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Corrida Sem Fim

(Two-Lane Blacktop, 1971)
Por Conde Fouá Anderaos Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

“ Dois jovens taciturnos atravessam o sudoeste americano a bordo de um Chevy 55 cinza. Uma garota que vive sem rumo se junta a eles em sua viagem, até que no caminho deles surge um possante GTO 70 amarelo conduzido por um quarentão. Eles lhe propõe uma aposta, o primeiro que entre eles atingir Washington ganha o veículo do outro...”

Revi por estes dias essa obra de Monte Hellman. Já a tinha assistido em um passado tão remoto para mim, que não me ficara quase que nenhuma lembrança, tampouco entendimento sobre o que vira. É tempo de acertar as contas com a obra e também de perceber que o amadurecer nos traz, às vezes, uma maior compreensão.

A história é de uma simplicidade impar, mas seu diretor consegue durante a projeção fazer um retrato de uma época e efetua uma crítica sem precedentes ao país em que vivia. Os fins dos anos 60 foram uma época de contestação no mundo todo e em especial dentro dos EUA. Monte Hellman abandona logo aquilo que seria o alicerce de sua história: a aposta entre os competidores, a própria disputa em si. O que existe aqui é uma desconstrução da narrativa clássica. Não se trata apenas de se colocar em uma posição contrária ao que vigorava na época, nem de se fazer surgir a chama da revolta contra o status quo. O diretor opta por uma desdramatização. Os personagens que nos surgem na tela nada reinvidicam. Contentam-se com seus bólidos em devorar distâncias e o tempo num road movie existencialista. Notemos que o filme não nos traz nenhum nome próprio. Os personagens são conhecidos e descritos nos créditos como Condutor, GTO, Mecânico, Garota, etc. A trajetória dos quatro personagens principais é destituída de qualquer sentido de função, objetivo.
A garota que surge do nada e que muda de habitáculo a seu bel prazer, não se prendendo a nada, nem a ninguém. Notem que ela deixa parte de sua casa (uma das duas mochilas que carregava) quando sobe a garupa de um jovem e abandona a troupe. Somente em um momento é definido o modo de pensar dessa garota. Quando o condutor em um determinado momento fala do modo de vida das formigas que vivem em um estado embrionário até que eclodem para se reproduzir. Ela fala de modo lacônico que a vida é mais do que isso. Estaríamos presos a idéia que o objetivo da existência se resume a uma reprodução sem outro objetivo que não a sobrevivência da espécie?

Os diálogos entre motorista e mecânico se restringem apenas aqueles destinados a falar dos carros e de sua mecânica. Tudo exterior, a solidão é que impera. Não se estabelece comunicação entre seus interiores. Parecem de certa forma autistas, por não conseguirem se expressar.

Já o quarentão GTO é um mitômano. Nada que sai de sua boca é confiável. Ele reinventa sua vida de acordo com os ouvintes que se sentam como carona. Quando os rivais se postam no mesmo carro e GTO começa a disparar suas “verdades” ouvimos um seco “não me interessa” disparado pelo Motorista. Não existe relacionamento entre os personagens. Mesmo a única cena de sexo, parece reforçar a idéia de que o medo do envolvimento é grande. O condutor aguarda do lado de fora, o que reforça a solidão que envolve esse personagem e os demais.

O que me fascina mais que tudo o já dito é essa visão de um road movie, sem sexo, drogas ou violência, em uma época onde os choques de idéias se fizeram presente em manifestações por vezes violentas. Hellman talvez soubesse que as drogas foram aceitas pelo sistema para obrigar os soldados a minimizarem quaisquer resquícios morais ou de cunho religioso que os impedisse de se tornar máquinas de matar (vivíamos a Guerra do Vietnã). E a não violência pregada na obra, era uma alfinetada contestatória ao que ocorria na época. Também a idéia deles caminharem do Oeste para o leste não é gratuita. De certa forma serve para reforçar a idéia de desconstrução histórica (a colonização deu-se no caminho inverso). Os personagens que surgem na estrada ou que pegam carona com GTO, servem para nos enquadrar na época que a obra surgiu. O hippie que pede para descer quando GTO quer impor seu ponto de vista (real ou imaginário), o homem que o ouve enfadado, quase dormindo (alheio ao que ocorre a sua volta) ou a velha e sua neta que ficou órfã de pai e mãe devido a um motorista imprudente (crítica velada aos excessos daquela época) demonstram que a obra é imparcial, o que a faz até o dia de hoje atual e impactante.

A tomada final onde os sons exteriores começam a sumir, bem como os movimentos que se tornam mais lentos, até que o fogo passe a consumir a película, demonstra muito do que vai em meu estado de alma ao lembrar a obra. A chama lançada pelo filme ainda não se arrefeceu...

Por Conde Fouá Anderaos, em 06/01/2011 Avaliação:                   9.0
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 Corrida Sem Fim
(Two-Lane Blacktop, 1971)
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