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Corrente do Mal

(It Follows, 2014)
Por Paulo Faria Esteves Avaliação:         4.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Corrente do Mal é um peixe que passou a vida a querer subir a uma árvore.

Pois é, comecei o meu comentário com uma adaptação de uma célebre frase de Albert Einstein. Não sou inteligente? Vá lá; aplausos para mim!
Brincadeiras à parte, a minha opinião é que, no fundo, é isso que este terror que fez sensação em Sundance é: um belo peixe que nasceu várias características que podiam fazer dele o melhor nadador da sua geração. Corpo esguio e leve, barbatanas bem formadas, um bom músculo na cauda e sabe-se lá mais o quê. E o que fez esse peixe? Passou a vida toda a querer subir a uma árvore. Sim, um desperdício. E todos à sua volta lamentavam ele não ter aproveitado a sua bênção genética e tê-la perdido a tentar subir árvores. Não estou a dizer que devamos censurar esse peixe, pois ele só fez o que queria e não prejudicou ninguém (aliás, se há coisa que me tem irritado ultimamente é pessoas a culparem outras pessoas das escolhas que elas tomaram só porque acreditavam que eram capazes de viver e seguir "o seu sonho" ao mesmo tempo): Só digo que, da nossa perspectiva, é uma pena e um desperdício.

E quais são as barbatanas especiais de Corrente do Mal? Bem, acima de tudo, toda a boa ideia para um terror que é uma personagem ser perseguido por um monstro/assassino lento quase impossível de parar. Não conheço muitos filmes que partam desta ideia, a não ser o famoso O Assassino Terrivelmente Lento Com a Arma Extremamente Ineficiente - que, mais que terror, é uma brincadeira, embora consiga transmitir alguma tensão pela natureza do seu "monstro". A questão de ser lento é interessante à brava, pois não só vai contra aquilo que os monstros dos filmes costumam ser, mas também permite às personagens fugir, sentirem-se relaxadas durante um tempo e o monstro poder vir estragar essa calma a qualquer momento, pois é lento e nunca sabemos quanto demora a chegar à vítima. Esta sensação de não se poder bem descansar por se poder ser atacado sem aviso é bem assustadora e encaixa bem nos filmes de terror. Além disto, este filme tinha outras potencialidades, como o facto de algumas cenas serem bem melhores quando revistas (já que a inicial, da primeira vez, parece bem tonta) e o de, com este monstro, o simples olhar para uma entrada já seja um fator de suspense. Ah, e um monstro que muda de vítima por transmissão sexual? Haha, essa é boa! :D Com todas estas "barbatanas", o filme só tinha de usar o que tinha de melhor para fazer um filmaço inesquecível.

Infelizmente, o filme joga fora muito do seu potencial com algumas falhas. A principal deve ser a dificuldade em criar no espetador identificação com as personagens. Elas não parecem normais, talvez nem "anormais" pareçam. Ironicamente, os primeiros 15-20 minutos do filme são uma representação bem respeitável do que se pode ver como "a realidade". Pelo menos, no que toca às ações dos adolescentes. Que fazem eles quando não estão a trabalhar? Nada de especial, coisas normais. Vão ao cinema de vez em quando, falam, jogam jogos simples para se aguentarem durante uma espera...e, melhor ainda, às vezes lançam ideias ao ar. Palavras. Coisas para dizer que não têm um objetivo definido senão a partilha dos seus próprios pensamentos. Isso é completa e absolutamente humano. O que é ótimo. Mas, lá está, a partir desses 15-20 minutos, a coisa muda. O filme deixa de se passar entre humanos como nós e passa a decorrer num universo paralelo em que há seres parecidos com humanos mas cujo pensamento não se assemelha ao de um humano.

