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Bonitinha Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende

(Bonitinha Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende, 1981)
Por GILBERTO C. MESQUITA Avaliação:               7.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Se este filme não é o auge da pornochanchada brasileira, passa perto...
A trama, aparentemente, é bem simples, mas esconde toda a complexidade das relações humanas, abordadas exaustivamente por Nelson Rodrigues. O roteiro é muito bem trabalhado, com diálogos criativos e frases para entrar no dicionário nacional da criatividade cinematográfica brasileira.
Edgar (José Wilker) é um rapaz que trabalha em uma empresa há onze anos e ainda não progrediu muito na carreira, iniciada como contínuo, fato que não o deixa orgulhoso, quando comentado. Vindo com a família de MG, ele acredita na solidariedade das pessoas apenas em casos extremos, como nas doenças (o que o faz repetir insistentemente a “velha frase do Oto”: “O mineiro só é solidário no câncer!” (o bordão é dito, inteiramente, dezessete vezes durante o filme, fora algumas menções ou repetições incompletas).
Na sua rotina diária, o jovem gosta de paquerar as vizinhas, principalmente Ritinha (Vera Fischer), por quem nutre grande paixão. No entanto, certo dia em que está bêbado, ele é abordado pelo companheiro de trabalho Peixoto (Milton Moraes), genro do milionário Werneck (Carlos Kroeber), dono da empresa em que trabalham, o qual lhe faz uma estranha proposta, de casar-se com a filha do patrão, Maria Cecília (Lucélia Santos), que fora estuprada por cinco negros, em troca de um cheque milionário ao portador.
O que parece uma escolha fácil, incentivada por todos à sua volta (principalmente a mãe e o amigo) não deixa Edgar muito satisfeito, pois, apesar do dinheiro atraí-lo, ele tem certo “caráter” e também é apaixonado por sua sedutora vizinha, que dá um duro danado para sustentar a mãe louca e mais três irmãs.
Mesmo relutante, Edgard aceita a proposta, mas continua nutrindo seus desejos por Ritinha. Então, depois de acertar o casamento com a “granfina”, Edgard e Ritinha se encontram para despedir-se, num lugar nada ortodoxo, um cemitério. Ao mesmo tempo em que vem um cortejo fúnebre para enterrar um defunto, os dois fazem amor no futuro túmulo do morto. É neste momento que Ritinha lhe conta o que faz para conseguir dinheiro, e como iniciou este trabalho.
A partir daí, o roteiro é acelerado e fica mais centralizado em Edgar, nos seus pensamentos e hesitações quanto ao casamento com uma mulher rica ou o verdadeiro amor pela vizinha simples, mas “da vida”. Sua escolha não importará muito, o que ficará marcado é o cinismo dos personagens, da família deles e da sociedade em que vivem.
E o final trágico, e de certa forma surpreendente, coroa o bom trabalho apresentado.
Com uma montagem simples, as cenas criativas (Vera Fisher e Wilker tomando “banho de gato”, com panela, Edgar massageando o futuro sogro na sauna, Ele e Ritinha “fofando” num lugar “bacanérrimo”, entre outras), embora nem sempre bem acabadas, aos poucos, vão agradando o espectador.
Já as frases de efeito ("O mineiro só é solidário no câncer.", "Eu não sou defunto de cova rasa, quero enterro de penacho!", "A granfina é a única mulher limpa, trepa e não transpira!", “Eu sou um ex-contínuo e você é um FDP!”, “Eu também quero, sou filho de Deus!”, “É tão lindo ser esposa de ex-contínuo!”, “No Brasil, todo mundo é Peixoto!”, “Se você tem caráter, rasga o cheque e atira o papel na minha cara; ou você é Peixoto!”, “Eu não gosto de homem que fala bonito.”, “No Brasil, quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte!”, “Toda família, tem um dia, que começa a apodrecer, aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco, tudo ao mesmo tempo...”, “Ninguém se acha canalha, mas eu sou um canalha e digo isso de boca cheia...”, “Papai dá dinheiro, eu dou dinheiro...” “Numa hora dessas, o sujeito não desmaia, tem que matar!”, “Ou eu rasgo esse cheque, ou a frase do Oto é verdadeira”, “Você vem no domingo, que não tem ninguém aqui, eu não te prometo nada, mas quem sabe...” “Eu estou pedindo o mínimo!”, “Os médicos, quando tiram casquinha e suas clientes reclamam, dizem: neuróticas!”, “Eu não nasci vagabunda, me fizeram isso...”, “A tua doença é a frase do Oto!”, etc...), vão preenchendo um certo mosaico de bordões na cabeça do espectador, que, ao final, é impossível não sair do lugar de exibição com, no mínimo, uma expressão para falar durante um semana...
Assim, se analisarmos o filme em seu conjunto, talvez não lhe daremos o real valor que merece, considerando-o, no máximo, um filme regular. Mas, se observarmos melhor a construção das cenas, com o emprego dessas frases memoráveis, lançadas nos diálogos muito bem construídos pelo roteiro, muitas vezes tendo como pano de fundo a tradicional nudez do nosso cinema, talvez cheguemos à conclusão que este é o auge da chanchada brasileira.

Por GILBERTO C. MESQUITA, em 10/01/2012 Avaliação:               7.5
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•  Média 6.0
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