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Joaquim

(Joaquim, 2017)
Por Luís F. Beloto Cabral Avaliação:               7.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Por mais que objetive uma iconoclastia, Joaquim reitera o ícone de Tiradentes. No primeiro plano do filme, Marcelo Gomes expõe a cabeça decapitada do sujeito, apodrecendo na beira da estrada. Mas logo ao fundo enxergamos uma capela barroca mineira, o interior todo sombreado, iluminado por pontos localizados de luz. A associação explícita entre Tiradentes e o Cristo no famoso quadro de Pedro Américo ainda se mantém mesmo que indiretamente, a cabeça do mártir não distante do local de culto. Da mesma forma, são incontáveis as vezes em que o protagonista é destacado pela contraluz, o corpo enegrecido pelo contraste cromático ou quase dissolvido nos reflexos esféricos dos raios de sol.

É verdade que Gomes corta os seus cabelos de Cristo logo no primeiro ato; e na missão fracassada da busca pelo ouro, Joaquim e os demais são quase engolidos pelas paisagens do sertão perigoso, em clara demonstração de sua pequenez e vulnerabilidade. Temos até um quê de cinema veritée com a câmera trêmula do primeiro ato, numa encenação fílmica teoricamente contrária a uma figuração canônica a lá O Grito do Ipiranga - embora a câmera na mão evoque um quê de verossimilhança histórica igualmente conservadora. Mas ainda que Gomes coloque Tiradentes a nu frontal, isso não impede que o mesmo corpo exale forte virilidade, e a história do herói trágico abandonado por todos continua retomada com forte dramatização, por mais que o filme apresente os defeitos de seu protagonista - ambicioso, escravocrata, ingênuo.

Os momentos mais potentes da fita são aqueles que bebem da estética barroca, especialmente as belíssimas cenas noturnas onde os corpos somem e desaparecem conforme o jogo de luz e sombra. São nesses momentos que o filme encontra o ponto certo entre a iconoclastia e o ícone, o chiaroscuro dando margem tanto ao sagrado quanto ao obscuro. Um dos melhores exemplos é o plano sobre um altar barroco no qual vemos várias cabeças espalhadas, o religioso sendo impregnado pelo grotesco.O chiaroscuro, inclusive, não se aplica somente ao sagrado católico, considerando a sequência da dança dos quilombolas, onde os corpos negros dourados de luz exaltam força e vitalidade.

Mas a despeito do ícone inevitável, Gomes ainda oferece uma perspectiva interessante sobre a personagem, sobretudo no segundo e terceiro atos. Os olhos expressivos de Júlio Machado, por vezes quase esbugalhados, dão uma feição grotesca ao futuro mártir. E nos plongées com Joaquim peneirando no rio, o corpo contorcionado em si mesmo quase se desconstrói num sentido abstrato, em decomposição diferente da do esquartejamento de Pedro Américo, Cândido Portinari e Adriana Varejão. Gomes exalta o lado bronco de Tiradentes, sobretudo em comparação com a elite intelectual da Inconfidência, demonstrando bem sucintamente o porquê de ele ter sido o único do grupo a ser condenado. E além das hierarquias explícitas ou veladas entre brancos ricos e pobres, sobra espaço para as relações de poder entre brancos e não-brancos, o grande destaque sendo a Preta de Isabél Zuaa, Xica da Silva e Dandara na mesma personagem. No mais, o que se tem é uma reinterpretação contemporânea do ícone que não dispensa de todo a representação canônica, ao modo da pintura de Adriana Varejão exibida no começo dos créditos finais, fragmentada pela câmera de Gomes. Tiradentes agora é grande não por ser Cristo, mas por ser bronco, e o plano final com o frango assado vale por toda a experiência.

Por Luís F. Beloto Cabral, em 30/04/2017 Avaliação:               7.0
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