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Crepúsculo dos Deuses

(Sunset Boulevard, 1950)
Por André Oliveira de Araujo Ferreira Avaliação:                   9.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

“Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta” (Cazuza)

Esse trecho da famosa canção do antigo líder da banda Barão Vermelho pode ilustrar bem o grande clássico do cinema “Crepúsculo dos Deuses”, especialmente da relação entre os seus dois protagonistas.

O ostracismo, ponto de partida dessa película, não é algo fácil de lidar, especialmente quando o sujeito já foi destaque naquilo que fazia e hoje vê outros fazerem essa mesma coisa, só que de modo diverso ao que se aplicava, e acabam recebendo o mesmo crédito que, na visão do sujeito ultrapassado, deveria ser dele. Dizem que Simón Bolívar, quando velho, ao ver os rumos que os novos protagonistas da causa que defendeu (independência da América Espanhola) estavam rumando, se tornou tão desgostoso que se arrependeu de ter se engajado nessa luta. Para ele, a causa estava ficando menor do que quando aquela era a sua luta.

O filme trata da relação entre uma antiga estrela de cinema, Norman Desmond, e um jovem roteirista, Joe Gillis. A relação começa quando Joe se vê obrigado a ter de passar algumas semanas na casa de Norman, para conseguir um dinheiro para quitar suas dívidas, em troca de um roteiro que marcaria o retorno de Desmond à grande tela. Porém, com o tempo, ele acaba se vendo preso àquela casa (assim como a corrente do seu relógio na maçaneta da porta, em uma das muitas analogias visuais dessa obra), já que a velha atriz criou uma dependência emocional com ele. Como esse é um filme metalinguístico, a piscina da sua casa serve de analogia. Quando Joe Gillies chegou, ela era, segundo ele próprio, uma piscina vazia como a sua vida. Porém, à medida em que a relação entre os dois vai evoluindo, começa a chover na casa. Nesse momento, o diretor dá um close especial na piscina mo meio da chuva. E, um pouco depois, a piscina aparece já cheia e com o próprio Joe nadando nela. Ele preencheu um vazio grande na vida da antiga estrela.

O grande problema é que Norman Desmond não conseguiu se adaptar às mudanças ocorridas no mundo da sétima arte, em especial à introdução das falas. E, fazendo aqui um paralelo com a teoria darwinista da evolução, como ela não conseguiu se adaptar, o seu brilho acabou por ser “extinto” para o cinema. Entretanto, ela não aceita o fato de o cinema ter mudado. Para ela, isso foi um retrocesso para a arte da imagem em movimento. Nas suas próprias palavras, “os filmes ficaram menores”. Ela culpa o mundo por ter sido ignorada, mas não consegue aceitar o fato de não ser boa o bastante para se adaptar às mudanças, preferindo ignorar estas. E essa nostalgia doentia é alimentada pelo seu mordomo Max. Para reforçar essa cumplicidade, em um momento ela deixa sua diadema, que parece muito uma coroa, cair no chão. Nessa hora, cuidadosamente, Max a recolhe. Ela deixou cair a sua majestade, mas graças ao seu fiel mordomo, ela ainda acredita ser uma rainha do mundo do cinema. Duas cenas servem de analogia para a sua incapacidade em compreender as mudanças na arte. Em uma, ela está sentada em uma cadeira dentro de um estúdio quando um microfone pousa sobre sua cabeça. Ela olha para o instrumento com um olhar de profundo desprezo. Em outra, tocando novamente ao fato do cinema falado lhe ter ignorado, ela fala com uma mulher pelo telefone, e esta diz que ela tem uma voz esquisita, não reconhecendo-a.

Aqui vale citar um fato curioso. Para passar o tempo, ela joga carteado com alguns amigos dos tempos do cinema mudo que, segundo Gillis, são verdadeiros bonecos de um museu de cera, presos ao passado. Entre eles está o grande nome do cinema mudo Buster Keaton, um ator que passou por vários problemas ao justamente não se adaptar ao cinema falado, caindo em depressão e se rendendo ao alcoolismo. Mas, curiosamente, ela em um momento se fantasia de Charles Chaplin, um dos grandes nomes do cinema mudo que se adaptou perfeitamente ao cinema falado!

O título nacional desse filme consegue ser ainda melhor que o original. Pois o crepúsculo é o momento do dia em que o Sol, a nossa grande estrela, lança os seus últimos raios de luz sobre a Terra e se põe. Esse filme mostra o crepúsculo na grande estrela Norman Desmond quando ela, na sua última aparição no filme, erradia uma luz que parece ser própria.

“Prometo que nunca mais vou abandoná-los”. Foi o cinema, juntamente com o tempo, esse implacável, que te abandonaram, Srta. Desmond. “Essa é a minha vida. Não há mais nada”. Pobre Norman...a vida, no final das contas, como Gillis mesmo disso, teve pena dela. “Só nós e as câmeras e essas pessoas maravilhosas por aí na escuridão”. Infelizmente, a sua luz não vai mais tirá-las de lá. O seu brilho acabou. Chegou o seu crepúsculo.

Por André Oliveira de Araujo Ferreira, em 10/01/2017 Avaliação:                   9.5
Notas - Equipe
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• Daniel Dalpizzolo 9.5
• Rodrigo Cunha 10.0
• Régis Trigo 10.0
• Silvio Pilau 10.0
• Vlademir Lazo 9.5
• Heitor Romero 10.0
• Marcelo Leme 10.0
• Bernardo D.I. Brum 10.0
• Rafael W. Oliveira 10.0
• Léo Félix 8.5
• Francisco Bandeira 10.0
•  Média (Top Editores #1) 9.7
Notas - Usuários
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 Crepúsculo dos Deuses
(Sunset Boulevard, 1950)
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