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Ilha do Medo

(Shutter Island, 2010)
Por Sidnei Rodrigues Noronha Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

A obra de Scorsese é um mergulho na densidade da psique humana com contornos psicológicos intrincados e pulsões do inconsciente.
A Ilha do Medo é um filme que se utiliza de inúmeros elementos que devem ser analisados de uma maneira mais detalhada evitando assim a vaticinar um apressado diagnóstico de filme previsível com nuances de suspense, drama e terror.
Preliminarmente se percebe na construção fílmica aspectos técnicos primorosos, referências históricas, algumas noções da área de psiquiatria e uma atenção para captar uma importante menção literária.
Observa-se no caráter técnico uma fotografia que trabalha com a oscilação de claro e escuro, os ambientes são pesados tantos os abertos quanto fechados, pois, os fechados são sufocantes e quase sempre turvos e os abertos são precipícios rochosos e ambos sempre transmitem uma incomoda sensação de impossibilidade de fuga. Ainda no campo técnico a trilha sonora é soberba mesmo que sofra de uma evidente influência do mestre Hitchcock, pois mesmo não sendo genuína é extremamente válida porque acentua a carga de dramaticidade psicológica do filme. Já a performance de DiCaprio é esplendorosa e o ator confirma cabalmente seu imenso talento e potencial em cena dando ênfase a um personagem inquieto, irritado atormentado por lembranças e no decorrer do filme adensa sua figura dramática com expressões e olhares perturbadores que exalam pensamentos e ações agitadas e alucinadas.
A película traz em si conceitos históricos como o totalitarismo citando o nazismo e os campos de concentração, e o sistema Gulag na Rússia e até mesmo o maquiado totalitarismo americano do McCarthysmo.
Nota-se que a discussão entre os personagens estão sempre questionando um período pós guerra de um assombroso avanço cientifico e biológico que colocam em xeque o conceito de racionalidade e humanidade.
A trama que Scorsese constrói não é simplória nem tão pouco chega a um final patético porque o diretor exerce com maestria a forma de conduzir a história envolvendo o espectador num labirinto insondável que permeia ações psiquiátricas envolvendo o tratamento da loucura abrangendo métodos, experiências, remédios envolvendo eletro-choque, confinamento, experimentos, torturas psicológicas, correntes e drogas experimentais etc.
Faz-se importante destacar que de tais atitudes e aplicações psiquiátricas mencionadas, algumas são citadas, outras sugeridas e ainda outras aplicadas, entretanto, são elucidações salutares que constituem a trajetória do conceito de loucura e seu tratamento através do tempo porque a normalidade no filme é um termo colocado como questionável.
Apreende-se sistematicamente nos diálogos dos personagens a preocupação em colocar em discussão a violência como uma característica humana deflagrando mais uma vez a polêmica sobre o conceito de normalidade.
Há um determinado trecho do filme em que se faz uma menção ao escritor Franz Kafka e essa nota é de suma importância, pois, o universo kafkiniano em que quase sempre seus personagens são delineados por conflitos existenciais sem saber que direção seguir e temas como alienação, perseguição e vigilância são outros elementos essenciais nas obras e no pensamento de Kafka.
Pode-se traçar um paralelo entre o personagem Josef K. que pertencente ao livro O Processo de Kafka e o detetive Teddy interpretado por Leonardo DiCaprio e o que liga ambos os personagens são as construções psicológicas que abarcam medos, paranóia, fuga e delírios.
O desencadeamento do filme eclode quando o detetive Teddy e seu parceiro adentram num hospital psiquiátrico para averiguar o suposto desaparecimento de uma paciente, mas conforme os fatos vão surgindo começam dúvidas, reviravoltas e um confronto entre o que é real e o que é alucinação.
O protagonista Teddy Daniels (DiCaprio) é um sujeito que esboça risos esquisitos, emite comentários agudos e tem ações intempestivas e reações quase paralisantes e ainda sofre com alteração da realidade no sentido senso-perceptivo, isto é, ouve vozes, é acometido por sensações causadas por alucinações visuais e alterações de juízo. E Teddy tece um universo composto por pessoas, lembranças, traumas, anagramas num processo que não é ilógico em sua fantasia pelo contrário é meticulosamente estruturado.
Na verdade Scorsese molda um filme provocativo e ambíguo deixando em suspenso a questão sobre normalidade, ou seja, o experiente diretor estadunidense não fecha o assunto e coloca um incomodo ponto de interrogação na cabeça do espectador como se perguntasse: o que é realidade e o que é alucinação? O que é verdadeiro e o que foi forjado durante a trama? Qual é o limiar entre sanidade e loucura? Ou ainda se existe tal limiar e o que é loucura e o que é sanidade?

Por Sidnei Rodrigues Noronha, em 03/02/2011 Avaliação:                   9.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 7.5
• Rodrigo Cunha 8.0
• Josiane Ka 8.0
• Silvio Pilau 7.5
• Vlademir Lazo 7.0
• Heitor Romero 8.0
•  Média 7.6
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(Shutter Island, 2010)
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