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Disque M para Matar
(Dial M for Murder, 1954)
Por Paulo Faria Esteves Avaliação:                 8.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

O filme de Alfred Hitchcock que eu mais esperei para ver não é a experiência de vida única que eu estava à espera. No entanto, é um filme excelente.

Já sabia mais ou menos o que iria acontecer na parte inicial do filme, graças à sinopse, e já tinha conhecimento que o filme contém uma das cenas mais famosas de todos os filmes do mestre (admitindo que a cena do chuveiro em Psicose é a mais famosa), em parte porque tive a infelicidade de ver um bocado dessa cena por acidente, um dia, enquanto procurava algo para ver na televisão. Quando, mais tarde, soube que era de um filme do mestre, vi-me na obrigação de o ver. E vi-a com outros olhos, sem dúvida.

Passo a descrever-vos a experiência que foi, para mim, ver este filme:

Nos minutos iniciais, fiquei a ver cenas parecidas com as de algumas novelas. Mas isso não era problema, pois as novelas antigas são as melhores: diálogos bem construídos e personagens sérias que não falam como se o que estivessem a viver o fim do mundo, e sim como se estivessem num teatro. Fiquei, portanto, a apreciar a essência dos filmes antigos, incluindo o som, a cor…até as legendas!, enquanto a “parte que interessa” do filme não chegava. Tudo delicioso de se ver.

Ouvi dizer que a conversa entre Tony e Swann era muito longa. Pessoalmente, não achei. Aliás, vários filmes do mestre têm conversas deste género, e até gosto delas. E, pelo meio, lá tinha de aparecer o mestre, na fotografia da faculdade. Foi uma grande ideia. Mas voltando, achei a conversa bem ritmada, a explicar todos os pequenos pormenores de um crime muito inteligente. Para não falar no ambiente, que estava com pouca luz sem ser deprimente, talvez para nos dar a ideia de que se vai passar algo sinistro.

E depois, a cena por que tanto esperei. Magnífica. Uns quantos segundos parecem horas numa cena de muita adrenalina. Só me apeteceu apertar a mão ao mestre. Amei.

Depois disto, já não fazia ideia do que ia acontecer no filme. Sabia que Tony se ia aproveitar da situação, mas não sabia como. Quando o inspector veio, vi uma cena de investigação criminal à antiga. Uma cena boa, com diálogos de se lhe tirar o chapéu (vejam só a cena em que Margot explica porque atendeu o telefone de costas para a cortina), mas, na minha opinião, sem a mesma força das cenas anteriores. E foi pena terem abandonado o tal ambiente sinistro.

Esse, na minha opinião, foi o principal erro do filme: a investigação do crime tornou-se demasiado principal; o filme passou a basear-se quase apenas nela. Pensei que a investigação ia ser uma parte secundária do filme, como em vários filmes do mestre, e que o resto do filme consistiria em lamentações e conflitos entre os personagens.

Algum tempo depois, vejo uma cena assustadora e fascinante ao mesmo tempo, em que Margot olha nervosamente para a frente, a ver a justiça decidir o seu futuro, e a imagem vai ficando vermelha de vez em quando, para nos assustar ainda mais. Uma boa cena. Mas, a partir daí, deixei de ver Margot por um bom bocado. Isso foi um dos factores que, a partir daí, tornaram o filme menos bom. Outro foi o pedido de Mark a Tony, no qual Mark parecia que tinha adivinhado tudo. Por muito escritor de livros policiais que ele fosse, parecia que tinha lido o roteiro do filme!

Após esta estranha cena, acontece muita coisa: Mark encontra uma pasta cheia de dinheiro, confronta Tony e o inspector com ela, Tony, sempre esperto, inventa uma história (nessa parte, eu até torci por ele, porque não queria que o filme acabasse!), fazem uma confusão qualquer com as contas de Tony e, passado algum tempo, Tony vai-se embora e Margot volta. Aí, o inspector lá lhe conta o que ele e a polícia suspeitam. Explica porquê e como e, ao explicar como, vejo uma conclusão brilhante! Afinal, Swann fez uma coisa que só devia ter feito depois. Brilhante. Realmente, o mestre tinha jeito para crimes (quase) perfeitos e respectivas investigações. Depois de tudo isto, esperava que o filme terminasse com uma cena memorável e forte, como uma boa parte dos filmes do mestre, como Intriga Internacional.

Só mesmo o mestre para transformar uma pessoa a sair de casa e lembrar-se de uma coisa numa cena de suspense…foi uma maneira genial de “brincar” connosco. No entanto, foi muito menos excitante do que estava à espera, pelo que fiquei desiludido. Mesmo assim, foi uma boa cena, e a reacção de Tony quando foi apanhado é mesmo típica dos personagens dos filmes do mestre.

Saldo final: filme não extraordinariamente sensacional, mas excelente.

Pessoalmente, o que senti a ver Disque M para Matar foi tão bom ou melhor do que o que senti ao ver Janela Indiscreta. É um bom filme do mestre, mas para mim, em suspense, nada iguala Torrentes de Paixão.

Por Paulo Faria Esteves, em 25/03/2009 Avaliação:                 8.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 8.0
• Daniel Dalpizzolo 7.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 6.0
• Demetrius Caesar 7.5
• Silvio Pilau 9.0
• Vlademir Lazo 7.5
• Heitor Romero 9.0
• Marcelo Leme 8.5
•  Média 7.8
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(Dial M for Murder, 1954)
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