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Dogville

(Dogville, 2003)
Por Lucas do Valle Avaliação:             6.0

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Um retrato pessimista e superficial da natureza humana filmado com grande sadismo por Lars Von Trier

O texto contém spoilers, ou seja, revela detalhes sobre a trama. Se não assistiu ao filme, leia por sua conta e risco.

“Ousado” é um dos adjetivos mais comumente atribuídos a Dogville, e a característica do filme mais evidente e que melhor justifica esse adjetivo é a disposição cenográfica: um grande palco com demarcações teatrais. Essa escolha de cenário, mais do que para impressionar ou causar estranhamento, serve para universalizar Dogville. Apenas marcações no chão representam as moradias, plantações e até mesmo o cachorro, assim, se não nos fossem dadas algumas informações geográficas sobre a cidadezinha e a época em que o filme se passa, Dogville poderia ser qualquer lugar no mundo. Trier nos diz isso através de seu personagem Tom, quando Grace sugere que o local do livro que ele está escrevendo, inspirado na própria cidade, se chame Dogville e Tom responde: “Não funcionaria. Deve ser universal”. Assim entende-se que o antiamericanismo do filme é apenas fachada, uma vez que o diretor mostra não reduzir o que é apresentado apenas a cidadãos americanos em uma cidade americana, mas sim deixa claro que os acontecimentos que ocorrem ali são universais.

Mesmo sem essa escolha cenográfica, não seria difícil perceber que Dogville representa muito mais do que uma cidadezinha. A partir da aceitação de Grace, onde até então todos os personagens aparentam ser extremamente bondosos e receptivos, Lars Von Trier levanta muitos questionamentos morais, sem aprofundá-los muito, mas deixando cada vez mais evidente o retrato pessimista e superficial que o diretor tenta traçar sobre a natureza humana. Após tal bondade dos personagens dar lugar ao que o ser humano tem de pior, Grace é duramente oprimida e explorada, angustiando o espectador.

Essa angustia é despertada pela empatia que Grace desperta no público. Mas seja pela atuação caricata de Nicole Kidman, pela passividade com que a personagem aceita tudo a que é submetida, pelo ritmo que pode afastar alguns após três horas de filme, ou pelo sadismo com que Trier filma tudo isso; por algum desses motivos (ou por todos eles), ao longo do filme, fica cada vez mais difícil empatizar com os acontecimentos cada mais vez mais cruéis que acontecem a Grace. Assim, no final, quando há uma inversão de poderes e a personagem tem a oportunidade de punir os moradores de Dogville, o espectador já se distanciou e não consegue compartilhar do mesmo sentimento de liberdade que a protagonista sente ao se vingar, o que deveria ser o grande clímax do filme.

Essa inversão de poderes não veio de graça, é claro. Tudo aconteceu após a chegada do pai de Grace, que representa algo muito maior do que um poderoso gângster. O diálogo no carro entre pai e filha deixa claro que a protagonista representa Jesus, e seu pai, representando Deus, diz que Grace (Jesus) é arrogante, pois considera ter uma moral elevada em comparação a dos moradores de Dogville (humanidade), assim não usa os mesmos padrões para julgá-los, logo não considera necessário repreendê-los por seus atos. Eis então que Grace recebe uma luz e ouve seu pai, punindo a todos em Dogville, que, como Sodoma e Gomorra, arde em chamas por seus pecados, deixando apenas um sobrevivente, o cão, que não por acaso e completando as analogias bíblicas, tem nome de Moisés.

Acaba o filme, e se não fica a sensação de ter visto uma boa obra, fica ao menos a de estar diante de um filme diferente. Um misto de escolhas audaciosas, que ora funcionam, como a disposição cenográfica – de fato é difícil imaginar Dogville funcionando melhor com cenários e locações convencionais –, ora não. Pois mesmo após os personagens saírem de cena, o diretor consegue fazer uma péssima escolha: os créditos finais. Trier falha ao tentar, “artisticamente”, projetar Dogville para o mundo real através de fotografias de época que mostram cidadãos americanos em situações de pobreza, ao som de David Bowie, enquanto correm os créditos. Não soa bem e o filme poderia muito bem acabar sem essa.

Por Lucas do Valle, em 06/01/2014 Avaliação:             6.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 10.0
• Daniel Dalpizzolo 5.0
• Rodrigo Cunha 9.0
• Josiane Ka 10.0
• Régis Trigo 6.0
• Silvio Pilau 9.0
• Heitor Romero 7.5
• Marcelo Leme 9.0
• Rafael W. Oliveira 10.0
• Victor Ramos 8.0
• Léo Félix 9.0
• Francisco Bandeira 9.0
•  Média 8.5
Notas - Usuários
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 Dogville
(Dogville, 2003)
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