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Blade Runner - O Caçador de Andróides

(Blade Runner, 1982)
Por Cristian Oliveira Bruno Avaliação:                   9.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

A PRIMEIRA CRUZADA DE RIDLEY SCOTT



NOTA: este comentário foi escrito com base nas impressões que tive sobre a versão do diretor lançada em 1991, tendo inclusive sofrido alterações em trechos importantes da obra. Portanto, peço desculpas caso as impressões não confiram com as de quem tem a versão original como base.



Você teve uma vida plena e fascinante. Viu coisas que nenhum outro homem sonhou ver e esteve em lugares que muitos sequer sabem que existem. Acumulou conhecimento que muitas mentes seriam incapazes de assimilar. Mas lá no fundo, você sabe que tudo isso irá se perder no momento em seu coração bater pela última vez. E você sabe que este momento se aproxima e é cada vez mais inevitável. Pior do que morrer, é saber que tudo isso, toda essa história e esse conhecimento capaz de equiparar-lhe a um semi-deus desaparecerá em uma fração de segundos e se dissipará ao vento e ficará para sempre numa página da história que ninguém nunca lerá. Esse é o universo em que se encontram os Replicantes, os "vilões" do clássico absoluto Blade Runner - O Caçador de Andróides, dirigido por Ridley Scott (Gladiador) baseado no livro "Do Androids Dream of Electric Sheep?" do gênio da ficção Phillip K. Dick (que, entre outros, tem adaptadas para o cinema obras como O Vingador do Futuro, Screamers - Assassinos Cibernéticos, e Minority Report).


Blade Runner se estabelece numa espécie de jornada irônica onde os Replicantes liderados por Roy Beatty (Rutger Hauer) anseiam unicamente por mais tempo de vida, enquanto o Blade Runner Dicky Deckart (Harrison Ford) busca exterminar a já curta existência dos andróides (eles só vivem 4 anos) para poder viver o restante da sua em paz. E os dilemas se entrelaçam, gerando uma linha de pensamento muito forte em Blade Runner sobre quem decide quem deve viver e quem deve morrer. Em busca de uma força de trabalho mais produtiva e mais sustentável, a humanidade (representada no filme pela empresa Tyrell Corporation) desenvolveu os Replicantes e, agora que não os julga mais estáveis, os condena à extinção.


E a ironia de Blade Rumner se faz presente no modo como Scott apresenta a América do futuro. Completamente decadente e à beira de um colapso social. Sempre escuras e chuvosas, as estreitas e sujas ruas de Los Angeles parecem um formigueiro labiríntico como se dali fosse impossível encontrar uma saída. Em busca do falido american dream, latinos e asiáticos compõem a maior parte da população, aglomerando-se em cada beco para exporem seus produtos em suas tendas, sendo nítido o comércio como a base da economia da cidade. E salientando a falência da sociedade norte-americana retratada no filme, os letreiros e anúncios repetidos a todo instante reforçam a idéia de atraso do sistema ao anunciar: "Venha para as colônias, uma vida nova espera por você. Um anúncio das expresas Shimago-Rodríguez, ajudando a América a entrar no Novo Mundo.". Traduzindo; abandonem essa mentira, antes que seja tarde!


Esteticamente, Blade Runner é um dos filmes mais poderosos e impactantes do cinema. Ridley Scott, vivendo o auge de sua carreira, mostra todo seu talento em transpôr sentimentos em imagens para provocar uma mescla de fascínio e desconforto no espectador, trazendo ao mesmo tempo aquele aperto no peito, como se fossemos sufocar naquele ambiente claustrofóbico e marginalizado, como também tensão por uma sensação de perigo iminente em cada cena, em cada canto. Ao mesmo tempo, é difícil não se "boqueabertar" com os planos e as tomadas elaboradas por Scott, que demonstram a vastidão territorial transformada em um cubículo opressor onde as luzes advindas do festival de neons e cores estranhamente destacadas e estrategicamente pensadas pelo diretor, afim de salientar a discrepância entre os submundos que compõem a sociedade retratada no filme.


