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Maria Madalena

(Mary Magdalene, 2018)
Por Mateus da Silva Frota Avaliação:             6.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Sabe as tais das intenções novas naquilo que parecia meio velho e cansado? O novo Maria Madalena do já não mais estreante Garth Davis (famoso pelo seu oscarizado Lion) é uma forma mais contemporânea de retratar personagens bíblicos (ou figuras históricas, dependendo do ponto de vista religioso), sem o enquadramento clássico e estático, tratando com total respeito e medo figuras importantes para a religião judaico-cristã. Ao mesmo tempo em que é polêmico ao retratar a figura central de uma mulher independente há cerca de 2000 anos, também a respeita como figura santa, não dando a entender nenhuma espécie de relação carnal com seu profeta Jesus Cristo.

Assim como é meio Terrence Malick, meio Paul Atkins, como se estivesse documentando a vida daqueles estranhos seres nos desertos do Oriente Médio, com elementos do cinema reflexivo adentrando no “cinema do dia de Páscoa”; ainda mantém aqueles cacoetes de filmes famosíssimos sobre o tema, como Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1956), em cenas já clássicas de Cristo ou de longas cenas de diálogos morais do profeta.

Faz uma imersão ainda mais profunda do que Scorsese fez no cinema de Cristo, em sentido visual, pelo menos, ainda que não explore a parte espiritual nem de Madalena e nem de Cristo com abertura para amplas discussões, com isso quero dizer: você não vai aprender nada de muito novo do que já sabia, principalmente se sabe o básico sobre a Bíblia. Então.. esse vácuo não foi preenchido da forma que deveria em uma reanálise na sala de edição, deixando as noções de Judas, Pedro ou Mateus bastante distantes.

Por vezes testa um tom mais feminista, colocando Maria Madalena no centro da exploração feminina que ocorre em 33 DC (mas que poderia facilmente ser hoje ou há algumas décadas). Ainda que vez ou outra esqueça de que – deveria – se trata de um filme sobre Maria e não sobre Jesus Cristo, o filme procura sempre comer pelas beiradas. Isto é, ousa um pouco na fotografia, vez ou outra decide ousar no enredo, às vezes parece que vai descambar para uma provocação total ao que é repassado como escrito na Bíblia, mas a cada vez que avança, retorna. E a cena, por exemplo, de mulheres questionando a Cristo se devem obedecer os homens tendo em vista toda a submissão a que são colocadas, se restringe a apenas essa cena, não dialogando com o resto do filme de maneira mais contundente.

E essa é a grande crítica que pode ser feito a Maria Madalena (o filme, não a personagem), por que o medo de ousar? Quem escolhe Rooney Mara e Joaquin Phoenix não pode ter medo de ser progressista em questões religiosas, morais e políticas. Então acaba assim, recuando toda vez que promete passar da linha vermelha dos filmes bíblicos, apesar de tudo que se construiu para chegar até ali. Apesar do Cristo de Phoenix, com aquele olhar rachado e aquele rosto queimado do sol, ser imenso, lá pelas tantas, o diretor parece não saber aonde quer chegar e oscilamos entre uma biografia qualquer de Jesus e um filme chamado “Maria Madalena”. O fato de colocá-la como personagem secundária de Jesus, ou mesmo ao olhar subjetivo de Cristo em vários momentos, torna o filme com um teor machista, como se essa fosse a única possibilidade de explorar Maria. Afinal, não deveria ser Maria Madalena sob o olhar dela própria? Ou mesmo Jesus Cristo através de Maria Madalena? Toda vez que o contrário acaba ocorrendo, não sabemos se foi um problema na hora de escrever o roteiro ou se realmente se trata de medo, seja da igreja católica, das vendas, do estúdio.. Sabe-se lá.

Por sua bela fotografia com luz natural, é evocado o recente Últimos Dias no Deserto (Last Days in the Desert, 2015), com a cinematografia do premiado mexicano Emmanuel Lubezki, da qual aqui certamente bebe na fonte. Isso aumenta o realismo do filme, não somente, mas como alguns detalhes técnicos: Cristo é pregado na cruz pelos pulsos, isto é, com os pregos nos pulsos e não nas palmas das mãos, o que hoje se sabe que seria impossível para suportar todo o peso todo corpo sem rasgar a frágil carne; além disso, há cordas amarrando o corpo a uma cruz um tanto menos novelesca, mais suja e menos estética, como se supõe historicamente que poderia ter sido. As roupas, aí entrando em questões de figurino, são bem simples, mas justas, contextualizadas e até mesmo bonitas.

