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COMENTÁRIO

Mãe!

(Mother!, 2017)
Por Augusto Barbosa Avaliação:         4.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

O que salta aos olhos antes mesmo da metade do filme e o que mais fica marcado após a sessão é que mother! consiste em uma grande alegoria - ou melhor, é composto por uma série delas. Conceitualmente, não há qualquer problema com isso - o que pega, novamente, para Aronofsky é a execução.

Quando estamos diante de uma alegoria, temos que lidar com, no mínimo, dois níveis de leitura: o primeiro, literal, o segundo, alegórico (que pode muito bem subdividir-se em quantas interpretações se quiser). Em se tratando de cinema, a primeira 'camada' seria o plot, pura e simplesmente, com todas as construções e interações entre personagens incluídas; a segunda, as das leituras conotativas. Para que um filme com esse objetivo funcione plenamente, ele precisa ser bem sucedido em ambos os níveis - e é aí que está o grande equívoco de mother!.

Em sua nova empreitada, Aronofsky falha miseravelmente ao construir uma narrativa de 'primeiro nível' e isso por causa da sua incapacidade de lidar com mais de um aspecto narrativo - tal qual com a obsessão de Nina em Cisne Negro, ele, aqui, sente a necessidade de pisar e repisar a posição inferiorizada de Lawrence em sua relação com Bardem, esquecendo de desenvolver adequadamente, por exemplo, um vínculo afetivo mais forte entre Lawrence e a casa, que fizesse com que o espectador sentisse algo para além do mero incômodo em todas as situações de invasão e destruição.

Isso é apenas mais uma das interferências negativas na construção da própria protagonista, que em certas situações mais parece uma menina mimada com mania de limpeza e organização do que uma mulher querendo defender seu lar. Mas o pior sobre o desenvolvimento (sic) dessa personagem é sua falta de objetivo que não o de agradar o marido - para um filme cujo campanha assumidamente se propõe a uma visão feminista, ter uma protagonista cujo único aspecto relevante se resume a sua carência de atenção, que a leva a ápices de egoísmo (a.k.a reclamar com o marido por este ter ido ajudar a levar uma pessoa com risco de morte ao hospital em vez de ficar com ela), é, no mínimo, contraditório, para não dizer ridículo. Junte-se a isso a outra personagem feminina de destaque ser a execrável versão de Eva vivida por Pfeiffer.

Com uma protagonista tão mal construída, impossível se envolver com ela e sentir de fato seu horror, coisa que os incansáveis close-ups são incapazes de suprir. Tendo uma base narrativa frágil, todas as loucuras posteriores ruem junto. O suposto delírio criativo brilhante de Aronofsky na reta final do filme cai por terra simplesmente porque não tem um fiapo de cabelo que o sustente - ele precisa ver mais vezes, pra ver se aprende, suas grandes fontes de inspiração: Roman Polanski e Satoshi Kon.

A alegoria mais evidente é, por óbvio, a bíblica - e digo "por óbvio" não levianamente, trata-se de dado que Aronofsky deixa bem explícito com alusões nada discretas do tipo Lawrence dizendo "eu quero construir um paraíso" e "vou lá consertar o apocalipse" ou Harris passando mal com uma ferida aberta na altura da costela na cena imediatamente anterior à da chegada de Pfeiffer. Isso para não dizer de passagens incrivelmente aleatórias que têm apenas função alegórica, como o assassinato de "Abel", filho preferido, por "Caim", filho preterido e enciumado, e a consequente fuga deste para o mundo.

O momento em que a alegoria mais se aproxima de dar certo é quando retrata o fanatismo religioso e somente porque se trata da única oportunidade em que de fato se respeita e se dialoga com a narrativa de "primeiro nível", e não se a sobrepõe.

Sobre Lawrence ser a representação da Mãe Natureza e a Casa, o mundo em si, como criado, fazendo-se uma ~crítica~ a como o Homem a explora sem limites até o ponto em que ela, naturalmente, se revolta, a ideia fala por si só. Engraçado é notar que muitos dos maiores elogiadores desse novo Aronofsky são grandes detratores de Fim dos Tempos, do Shyamalan, filme que joga essa mesma ideia com tom assumidamente farsesco e absurdo, enquanto aqui encontra-se envolta em seriedade e revestida de uma pretensa solenidade intelectual conferida pelo viés alegórico.

Teorias muitas outras já pululam e pulularão em torno do filme, tais quais ter Aronofsky espelhado seus próprios relacionamentos amorosos, reconhecendo sua abusividade ao mesmo tempo em que (risos) fala de sua própria 'genialidade' (é muito forte a sensação ao longo do filme de que Bardem seria um alter-ego no diretor).

O que mais marcado fica de mother!, para além da alegoria sobre a criação e destruição do mundo e afins, é de que se trata da invisibilidade feminina frente ao egocentrismo masculino, e os inúmeros close-ups em Lawrence claramente almejam jogar um holofote nessa figura oprimida; todavia, não só se trata de um recurso estético que logo logo se torna irritante pela redundância, como também soa incrivelmente pueril, uma vez que vive realçando uma personagem tão desprovida de personalidade. Dirão: essas 'supostas falhas' são necessárias para que a alegoria tenha sentido. Ora, nisso se evidencia a grande inversão de valores que é o problema fulcral do filme: a partir do momento em que se propõe a alegorizar a partir de um determinado plot, não é o plot que deve depender dos simbolismos para se desenvolver, mas a alegoria que deve naturalmente ser extraída do plot, ainda que lá pelas tantas resolva-se chutar o pau da barraca (afinal, para tanto, é preciso que a barraca esteja armada - sem alusões fálicas).

Filme recente com proposta semelhante é A Bruxa, do estreante Robert Eggers, que, ao contrário de mother!, é um tanto falho no 'segundo nível', na organização das alegorias e alusões a que se pretende, mas funciona perfeitamente no 'primeiro nível', em sua trama de isolamento e embaralhamento entre o horror psicológico e o sobrenatural.

No fim das contas, Aronofsky quis recontar passagens bíblicas por meio de um plot simples e conhecido, mas mesmo assim extremamente mal construído, sobre invasores inesperados e inconvenientes, enxertando reflexões paradas no meio do caminho sobre egocentrismo masculino, criação artística, crueldade e estupidez humanas, exploração da natureza, vida e morte, e o que mais se quiser imaginar. O resultado? Egolatria pura, tecnicamente repleta de conceitos repetitivos, com boas doses de misoginia.

Por Augusto Barbosa, em 24/09/2017 Avaliação:         4.0
Notas - Equipe
• Daniel Dalpizzolo 5.0
• Silvio Pilau 7.5
• Heitor Romero 4.0
• Bernardo D.I. Brum 4.5
• Francisco Carbone 7.5
• Rafael W. Oliveira 10.0
• Felipe Leal 4.5
•  Média 6.1
Notas - Usuários
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