Uma das teorias levantadas por muitos fãs do filme é a de que Deckart seria também um Replicante. E mesmo que Scott não tenha deixado maiores indícios sobre tal possibilidade, algumas passagens podem ser encaradas como pistas ou, pelo menos, se mostram dúbias. Dois diálogos, por exemplo, são altamente abertos à interpretações: O que Bryant estaria querendo dizer quando afirma a Deckart que ele "fez um trabalho de homem" ou quando afirma que "Rachell não viverá. Mas, afinal, quem vive?"? São pequenos detalhes que enriquecem ainda mais esta obra-prima e a torna tema de debate até os dias de hoje.


Blade Runner é título constante nas primeiras posições na maior parte das listas de maiores filmes de todos os tempos. E não é pra menos. De importância estética e cultural inegável, o filme serviu e serve como referência e é objeto de estudos e de teses sociais e políticas. Por isso, não importa a época, a evolução tecnológica ou as tendências cinematográficas e a situação global, Blade Runner é, e sempre será, um filme para sempre.

Por Cristian Oliveira Bruno, em 25/06/2015 Avaliação:                   9.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 4.0
• Daniel Dalpizzolo 6.0
• Rodrigo Cunha 9.0
• Régis Trigo 8.0
• Silvio Pilau 9.0
• Vlademir Lazo 6.0
• Heitor Romero 8.0
• Marcelo Leme 8.0
• Bernardo D.I. Brum 8.5
• Rafael W. Oliveira 7.0
• Victor Ramos 8.0
• Léo Félix 5.5
• Francisco Bandeira 9.0
• Felipe Leal 8.0
•  Média 7.4
Notas - Usuários
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Comente no Cineplayers (7)
Por Luiz Fernando de Freitas, em 26/12/2015 | 14:39:08 h
Revi hoje e permanece como uma das obras mais importantes e poderosas do cinema. O trecho escolhido pelo Cristian para abrir seu comentário caiu como uma luva para o triste dia de hoje.
Por Rodrigo Carlos de Souza, em 20/08/2015 | 18:31:14 h
São falhas que passam desapercebidas, mas existem na versão original (82)...valeu man.
Por Cristian Oliveira Bruno, em 20/08/2015 | 18:04:33 h
Po, Rodrigo, não vejo estas falhas de gravação e acho a interpretação de Ford bem satisfatória, deixando bem evidente o desconforto e a inquietação do personagem. No mais, como você disse, este é um filme fantástico!!!!
Por Rodrigo Carlos de Souza, em 20/08/2015 | 10:41:21 h
Filme tem muitas falhas de gravação, a atuação do Harrison Ford não é empolgante, parece que ele fez na marra, o que convence é o carisma dele e do personagem.
No entanto, o filme é fantástico, cheio de tecnologias que para o ano de 1982 eram inimagináveis e hoje a gente pode ver muitas coisas por ai, como por exemplo os outdoors luminosos e comando de voz em determinados dispositivos.
Por Cristian Oliveira Bruno, em 25/07/2015 | 09:58:13 h
Sendo 100% honesto: nem sei se um dia cheguei a assistir a versão original de 1982, pois esta versão de 91 é a única que me lembro - e a que tenho em casa. Se vi, foi ainda criança e não lembro. Obrigado pela leitura e pelos elogios, galera.
Por Conde Fouá Anderaos, em 25/07/2015 | 09:27:20 h
Não vi a versão de 91. Somente a de 1982. E fazem mais de 30 anos. Desses que não pude rever. Não é bajulação não. Teu comentário está muito bem urdido, o escrito saboroso na sua leitura: formigueiro labiríntico, ambiente claustrofóbico e marginalizado, "boqueabertar", etc. Parabéns.
Por Marcos Simplício Silva, em 21/07/2015 | 17:37:31 h
Lindo, lindo, lindo. Gosto dele. Da fotografia que realça esse mundo decadente, quase exterminado.
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 Blade Runner - O Caçador de Andróides
(Blade Runner, 1982)
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