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Amnésia

(Memento, 2000)
Por Luis Eduardo Bertotto Avaliação:                   9.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Por Luis Eduardo Bertotto
Escrito e dirigido por Christopher Nolan a partir do conto de seu irmão Jonathan, Amnésia conta a história de Leonard (Guy Pearce), antigo investigador de seguros que, após ter sua mulher assassinada, parte em uma jornada de vingança atrás dos responsáveis. Porém, ele foi ferido na cabeça pelos assassinos, o que fez com que desenvolvesse uma condição de amnésia muito rara: ele não consegue gravar acontecimentos recentes, ficando dependente de um sistema que ele mesmo desenvolveu para se lembrar das coisas – sistema este que se baseia em fotos e anotações, bem como tatuagens por todo seu corpo das informações mais relevantes.

Amnésia foi o filme que fez o nome de Christopher Nolan na indústria cinematográfica. Não é o maior dos seus filmes – teve um orçamento de meros 5 milhões de dólares e uma receita próxima de 40 milhões –, mas certamente é um dos mais inteligentes e bem construídos. Lançado no ano de 2000, foi sua estrutura narrativa única que fez a fama do filme; porém, ao final da projeção, fica claro que tudo foi construído em prol do desenvolvimento do protagonista Leonard, interpretado por Guy Pearce.

De fato, em um primeiro momento, a estrutura da história é o que mais chama atenção: nós acompanhamos a jornada de Leonard de trás para frente, isto é, os acontecimentos mostrados em cena vão sendo exibidos do mais recente para o mais antigo (com exceção de uma narrativa paralela que abordarei adiante). Com isto, fica claro que o filme exige um trabalho de edição excepcional – e o editor Dody Dorn desempenha sua função de maneira impecável. Além de costurar as cenas umas as outras de maneira eficaz e elegante – veja como o início de uma cena mostrada em um primeiro momento corresponde ao final da cena mostrada na sua sequencia –, Dorn, ao lado de Nolan, ainda é hábil ao envolver o espectador de forma que este não queira desgrudar os olhos da tela. E isto é formidável, tendo em vista que a estrutura do filme nos permite saber exatamente como certo evento vai terminar, mesmo que não saibamos como o protagonista chegou a certa situação em um dado momento.

Além disto, a escolha de Nolan de contar a história de trás para frente podia muito bem soar simplesmente como um capricho do cineasta; porém, esta estratégia não é gratuita. Graças justamente ao fato de que a história começa pelo fim e vai voltando no tempo, e graças também à montagem de Dorn que liga o final de uma cena ao início de outra, nós podemos experimentar a condição de Leonard – afinal, nós ficamos sem saber de onde as coisas estão vindo e o que elas representam (exatamente como o protagonista), até que a cena seguinte venha para justificar a anterior (e isto funciona praticamente como as fotos, anotações e tatuagens que ele possui).

Mas o filme só funciona tão bem graças à atuação de Guy Pearce. Construindo seu personagem de maneira intensa e vívida, o outrora investigador de seguros é praticamente transformado em um detetive de filmes noir pelo roteiro – e Pearce é hábil ao transmitir para a plateia sua obstinação em tentar resolver o caso de sua falecida mulher. Além disto, o ator é carismático o suficiente para que simpatizemos com sua causa, de tal forma que nos preocupemos com ele e, consequentemente, com a própria resolução de sua jornada investigativa. Como se isto não bastasse, o roteiro de Nolan ainda é hábil ao explorar a condição de Leonard ao máximo, incluindo, neste sentido, diversos momentos que se transformam em momentos cômicos justamente por esta condição – e a cena em que ele está perseguindo (ou sendo perseguido?) por outro personagem ilustra muito bem estes instantes que ajudam a quebrar um pouco o ritmo da intricada construção narrativa do filme.

Simultaneamente a estas sequencias de trás para frente, nós acompanhamos uma narrativa paralela (que é exibida em preto e branco e de maneira cronológica), que mostra Leonard em um quarto de hotel conversando ao telefone com alguém sobre o caso de Sammy Jankis (Stephen Tobolowsky), que apresentava perda de memória e cujo foi atendido pelo protagonista quando este ainda era investigador de seguros. Esta narrativa paralela é interessante ao levantar questões sobre a própria condição de Leonard e suas consequências, além de criar discussões relevantes encima dos acontecimentos retratados no filme.

O pequeno elenco secundário também está excelente. Carrie-Anne Moss transforma sua Natalie em uma personagem misteriosa e enigmática, quase que como uma femme fatale com segundas intenções, enquanto o Teddy de Joe Pantoliano sempre surge em cena como se tivesse algo a esconder. Mas, mais uma vez, a estrutura pela qual Nolan conta sua história é fundamental para que não saibamos realmente o que está acontecendo e quais são as verdadeiras intenções de tais personagens.

E a semelhança com os filmes noir que citei acima é acentuada pela resolução da jornada de seu protagonista. As revelações feitas por certo personagem para Leonard no clímax da projeção, bem como a sua reação perante tais revelações, é fundamental para transformar o personagem em uma figura ainda mais trágica e que causa comoção. Assim, é fato que Amnésia se revela muito mais do que simplesmente um filme com uma estrutura narrativa inventiva e singular: é um estudo de personagem complexo e bem construído, cuja existência circular se torna lamentável e até mesmo dolorosa ao final da projeção. Desprovido de qualquer relação realmente afetiva, para Leonard, sua vida acabou junto com a de sua mulher, e nada mais lhe resta a não ser justamente correr atrás dos responsáveis pela morte de sua amada, custe o que custar. Um grande filme.

Por Luis Eduardo Bertotto, em 05/02/2018 Avaliação:                   9.5
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