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Cidadão Kane

(Citizen Kane, 1941)
Por André Oliveira de Araujo Ferreira Avaliação:                     10.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Cinebiografias. Pode não parecer, mas elas são pretensiosas pra cacete. A começar sobre quem vai ser a pessoa a ser descrita na película, diversas vezes figuras históricas. O esquecíveis (em sua maioria) filmes “de Óscar” são campeões nisso (“Discurso do Rei”, “A Dama de Ferro” e “Gandhi”, por favor, fiquem de pé). Sempre uma figura importante, interpretado por um ator ou atriz de grande renome, com a filme abordando seus grandes feitos. E aí é que está a pretensão desavergonhada dessa modalidade cinematográfica. Tentar resumir a vida de um ser humano à suas realizações mais visíveis, pois afinal, como consta em uma das últimas frases do filme “Cidadão Kane”: “Nenhuma palavra pode explicar a vida de um homem”.

Eterno clichê nas listas de melhores filmes de todos os tempos, e em várias delas na primeira posição, “Cidadão Kane” foi o segundo filme dirigido por Orson Welles que, à época da sua estreia, estava prestes a completar apenas vinte e seis anos. E mudou para sempre os rumos da sétima arte, seja na parte técnica ou na própria estrutura da montagem. O cinema não foi mais o mesmo após essa segunda obra (e primeira relevante) dessa jovem diretor.

O ponto de partida e o modo como o filme é tocado todo mundo já conhece. A última palavra de um antigo magnata, Charles Kane, da mídia intriga os jornalistas, que passam a procurar saber qual o seu significado. Para isso, passar a entrevistar diversas pessoas com quem Charles já se relacionou. A partir daí, na medida em que as entrevistas vão sendo feitas, ocorrem os flashbacks, que contam a fascinante vida desse homem.

Após a icônica cena da morte, é exibido um pequeno documentário, onde um frenético locutor conta todas as realizações de Charles Kane, o modo como ele ascendeu e se tornou oum dos homens mais poderosos do país. Depois, é mostrado que esse documentário está sendo assistido pelos jornalistas que vão investigar a sua vida. Duas coisas devem ser ditas aqui: primeiro o modo brilhante de como Orson Welles fez a transição, do filme que está dentro do filme para o filme. Esse é um dos principais pontos fortes do filme, e um de seus principais legados: a sua edição. Os cortes são suaves, em especial os que ocorrem antes dos flasbacks. Esse é um mérito enorme, fazer um filme preto-e-branco de duas horas de duração que trata da vida de um jornalista passar rápido. O velho Orson era um cara vanguardista. Outro detalhe é o fato de que, desde o início, os invetigadores só dão atenção às realizações de Kane que são de fato mais visíveis para os outros, que é a construção do seu império. Ou seja, já começam com uma visão limitada das coisas. E ainda nesses primeiros momentos, tem uma cena pequena, rápida, mas com um significado enorme para o filme: o guardião de Kane, que nunca foi amado por ele, relembra quando o então pequeno Charles o acertou com um trenó no momento em que se conheceram. Isso tem um peso gigante para o significado do longa.

Do ponto de vista cronológico, a primeira aparição do protagonista ocorre quando o mesmo é “comprado” por um banqueiro. Dois momentos aqui são importantes para o filme. Um é o golpe do trenó, já citado. O outro é quando o seu pai aceita a “venda”, enquanto que Charles Kane brinca alegremente na neve com o seu trenó. Os adultos aparecem em primeiro plano, discutindo seus assuntos, enquanto o alegre Charles aparece na janela brincando e gritando. Então, quando a compra é acertada e a mãe fecha a janela, silenciado-o. A partir daquele momento, ele não tem mais voz. Irônico isso, especialmente pelo fato dele se tornar a pessoa mais influente do país em alguns anos. Mas essa é a poderosa mensagem do filme, que será discutida melhor e seguida.

Então Charles Kane não viverá mais para si, nunca mais. Mesmo quando ele tentará se impor, especialmente através de seu jornal, que ele enxerga justamente como uma forma de se defender do mundo, será em função dos outros. E ele odeia isso. Então, na medida em que ele vai ascendendo socialmente, economicamente e politicamente, ele vai comprando estátuas. Muitas estátuas. E qual o significado desse peculiar hobby? Simples: as estátuas não falam. Kane não quer se isolar do mundo, ele quer viver a sua vida em sua função. Parar de esperar que os outros o amem quando ele os ama, como disse um determinado personagem em um determinado momento do filme.

O momento em que esse modo de vida de Charles Kane fica mais explícito é no flashback de sua segunda esposa, a cantora lírica (ou pelo menos um projeto de uma) Susan Alexander. Ele quer transformá-la em uma estrela da ópera. Para isso, constrói até um majestoso teatro, além de usar a influência de seus jornais para chamar a atenção do público. Entretanto, ele não obtém êxito e a sua esposa ainda o abandona. Depois de tudo isso, todos os seus esforços, o que ele faz é olhar para um daqueles globos com neve dentro, lembrar da sua infância, ter uma epifania e falar a bendita palavra: “Rosebud”.

“Rosebud”, nome que estava no seu trenó, significa tudo que, intimamente, Charles Kane quer, e descobre quando Susan lhe dá as costas. Tudo aquilo que ele construiu a sua vida toda, sua família, seus negócios, suas empresas...não conseguiram lhe trazer de fato a felicidade que tinha na infância, pois ele não fazia nada daquilo, realmente, para ele e sim para os outros. “Outros” esses que passaram a mandar na sua vida, de diversas maneiras, desde o maldito dia em que um banqueiro foi até a sua casa e a sua mãe fechou a janela enquanto brincava na neve.

Por André Oliveira de Araujo Ferreira, em 02/09/2017 Avaliação:                     10.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 9.0
• Daniel Dalpizzolo 8.5
• Rodrigo Cunha 9.0
• Régis Trigo 10.0
• Vlademir Lazo 10.0
• Heitor Romero 8.5
• Marcelo Leme 8.5
• Bernardo D.I. Brum 10.0
• Léo Félix 9.0
• Francisco Bandeira 10.0
•  Média (Top Editores #13) 9.3
Notas - Usuários
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