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Gritos e Sussurros

(Viskningar och rop, 1972)
Por Marcel G. Rosa Avaliação:                     10.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Seria ingênuo afirmar que, após tantos anos, um clássico como Gritos e Sussurros já não tenha inúmeras boas críticas, sendo os principais pontos do filme já contemplados de forma categórica e importante. Mesmo assim, algumas reflexões. A arte detém obras geradas há muito tempo, consolidadas e ancoradas, no plano extra artístico, em infinito apontamento critico de teses conceituadas. Mas ainda há movimento inspirado pelas obras, movimento este, a princípio, não relacionado ao que já foi dito.

Gritos e Sussurros é a história de todo o tempo que uma morte iminente exprime na vida de uma família, morte esta que enlaça a vida de mulheres tão próximas quanto distantes; e, por isso, o filme não tem base fincada em algum único foco – cada mulher tem a dor de sua vida representada, sua complexidade própria vista, ao mesmo tempo, peculiarmente e também como parte de uma cadeia de relações completada pelas demais personagens; relações estas de choque, rancor e paixão -- pesadas e carregadas de passado. O passado das mulheres retoma de diversas formas, ora por meio de lembranças duras, ora através da leveza dum instante delas no campo, Chopin ao fundo.

A casa do filme é isolada e preenchida pelo barulho dos relógios e do vento; casa tão solene quanto as austeras vestimentas das irmãs; em meio a essa limpeza e aparente tranquilidade, paulatinamente, o vermelho domina o filme, seguido de dor e pesar. Esse ambiente receberá algumas visitas, rápidas e impactantes, os homens, que são como raízes antigas e permanentes na vida das mulheres, mas de presença física efêmera, causando ternura ou rudeza – ora oprimindo, ora para ser momento de abalo em meio às chagas.

Todos os elementos presentes em Gritos e Sussurros são harmonizados no ponto alto de cinema. A imagem e o som de vidas à flor da pele, do vermelho de sangue que, de fato, pulsa através das lembranças; do assombro diante não só da doença e da morte, mas diante também da vida e da fertilidade; do rancor dissimulado das relações pairando sempre – até perder os limites; a representação de tudo isso puxa, em tão pouco tempo, pontos profundos da existência humana. E assim, o que se passa em Gritos e Sussurros é o ponto alto de cinema: uma obra que, por meio da dramaticidade da expressão do rosto, da cor, dá profundidade ao aspecto humano sem precisar de muito tempo.

No filme, o espaço propiciado por Bergman não tem brecha nem para resquícios de comédia, presentes em filmes de laços também sensíveis ou trágicos – Morangos Silvestres e A Fonte da Donzela, respectivamente. É conhecido o bom resultado vindo da harmonia existente entre o trágico e o cômico, porém Gritos e Sussurros exclui qualquer possibilidade de leveza no sentido de humor. Por outro lado, o laço tratado pelo diretor não exclui a existência de amor e carinho em meio às rudezas e frialdades. De maneira alguma exclui, e é na empregada que vemos o caso desse amor, não baseado, biologicamente, no sangue familiar; que se mantém de pé mesmo depois da morte e da ingratidão -- amor inabalável.

Gritos e Sussurros pode ser tão profundo quanto um livro de Tolstói. Em A morte de Ivan Ilitch, vê-se uma doença ligada à representação em um foco único, que também se vale do passado – além de um empregado ganhar certa importância. O cinema de Gritos e Sussurros tem como eixo a morte, mas alterna o foco em relação aos componentes (pessoas) da cadeia de relação, disposta de um jeito em virtude da doença; vidas que, entre si, se revezam na perspectiva central, num laço de distância, entrave e submissão ligado ao passado, que renasce através de ímpetos violentos

Gritos e Sussurros não precisou adentrar nos pormenores da vida cotidiana -- uma expressão carrega pesar grande de desespero, que nos demonstra profundidade. Assim, pela expressão profunda do padre, em cena não muito longa, sentimos a vida pulsar em toda intensidade. E toda a lembrança vivida pelo padre, de sua lágrima, se exprime de forma intensa.

Por Marcel G. Rosa, em 05/11/2017 Avaliação:                     10.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 8.0
• Régis Trigo 8.0
• Vlademir Lazo 8.0
• Heitor Romero 9.0
• Francisco Bandeira 9.0
•  Média 8.2
Notas - Usuários
8.4/10 (358 votos)
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