Mas qual foi a frieza que fez com que Maria Madalena fosse recebida nos cinemas, pela crítica e por demais, talvez antes mesmo de estrear? E que se manteve depois da saída nos cinemas, claro. Creio, novamente, na falta de ousadia. E talvez pela falta de propanganda, porque sim, pode parecer estranho, mas neste momento do cinema brasileiro, um filme religioso da Record atrai mais fiéis aos cinemas por causa das igrejas do que um estrangeiro, a propaganda e às vezes a pressão para ir assistir é grande, o que não ocorreu com Maria Madalena, certamente. Não interessou aos bolsos de ninguém por aqui. Mas há uma questão revolucionária aqui, que paira no ar do roteiro adaptado na tela, não fosse um filme religioso, poderia muito bem tratar-se de um filme anarquista, socialista ou antisistema de qualquer forma mesmo. A própria palavra “revolução” é usada no final do filme, pelo menos uma vez da qual lembro-me. O problema foi: ainda assim foi pouco para atrair um público que esperava-se assistir a este. A questão revolucionária existe, mas na verdade isso sempre existiu em Cristo, vide o debate atual se ele era ou não de “esquerda”. Bobagem, fora de contexto, mas interessante por essa análise. Existe, então, beleza, mas não aprofunda-se. A questão feminista? Idem, Madalena tem eixos dramáticos bem interessantes, mas em nenhum momento seus problemas soam orgânicos ou tão palpáveis como deveriam. Tirando isso, o filme é um tipo de mistura do A Ghost Story (2017) de David Lowery com A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, 2004), mas sem aquele sal básico para apimentar (é uma versão indie da Bíblia), torná-lo até mesmo polêmico, mais do que isso, realmente necessário, embora não seja justo considerá-lo inútil, apenas fraco dentro das possibilidades impostas. Possibilidades essas que o próprio filme, seus atores e seu estilo tornaram prováveis. Quer ver um acontecimento cênico que tornaria Maria Madalena extremamente ousado e provocativo? Mostra-se o corpo de Cristo nu, ou até mesmo de Madalena, humanizando ainda mais os seus personagens, bíblicos ou não, enfim. E isso é uma possibilidade que já foi testada por Martin Scorsese em A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988) ou até mesmo pela comédia A Vida de Brian (Life of Brian, 1979), ou seja, há décadas atrás, nada que seria muito gritante, mas interessante.

No fim das contas, Garth Davis apresenta o filme quase como uma forma de mistificar a ideia de uma Madalena puta, como o próprio filme comenta no final, um equívoco identificado ao Papa Gregório em 591 DC, mas deveria ser mais, deveria. Deveria ter ido além do desvendar de uma figura histórica/bíblica/ficcional (para alguns), algo que justificasse as suas quase 2 horas, não apenas desmistificando, mas reconstruindo de fato, analisando profundamente. Mas como eu já disse, ao menos foi uma boa tentativa, ainda que sem toda a sua potência. Por que considero uma boa tentativa? É a única mulher sem vínculo familiar que cruza tanto o caminho de Cristo, e justamente essa é que foi tão difamada, destruída e horrorizada. Talvez haja quem a deteste mais do que Judas, os motivos eu nem preciso explicar, se ainda não ficou claro, não ficará de qualquer forma.

Maria Madalena esteve presente na morte e na ressurreição de Cristo, a Igreja Católica demorou muito para atribuir esses feitos em sua presença, foi a única apóstola, ao lado de tantos homens, como Judas e Mateus. Não há necessariamente uma prova escrita na Bíblia de que Maria foi prostituta, mas a sua relação com Jesus deixa a duvidar se ela teve ou não relações carnais com ele, se ela teve ou não teve filhos com ele.. De qualquer forma, Garth Davis, assim como fizera em seu filme de estreia, Lion (também com a brilhante e sempre marcante Rooney Mara), torna tudo um pouco novelesco, como se fosse um filme financiado pelo Edir Macedo onde nada pode deixar de ser meio cafona e canônico. Mas o trabalho existiu, está aí e é arte, muito ousado ou pouco ousado, Maria Madalena é uma obra que dá um ponta pé inicial sem ser o que se esperava que fosse. E além do mais, não sabemos o que mais essa abertura trará por aí em frente.

Por Mateus da Silva Frota, em 06/07/2018 Avaliação:             6.5
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