao final sabemos que tudo é feito por métodos muito duvidosos. Sempre lúcido, por vezes parece ser enigmático perante à Lucius, que tem uma personalidade muito diferente de Edward. Hurt também está muito bem, seu diálogo final, em prol da continuidade da vila mesmo depois de todos os acontecimentos, é brilhante. E ainda temos o diretor, M. Night Shyamalan atuando. Uma atuação de apenas uma cena é verdade (na qual seu rosto aparece apenas num reflexo, numa passagem muito inteligente do roteiro), mais essa única cena revela que seu personagem tem um papel importante na história.

Quanto ao famoso ''ego inflável'' do diretor (agora é moda dizer tal termo, basta digitar Quentin Tarantino no Google..), não acho que ele atrapalhe, se é que ele existe, só acho que ele foi infeliz ao colocar logo no início do filme seu nome em destaque na tela como ''Produtor, Roteirista e Diretor'', essa foi a verdadeira infelicidade por parte de Shyamalan. Pois pareceu um pouco pedante, e os críticos aproveitaram para ''cair de pau'' em cima dele, sem ao menos ver o filme. Quanto ao seu trabalho nesse filme, é admirável a forma que Shyamalan o conduz, fazendo com que absolutamente todos os 108 minutos de filme sejam sempre num clima sombrio, devastador. Um trabalho nada menos que excelente.

''Uma vila criada com o propósito de renovar a esperança do homem, acaba se transformando num lugar onde a desesperança e a descrença reinam. Não existe e nunca existirá sociedade no mundo que alcance a perfeição. A perfeição é a busca eterna por um meio de vida melhor, por meio do amor, sinceridade, honestidade e perdão. Não necessariamente livre de crimes e nem do dinheiro. E só os dignos chegarão perto dela um dia, talvez.''

Por Nilmar Souza, em 20/12/2013 Avaliação:                 8.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 8.0
• Daniel Dalpizzolo 8.0
• Rodrigo Cunha 7.0
• Régis Trigo 4.0
• Silvio Pilau 5.0
• Vlademir Lazo 9.0
• Heitor Romero 9.0
• Marcelo Leme 7.5
• Bernardo D.I. Brum 8.5
• Rafael W. Oliveira 8.0
• Victor Ramos 8.5
• Francisco Bandeira 8.5
•  Média 7.6
Notas - Usuários
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