O filme está generosamente recheado com momentos desses, nomeadamente depois de o monstro - chamemos-lhe It, já que a comunidade internauta assim o chama - aparecer. A partir daí, várias ações das nossas personagens passam a oscilar entre o estranho e o "Pô, tu és algum E.T. ou quê?!". E nem estou a falar de eles lidarem com o sobrenatural sem soltar uns bons palavrões ou sem se questionarem da sua própria sanidade por aquele acontecimento surreal se passar à sua frente, pois isso pode ter a ver com a sua personalidade. Não; falo de ações (ou falta delas) mais concretas. Lembro-me de alguns exemplos, como aquilo de os amigos de Jay não reagirem à saída de It da casa na praia (percebo que não saiam logo, estão assustados, mas faria algum sentido tentar falar com ela, não?) ou a ideia impensável que Greg teve de desaparecer durante a mesma cena (sem tentar dizer algo como "Peraí, pessoal, vou dar a volta." ou "Ainda estou aqui, conseguem ouvir-me?"), mas lembro-me de um que pode nem ser o pior, mas foi o que na altura mais me incomodou. Quando Jay e os amigos estão na casa abandonada, Jay vai ao armário e apanha um susto quando a amiga deita abaixo um pedaço da parede sem querer. Qual é a reação? Jay assusta-se, alivia-se e deixa escapar um "My God!" ou assim. Mas quê, a amiga nem pede desculpa?! Jay está em perigo de vida, num estado de nervos terrível e a amiga prega-lhe um susto sem sequer ter a decência de dizer "Ai, desculpa!", "Oh, sh*t!" ou até mesmo "Foi sem querer!"? Para quê aquele silêncio todo? Faz só cara de "Ih, foi mal!" e mais nada? Afinal elas são amigas ou não? Eu compreendo que os adolescentes não veem as amizades da mesma forma que os adultos, mas se bem me lembro, isso não chega ao ponto de ignorar assim os sentimentos dos seus amigos. Jay podia ter morrido de enfarte se fosse uns anos mais velha ao apanhar aquele susto! E a amiga nem tchum? Mas que cena absurda! Isto não é um humano, é um marciano ou um ewok!

E são cenas como estas que destroem qualquer identificação que possa ter sido construída até aí; pode chegar mesmo a eliminar a empatia, o que é ainda mais grave. E esse é um dos problemas. Outro poderia ser a síndrome de Sundance. Sim, essa velha anomalia muito reconhecida pelos médicos de filmes e que, na ideia de alguns, não é nenhuma doença ou, se é, é uma daquelas que vale a pena ter (como alguns africanos preferiam ter anemia falciforme porque essa doença prevenia uma doença muito pior). Enfim, a síndrome de Sundance tem aquele sintoma notório que é: o filme está cheio de cenas que funcionam quase como um teste à paciência do espetador. Falo dos momentos de silêncio e de espera em que não acontece nada. Não me refiro à cena da porta do hospital, que essa é muito boa. Refiro-me a todos os momentos em que o pessoal fica minutos em expectativa, sem dizer nada, sem refletir alto. Para quem começou o filme como um adolescente que reflete em voz alta, agora estão muito calados...eu sei que a vida real está cheia de momentos mortos (que, felizmente, não são necessariamente maus), mas num filme a história é outra. A questão é que, se o filme fosse mais agradável e digerível, esses "vazios" podiam ter o seu charme. Quando o filme não está a agradar, os vazios não são senão uma chateação que dá vontade de fazer fast-forward! Quer dizer, os primeiros 3 ainda vá que não vá, mas quando chegamos ao quinto ou sexto...uf, haja paciência!

Agora, tudo isto não quer dizer que o filme de David Robert Mitchell não esteja também misturado com "redeeming qualities". Não há dúvida que tem boas cenas de terror, como a tal da porta do hospital ou qualquer uma que envolva olhar para uma entrada vazia com medo de It. E a direção é muito interessante, a forma como as coisas nos são mostradas é diferente é algo cativante. A alternância entre silêncio e trilha sonora também funciona bem, além de a própria trilha estar bem conseguida. Mas é aquela coisa: se alguns momentos são bem (in)tensos, são geralmente seguidos por "vazios". Cenas que aborrecem e/ou não prendem a atenção. Em que quase não vale a pena olhar para o ecrã, basta ouvir os diálogos para não perder o fio da história. Para 5 minutos de qualidade, 10 ou 15 minutos de tédio. Que poderiam ter interesse com 1 ou 2 truques ou simplesmente através da identificação com os zombies, perdão, personagens principais do filme.

Por tudo isto, é lamentável que Corrente do Mal não tenha ido mais longe com o material que tinha. Lamento por esse peixe; pode vir a ser lembrado pelos membros do cardume que acharam muito bem a ideia de um peixe querer dar uma de macaco, mas no que a mim toca só deixou um exemplo a não seguir e originou um comentário, num site de cinema, onde cito tanto Albert Einstein como Anselmo Ralph. Tenho pena de ti, peixinho; talvez fosse preferível teres desejado ser como a Dory de Procurando Nemo e fazer uso dessas barbatanas.

Just keep swimming, just keep swimming...

Por Paulo Faria Esteves, em 09/01/2016 Avaliação:         4.5
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Por Lucas Aragão, em 14/04/2018 | 13:32:36 h
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(It Follows, 2014)
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