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G.I. Joe: Retaliação

(G.I. Joe: Retaliation, 2013)
Por Thiago Lopez Avaliação:             6.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

G.I Joe - Retaliação (2013) - REVIEW

Após o lançamento de "G.I. Joe - A Origem de Cobra" em 2009, o futuro da franquia era incerto. Logo quando chegou aos cinemas, crítica e público se uniram em uma só voz para afirmar em uníssono: o filme era ruim. O consequente fracasso nas bilheterias americanas foi apenas um reflexo do desleixo com o qual o material foi tratado, e num mercado que santifica o resultado obtido à curto prazo, o fiasco de renda provavelmente seria a pá de cal no futuro cinematográfico dos bonecos de ação da Hasbro.

Mas nem tudo estava perdido. A venda de dvds e blu-rays dentro e fora dos EUA acabou por cobrir o custo de produção do filme e, com os números no azul de novo, era hora dos executivos da Paramount darem a luz verde para uma sequência. Afinal de contas, havia ali uma mercado em potencial não apenas no cinema, mas também em produtos licenciados como brinquedos, jogos, roupas e tudo que a lógica capitalista poderia imaginar. Uma verdadeira mina de ouro esperando para ser explorada, mas ao mesmo tempo uma mina cuja exploração ja havia dado provas que não seria tão fácil. Mudanças radicais eram necessárias para apagar da mente das pessoas a péssima impressão deixada pelo filme anterior. Eis que do aprendizado com os erros (e da coragem da Paramount) nasce "G.I. Joe - Retaliação" (2013).

Lançado mundialmente como parte da habitual leva de blockbusters do verão americano, o filme acompanha novamente o capitão Duke Howser (Channing Tatum), o novo joe Roadblock (Dwayne "The Rock" Johnson) e sua equipe numa missão para capturar o arsenal nuclear paquistanês antes que caia nas mãos de rebeldes que derrubaram o governo local. Tudo ocorre conforme o planejado, até que os Joes são praticamente exterminados em um ataque surpresa. Sozinhos, os sobreviventes percebem que o inimigo está em seu próprio governo, uma ameaça ainda maior que põe em risco não apenas sua existência como a de toda a raça humana.

Embora a sinopse não aponte nenhuma grande diferença na franquia, a primeira mudança que fica evidente logo nos pôsteres de divulgação do filme é o elenco. Quase totalmente reformulado, o time de atores agora conta com Bruce Willis no papel do General Joe, que junto com The Rock forma a dupla que é mesmo a grande novidade nesse quesito. A opção pela escalação de atores já estabelecidos no gênero faz parte da estratégia do estúdio para formar uma identificação maior do longa com os fãs de filmes de ação, e é acertada em parte. Na pele de Roadblock, o monstruoso The Rock cumpre bem o seu papel com o carisma necessário para fazer a linha de brutamontes com coração e se consolidar como novo protagonista. Já o caso de Willis é um pouco diferente. O veterano aparece pouco mas faz bem o feijão com arroz a que está acostumado, e essa é justamente a questão. Parece preso no papel de John McClane de "Duro de Matar", o que por si só não atrapalharia se não fosse o desgaste causado pela presença constante em filmes de ação, e interpretar um general reformado que guarda granadas em cestas de frutas certamente não contribui para melhorar o seu quadro. Dessa forma Bruce corre o risco de se tornar arroz de festa de um só gênero, algo injusto para um ator versátil capaz de atuar em papéis fora de seu "perfil" como no recente "Moonrise Kingdom" (2012).

Desgastes à parte, a chegada da dupla por si só ja melhora a situação da franquia substancialmente. No entanto, não é o suficiente. Com exceção dos ninjas Storm Shadow e Snake Eyes, o elenco de apoio é fraco e incapaz de formar uma identificação com o público, com destaque negativo para Adrianne Palicki como a soldado Lady Jaye. Sua transição de sniper badass para intelectual expert em computadores é repentina e soa forçada. Pra piorar, a tentativa de fazer dela a "gostosona" do filme é falha, pois a atriz simplesmente não se encaixa nesse perfil. O resultado é um personagem confuso que contribui ainda mais para a bagunça do roteiro.

Ah sim, o roteiro! Algo que soa até injusto de ser criticado num filme que tem como objetivo apenas divertir com seus tiroteios e explosões, mas que é necessário para dar uma coerência mínima para qualquer história. Descontando-se os habituais furos tudo corre bem até o terceiro ato do filme, quando a trama toma um rumo nonsense que combinaria com um desenho animado, mas que não se encaixa no tom de seriedade que o filme adota desde o início. É simplesmente inverossímil demais. Banhado em clichês, o roteiro também constrói monólogos desnecessários para seus personagens na tentativa de aprofundar artificialmente a história de cada um. Claro que nem todos os filmes podem (ou querem) ser um "Nascido Para Matar" (1987) de Kubrick ou mesmo um "Matrix" (1999) dos Wachowski, mas mesmo na pura diversão há que existir um roteiro que deixe a ação fluir sem chamar a atenção para sua falta de sentido.

Com todo o peso da responsabilidade nas costas está o diretor Jon Chu, que faz o que pode com o material disponível. Conhecido pelo documentário "Never Say Never" do Justin Bieber, o cineasta segue a cartilha de Michael Bay e entrega um filme de alta-octanagem que consegue distrair o público o suficiente para não perceber alguns dos problemas criados pelo roteiro. Com um orçamento de 190 milhões de dólares nas mãos, o diretor cria longas sequências de ação que embora não muito originais conseguem atingir o objetivo. No entanto, as cenas de pancadaria sofrem com uma fotografia em close que atrapalha a compreensão do que está acontecendo na tela. O ponto alto novamente fica por conta das lutas entre os ninjas, que além de responsáveis pelo núcleo mais interessante da história também são protagonistas das cenas de ação mais divertidas. As artes marciais representadas por ambos são uma brisa de ar fresco no meio de todo o tiroteio no filme e deixam um gostinho de quero mais. Algo que deu certo e deve ser mais explorado numa eventual continuação.

Diante desse quadro, é evidente que "G.I. Joe -Retaliação" é um grande progresso em relação a seu antecessor, colocando a franquia de volta nos trilhos. Mas isso não quer dizer muita coisa. Enquanto o primeiro filme era uma negação de tudo que torna o cinema interessante, este ganha uma nota apenas medíocre. A idéia de ação ininterrupta pode parecer boa para um blockbuster de verão, mas acaba por fazer o longa desabar sobre seu próprio peso. No fim das contas o filme acaba contando com a complacência do público e talvez essa seja a sua sorte: para apreciar "G.I. Joe - Retaliação" basta ter consciência do que esperar e deixar o cérebro na porta.

Por Thiago Lopez, em 02/04/2013 Avaliação:             6.0
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