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Ivã, O Terrível - Parte 1

(Ivan Groznyy I, 1944)
Por Mateus da Silva Frota Avaliação:               7.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Feito na sombria era de Stalin no poder da temida União Soviética, pode não aparentar inicialmente, mas Ivan, O Terrível (Иван Грозный, 1944) é pura política, quiças até mais do que história, propriamente dita (embora o filme tenha entrado para a história do cinema e consequentemente da humanidade por sua relevância, por seu diretor marcante etc.), mas também é puro cinema, seu cineasta, Serguei Einsenstein, um estudioso do cinema e um dos seus grandes formadores do mesmo, pareceu cuidar com cautela cada plano, cada composição de cena. Aliás, característico a si, ter este trabalho todo ao compor uma orquestra cinematográfica. Ousado, feito durante os anos finais da Segunda Guerra Mundial, este exemplar sobre Ivan é uma das grandes obras soviéticas, em uma lista de grandes filmes que parecem nunca ter fim na memória dos cinéfilos mais assíduos.

Então, é difícil separar o Ivan de Einsenstein de tantos contextos, por isso, resolvi dividir seus relevos, debater por diferentes ângulos, de diferentes formas que compõem o todo da película, em todos os seus diferentes espectros, mesmo relevante do tempo em que fora produzido e lançado. Afinal, o cinema é uma arte, como muitas outras, que deve ser colocado em seu período histórico, tanto para análise política e social, quanto para uma análise tecnológica. O que buscava Stalin ao ter um filme como este, justamente naquele ano de 1944? O que buscava a URSS relatar sobre um antigo Tzar, com todos os tipos de símbolos odiados pelos bolcheviques, revolucionários russos de extrema esquerda, vulgo: a águia de duas cabeças, a coroa ao estilo imperial de qualquer canto da Europa, imagens divinas típicas da Idade Média russa, enfim enfim e enfim.. Talvez esta curta análise responda.

(1) Ditadura e terror stalinista: Quem encomendou diretamente o filme de Ivan IV? Foi o georgiano Josep Vissariónovitch Stalin, então ditador da União Soviética. Por qual motivo? A provável vitória na guerra contra a Alemanha Nazista e desconfio, com muitas certezas, como uma forma de justificar os famosos "expurgos stalinistas". Basta observar no decorrer do filme as atitudes de Ivan: cercado desde o início de conspiradores da alta aristocracia russa, ele precisa tomar decisões duras contra os inimigos; a Rússia é um Estado fraco que precisa de força e audácia, assim como guerras e do esforço do povo, para tornar-se grande, isso inclui sufocar outras nacionalidades e expandir o território; tido como uma divindade, Ivan dificilmente deve ser questionado; a morte é um meio para vencer o inimigo e limpar o aparelho governamental; além de, obviamente, cerca-se de pessoas de sua extrema confiança. Basta entender que era basicamente o que Stalin fazia e sempre fez, para entender que este é um filme que, apesar de todo o seu trabalho artístico, foi feito para justificar diante do povo, bem como consolidar, uma ditadura fria e desumana. Obs: Stalin baniria a parte II do filme, sendo lançada muitos anos depois, por não gostar da representação de Ivan IV nessa.

(2) Cinematografia e direção: Difícil falar de uma produção de Serguei Einsenstein sem falar de sua direção preciosa, seu processo de edição frenético e complexo, somado a sua cinematografia oriunda diretamente do poderosíssimo clássico cinema mudo. As sombras de Ivan e seus inimigos, o trabalho técnico com o ator Nikolay Cherkasov, deixando-o com diferentes expressões e impressões durante as diferentes parte de sua vida, assim como a edição precisa, deixando com que o filme tenha eixos complexos, movimentando-se por diversos assuntos (pessoal, política, vingança) sem desnortear o telespectador, e também sem cansá-lo, apesar da idade já avançada da película. Óbvio que isso é bastante subjetivo de pessoa para pessoa, e o que cansa alguns não cansa a outros.

Einsenstein estava muito desacreditado na Rússia, nesta época, por causa de seu pequeno idílio nos EUA, por citações a Trotski e por "fazer filmes inteligíveis as massas", convidado a fazer alguns épicos históricos, sua popularidade voltaria a ter um crescimento. Apesar de todos os problemas que sofrera, pessoais e artísticos, Ivan é um exemplo de diálogo entre épicos norte-americanos, expressionismo alemão e filmes da vanguarda revolucionária soviética: note-se como por vezes a sombra de Ivan na parede lembra a forma de Vladimir Lenin, ou as sombras nos olhos dos inimigos de Ivan, construindo uma imagem para que compreendamos, mesmo que de forma esteriotipada, tratar-se de interesseiros vilões. O trabalho de Einsenstein, com toda a sua composição de poucas entradas de luz e sombras pesadas, revestindo o filme de um branco gelado com um negro espesso, parece mais um pesadelo medieval. As atuações, repletadas de exagero visual, influem diretamente nisso. Seu plano final, por exemplo, ali muito bem a sensação de pesadelo ao produto técnico entregue, com edição e fotografia marcantes.

(3) História: O filme de Serguei é tão preciso do ponto de vista histórico porque sim, como mostrado, a Rússia na época não tinha nenhum prestígio na Europa, ao menos não como viria a ter, e o medo todo no início do filme sobre o futuro de Ivan é bastante provado. E também Ivan mantinha ótimas relações comerciais com a Inglaterra, como citado em uma das cenas finais que Ivan está em seu trono, lamentando o bloqueio feito aos navios ingleses (dizem até que ele pediu a mão da rainha Elizabeth I em casamento). A própria cidade de Kazan, na qual Ivan invadira, tomando-a para Moscou, que na época não era a principal cidade russa, é de uma impressionante reconstrução histórica. Ivan, que viveu de 1530 a 1584, fez coisas terríveis (e por isso seu segundo nome, Terrível), colocou crianças para morrerem, ordenou estupros de mulheres ditas infiéis, perseguiu inimigos e assassinou diversos inocentes; muito embora, apesar de tudo, tenha criado escolas e aberta a primeira casa de imprensa da Rússia - importando-se com a leitura do povo, bastante contraditório. Mas como já dito antes, reitero, era o fim da batalha contra Hitler, a tirania, e para o governo soviético, que passaria por diversas marchas simbólicas (neste mesmo ano, o hino mudaria na URSS pela primeira vez, desde o seu início e primeiro hino em 1918). Então, Ivan seria O filme para ser feito para o momento, justificando atitudes do governo que já existiam muito antes.

Concluindo: o que faz de Ivan, o Terrível parte I, um filme acima de seus excessos políticos - com o próprio diretor sofrendo por causa destes -, é seu estilo único, inconfundível, saído das trevas da URSS para relatar as trevas da Rússia do medievo, formando um conjunto único de insanidades, desde o líder do poderoso império comunista, até o seu genial diretor, sempre entregando trabalhos com um conteúdo humanístico e uma presença técnica profunda. Ainda que analisado em época como um ataque ao regime, é inegável a presença de um tempo absurdo intrínseco no processo de construção narrativa. Parecendo um quadro pictórico de Rembrandt, sombreado aos lados, é cinema presente e dos bons, e seguirá sendo por incontáveis gerações que o revisarão a sua forma e maneira.

Por Mateus da Silva Frota, em 26/11/2017 Avaliação:               7.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 6.0
• Vlademir Lazo 8.5
• Heitor Romero 8.0
•  Média 7.5
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