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Futuro Brilhante

(Akarui mirai, 2003)
Por André Vidazinha Avaliação:                 8.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Diferentemente de grande parte de sua filmografia, ''Futuro Brilhante'' trata de uma ampla diversidade de aspectos sociais utilizando uma linguagem mais coletiva do que a que Kurosawa normalmente usa. É um ponto de vista mais tocante, sensível, e até mesmo humano em comparação com a frieza constante de outras obras do diretor. E essa sua nova aposta é muito bem-vinda, pois ele consegue conduzir com maestria um drama de difícil concepção; que, na verdade, poderia ter sido comandado por qualquer outro cineasta, mas improvavelmente teria os seus traços narrativos únicos, que acabam se tornando características fundamentais aqui.

Dadas as circunstâncias do desenvolvimento do enredo, é impossível definir uma sinopse totalmente sensata para ''Futuro Brilhante''. Até por que a obra é rodeada por toques de surrealismo; ou definições que, à primeira vista podem soarem absurdas, mas em uma análise feita com cautela, demonstram-se incrivelmente lúcidas. Uma delas é o fato do ataque repentino de um dos personagens à seu chefe de trabalho; uma ação que parece absolutamente desnecessária. No entanto, este seria um possível grito de igualdade vindo do operário subordinado que quer ter os mesmos direitos de poder que seu chefe tem. É uma ótica absolutamente radical mas que, de certa forma, aumenta a intensidade do argumento que Kurosawa quis passar.

Outro modo interessante de pensar, é a filosofia do ''esperar'' ou ''ir em frente''. A trama nos apresenta um dos protagonistas como um jovem deslocado socialmente; que costuma assistir às ações alheias e está sempre à espera que chegue um momento propício para ir em frente. O problema, é que o jovem acaba por ficar estagnado no mesmo ponto e não sai dali; fazendo com que suas intenções permaneçam apenas como ideias soltas permeando em sua cabeça. Diferente de seu amigo; que parte pra cima sem hesitar, e age sem medo das consequências de seus atos. A atual juventude japonesa estaria sendo representada pelo ''esperar''; ou seja, Kurosawa tenta dar um ânimo aos jovens, para que estes lutem por seus direitos, ao invés de abaixarem a cabeça e aceitarem um estilo de vida modesto.

Não deixa de ser uma visão anti-capitalista; que luta pela igualdade de poder aquisitivo e hierárquico entre os cidadãos. E o filme usa de diversos artifícios metafóricos para nos dizer também que a atual juventude pode mudar o mundo. Basta ''ir em frente''. Como no caso das águas-vivas que, naturalmente, só podem sobreviver nos mares, devido à necessidade de estarem em um ambiente com uma quantidade determinada de salinidade para sua sobrevivência. Viverem em águas doces no meio da cidade de Tóquio parece algo absurdo; mas adicionando sal ali nos rios, ou seja, adaptando este meio ao habitat natural das águas-vivas pode fazer com que esta espécie consiga viver em locais diferentes dos quais foi projetada para estar. Fazer tal mudança é algo que precisa de determinação e objetividade; agir; justamente qualidades que deveriam estar presentes na cabeça dos jovens para que estes consigam trilhar seus caminhos rumo ao sucesso.

O rompimento ou falta de contato entre os familiares pode ser outra causa de grande parte dos problemas relacionados ao futuro da juventude. Pois tudo inicia na criação; uma criança, ou até mesmo um jovem adulto como é o caso aqui, necessita do suporte moral que apenas os pais podem proporcionar à seus filhos. Kurosawa retrata uma possível inexistência das figuras familiares; o que acaba causando severos desvios de conduta e deixando os jovens sem saberem as decisões que devem tomar. Os raros encontros entre os entes queridos, também demonstram que os filhos às vezes possuem uma visão corrompida do mundo. É como se os pais fossem apenas fonte de dinheiro; ajudando-os à sobreviverem ao capitalismo selvagem.

O clímax pode ser resumido em uma palavra: esperança. É um otimismo vindo da geração anterior que floresce ao ver um grande feito realizado pela atual; tanto, que os velhos decidem apadrinhar essa nova ideia, na tentativa de instruírem o povo novo aos melhores caminhos. De certa forma, um arrependimento do que foi mal criado, agora tendo uma segunda chance para se redimir. Recheado de simbolismos, Kurosawa surpreendentemente consegue entregar um drama denso; que atinge de todas as formas a juventude contemporânea. Sempre demonstrando uma visão deveras receosa em relação ao futuro da nação japonesa; mas nunca deixando cair a última gota de boas expectativas.

Por André Vidazinha, em 26/02/2015 Avaliação:                 8.5
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Por Lucas Souza, em 30/03/2015 | 08:32:58 h
Nossa, nem sabia da existência desse kkkkkk... Mas seu texto deu uma vontade d ver!
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