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Direções

(Posoki, 2017)
Por Mateus da Silva Frota Avaliação:                 8.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Não é a primeira vez que venho escrever sobre filmes do Leste da Europa, é uma região complexa e desconhecida para nós brasileiros, quando não para os próprios europeus. Aqui, não mais os romenos, ou os georgianos, mas os búlgaros. Mas não mais a Bulgária soviética, do outro lado da Cortina de Ferro, mas uma Bulgária contemporânea (não mais a do livro de Todor Zhivkov - o ex-Secretário Geral do PCB), mas uma outra, pós-2000, na década da tecnologia e do desenvolvimento estabelecido do capitalismo. A época de Ruman Radev, um candidato “independente” dentro da própria política búlgara, um retorno e permanecimento da linha dura dos presidentes em uma mascarada democracia.

Aqui, teremos alguém dissecando todas essas questões, e muitas outras, através de um microcosmo de relações conflituantes em uma sociedade que se auto-consome até não sobrar nenhum valor, nenhuma solidariedade. A corrupção e a desilusão não são fenômenos apenas no Brasil, mas atingem grande parte do mundo hoje, principalmente os que possuem uma desigualdade mais evidente. De certa forma, este é um assunto de praxe no cinema búlgaro, e podemos entender o por quê.

E é Stephan Komandarev, renomeado cineasta do país, quem traz este profundo Direções (Posoki Directions, 2017), uma espécie de Taxi Driver desta nação, onde passamos por diferentes pessoas, diferentes vidas que se convergem em uma espiral de desilusões, destruição, terror psicológico e horror urbano. Mas por quê? Qual a intenção de Komandarev? Uma resposta que só poderemos encontrar na história deste país, do seu contexto político e também de sua excelente filmografia (ele filma pouco, é verdade, mas quando faz, o faz perfeitamente). Komandarev é o responsável por filmes como: O Julgamento (Sadilishteto, 2014) sobre imigração; O Mundo É Grande E A Salvação Espreita (Svetat e golyam i spasenie debne otvsyakade, 2008) sobre o jogo de gamão e a vida em um aspecto geral e o curioso documentário The Town of Badante Women (2010), que fala sobre uma cidade onde às mulheres não existem. Mas como todo bom cineasta, se vai à frente, e em Direções, tudo é superior, são mais enredos, são mais situações e até os movimentos de câmera se tornaram em algo à parte. Com uma tendência dos últimos anos do cinema em colocar cenas com poucos cortes, para aumentar o realismo, a tensão e também mostrar a sua técnica apurada.

Se o cineasta possui uma perspectiva positiva sobre o futuro de sua nação e do seu continente, eu não sei, mas em Direções, a direção que toma, é absolutamente negativa. Ele sabe que trata de uma perspectiva nacional o que não é uma perspectiva nacional. Não importa o embate de ideologias, se é público ou privado, se é bom ou mal. Para Komandarev, tudo parece ter dado errado, tudo parece não ter chegado em direção nenhuma (diferente dos táxis no filme) que não fosse o desespero e a solidão. É uma Sofia (capital da Bulgária), fria, desalentadora, desacreditante. Às ruas são mal iluminadas, a sujeira prospera em todos os cantos, tudo é horrível. A condição do primeiro personagem, que tem um final trágico por causa de uma dívida que acumulara, é uma das mais desesperadoras, principalmente quando uma adolescente coloca na sua cabeça que a sua filha, então mais nova, será uma prostituta como ela para não precisar dirigir táxis, tal qual ele. O dinheiro parece ter transformado todos em monstros nessa fria capital esquecida, e justo lá, a Bulgária é um dos países do mundo onde a sua população mais diminui, mas isso não melhora nada, pior, só deixa o país com um ar de esquecimento, como uma periferia do capitalismo europeu a qual o país parece estar sempre destinado a pertencer.

Como de costume, em seus filmes o diretor adora utilizar-se de simbologias, algo muito comum ao cinema europeu mais requintado. Na minha opinião, as duas últimas são as mais importantes: um senhor, também um motorista de táxi, tenta dialogar com um grupo de jovens que o seu filho acabara de morrer, estes não dão atenção e ele prefere ir ter um contato com um cachorro abandonado na rua; a segunda e última do filme, um tipo de "padre táxi" leva um homem ao que pode ser o seu último dia e o filme termina com uma estrada abarrotada de neve. Isso indicaria que é uma sociedade não correndo risco de vida, simplesmente, mas em processo de morte mesmo? Uma ideia de continente integrado que afundou? Pode ser, pode não ser. A única certeza que possuo é que um filme só pode ser uma obra completa e realmente contundente quando precisa ser revisada e revisada, é o caso desta obra, é o caso de Direções.

Seja na Espanha, onde ganhou o título de "Destinos" ou seja em Portugal, onde ganhou o título de "Táxi Sófia", é um nome dado que faz refletir bastante. Algo que respeito muito é quando a sétima arte consegue fazer, principalmente sobre temas contemporâneos e em lugares distantes, que são próximos a nós, em temas universais. Seriam todas as direções, de taxistas masculinos e femininos, diferentes, afinal? Seus passageiros procuraram o que queriam encontrar? É conflituoso e não tem o papel messiânico de nos dar uma resposta pronta, ainda bem.

Komandarev filma situações, não faz um manual didático de como se portar em todos os problemas que também vivenciamos aqui no Brasil. Até quando parece dizer que contra o discurso de ódio só se responde com ódio, ou que ao violentador se violenta, ele parece nos mandar uma mensagem de que a sede de vingança nos contamina, mas não alivia-nos. Estou em retratando da cena em que uma taxista dá carona ao homem com um discurso político reacionário e potente (avesso às bandeiras das Nações Unidas, repúdio aos pobres, negociante e anticomunista), este era na verdade um ex-membro do Comitê do Partido Comunista que tentou assediá-la quando esta era uma estudante, praticamente sepultando a sua vida. Contradições que mais implodem uma nação do que a desenvolvem, por mais que possa parecer o contrário.

Em súmula, é uma produção de baixo orçamento (em um país que não consegue fazer mais do que 13 longas por ano) que se tornou brilhante, um olhar delicado sobre como leis que não funcionam para todos, desigualdade social, a falta de oportunidades e de valores levam a uma semi-barbárie. Situações semelhantes a do Brasil atual, não é mesmo? Para não colocar em ênfase a fala do professor de Filosofia, pós-graduado no exterior, que tenta se atirar de uma ponte ao descaso com a sua profissão chegar a um limite intolerável por ele. Quando essa situação toda de crise no mundo passar - e aqui, especificamente, na Europa -, talvez este seja um grande exemplar histórico.. Isto é, se pudermos um dia olhar para atrás, tendo tomado uma outra direção.

Por Mateus da Silva Frota, em 20/08/2018 Avaliação:                 8.0
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