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Fugindo da Morte

(Ofelas, 1987)
Por Mateus da Silva Frota Avaliação:                 8.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Totalmente diferente do que os olhos ocidentais estão acostumados, Ofelas (1987), ou na péssima tradução das distribuidoras brasileiras com Fugindo da Morte, é um filme norueguês lançado como uma produção peculiar que acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Baseado em uma lenda medieval da Noruega, o filme foca na vida, nos costumes e nas tradições de aldeias há cerca de 1000 anos do nosso tempo. Essa ordem é quebrada quando guerreiros, caçadores de gente, chamados 'chudes' matam uma família e perseguem o seu único sobrevivente, o desbravador Aigin (Mikkel Gaug). Os chudes foram um conjunto de populações que realmente existiram nas atuais regiões da Estônia e do norte da Rússia, em Ofelas eles são representados como homens bem organizados e de poucas palavras, com tonalidades escuras e armas macabras, atenuando a situação de perigo para aquelas frágeis tribos que não caçam nada mais do que coelhos e se possível, algum urso que entrar pelo caminho.

Na língua noruguesa o filme ficou como "Veiviseren", que em uma tradução mais precária feita por mim pode ficar como Feitiçeiro. Mostrando assim, de forma mais clara, todo o xamanismo envolvido na reprodução daqueles povos, que não só tentam ao máximo respeitar a natureza, mas como vem nela um órgão vivo, sobrenatural e cheio de metáforas - como a rena mística envolta por uma aurora boreal. Por isso, muitas vezes algumas superstições que podem parecer estranhas mesmo para os atuais habitantes da Noruega estão presentes e o próprio crédito de abertura mostra uma pintura regional que se fechará com o último frame, onde todos sentam em volta de uma lareira para celebrar o nascimento de um novo guerreiro na aldeia.

Bastante semelhante visualmente a badalada produção norte-americana The Revenant (O Regresso, 2015) com Leonardo DiCaprio (ou deveria dizer o contrário?), aqui a neve também é um personagem à parte na mise-en-scène. Sua aparição simboliza perigo, diversão e até mesmo proteção, mas absolutamente nunca aparenta ser algo estranho aqueles povos, como se ela fosse um próprio membro do corpo deles: está nos pés, grudada na barba dos homens e no cabelo das mulheres, está nas mãos e está no sangue que acabou de escorrer e manchá-la de vermelho, naquela imensidão branca. Assim como os chudes, que por possuírem roupagens escuras, parecem sempre estrangeiros naquela imensidão branca, contrariando as cores bejes e brancas dos outros povos escandinavos ali presentes. Aliás, a própria origem do termo "chude", possivelmente vem do eslavo e significa forasteiro - um forasteiro barulhento, digamos.

Fotografado com um esmero que ainda hoje surpreende, ao longo da evolução da cinematografia nesses 30 anos, o céu alaranjado/rosa faz sempre um contraste de encher os olhos com o chão branquicento e com árvores secas do rigoroso inverno. Com closes bem definidos nas expressões dos atores e planos abertos para indicar a passagem do tempo e/ou para iniciar outra narrativa, que é onde a fotografia realmente apresenta a beleza da região. Ofelas não dá fôlego de expandir sua imagem nem quando homens da aldeia têm uma luta tensa com um urso habitante dos arredores (e a tensão da cena aumenta ao saber que o urso é de verdade e realmente entra em contato com seres humanos). Outra questão interessante é o uso do branco/cinza do que acontece durante o longa e o vermelho/amarelo que acontece dentro das casinhas de madeira, cobertas com peles de animais, fazendo assim uma distinção entre a insanidade da região e o calor aconchegante interno das casas, onde todos sempre aparecem em segurança. Pois quando os inimigos chudes se acercam, eles aparentam não ter escrúpulos para matar, mas não entram em nenhuma das casas, ou ao menos isso não é mostrado.

Os lapões, indígenas do Norte da Suécia e da Noruega, apresentados no filme, logo teriam um inimigo ainda maior e mais letal para a sua frágil existência: os estados cristãos que começariam a adentrar Escandinávia e tornariam a Noruega em um reino unificado, colocando a marginalidade pagã desses povos tão importantes para a cultura e sobrevivência da região como um todo. Por isso vale a conferida neste belíssimo momento que muitas vezes apenas o cinema pode mostrar e cravar nas pedras do tempo humano. Ofelas é um filme sensível, abordando amor e vingança e merece muito ser reconhecido.

Por Mateus da Silva Frota, em 15/02/2017 Avaliação:                 8.0
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