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Meu Filho, Olha O Que Fizeste!

(My Son, My Son, What Have Ye Done, 2009)
Por André Vidazinha Avaliação:                     10.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

A natureza bizarra que Herzog atribuiu à Meu Filho Olha O Que Fizeste! praticamente faz com que esqueçamos que aquele plot é baseado em fatos verídicos . Bem, na verdade trata-se de uma readaptação do caso ocorrido com Mark Yavorsky em 1979; que matou a própria mãe inspirando-se em uma tragédia grega. O foco do longa é imergir na mente do assassino e captar aspectos psicológicos presentes em seu interior; expondo os últimos fragmentos de memória de pessoas próximas através de flashbacks e os junta como em um quebra-cabeça que se dispõe à interpretar os motivos que o levaram à cometer tal barbárie.

Um enorme ponto de interrogação permeia em volta da equipe policial e a vizinhança pacata do protagonista Brad McCullum. Afinal, aparentemente foi um ato isolado; vindo de um filho que amava sua mãe acima de tudo. De qualquer suspeita que pudesse acusa-lo; principalmente após ouvirmos os depoimentos de sua namorada e do diretor de teatro ao qual Brad participava. No entanto, a adoração que ele supostamente nutria por sua mãe poderia muito bem ser confundida com um sentimento de submissão emocional; ou até mesmo uma obsessão doentia na qual o filho retrairia qualquer espécie de desagrado em frente à sua mãe.

Herzog propõe um comportamento de hipnotização em cima de seu elenco. Lembra um pouco o que foi feito em Coração de Cristal; no qual viam-se uma série de figurantes imóveis em diversas passagens do filme. Aqui, Herzog aplica o efeito mais em cima de seus protagonistas e o processo é mais denso e duradouro. Quando Zabriskie entra em cena, fica fácil perceber a mudança de postura de Shannon; que antes parecia estar animado e com desenvoltura, passa à assumir trejeitos submissos, com a presença de sua mãe sendo assimilada como uma figura que está ali para lhe controlar e à qual ele não deve levantar um dedo sequer. Assim como um notável desprezo que ela demonstra à namorada do filho; tratando-a como uma possível ameaça ao controle que ela exerce em cima dele. Sempre insistindo em continuar escolhendo as opções pessoais do filho sem a aquiescência do mesmo; pondo-lhe goela à baixo o que ela bem entende não permitindo que ele possa formar sua própria personalidade e finalmente dar um rumo à sua vida.

Herzog abre espaços para o existencialismo de Brad; não apenas nos mostrando seu íntimo através de outros mas com o próprio questionando as impertinencias que rodeiam em sua volta. Como a metáfora de toda a imensidão das nuvens e montanhas estarem acima de nossas cabeças, nos ''encarando'', ao mesmo tempo em que todo aquele fuzuê de polícia e multidão estão em frente à sua casa tentando compreender o que o fez chegar à esse ponto de cometer uma fatalidade, consequentemente também fazendo-o se sentir ''encarado''. Tal como Brad diz ter ouvido o chamado de Deus; e passa à se auto-denominar Farouk. E em dados momentos ele parece ter uma cega confiança nessas vozes interiores; surdo à qualquer constatação que os outros façam acerca de seus conceitos. Convencido de que a realidade projetada em sua mente é a verdadeira, sem que ninguém além dele seja capacitado para contradizer seus fanatismos.

Uma trilha predominantemente latina e com sofisticados toques instrumentais incrementam a parte sonora. Na passagem mais surreal do longa ouve-se a suave voz de Caetano Veloso; em um conjunto de elementos imagéticos lynchianos e herzoguianos que concebem um momento de contemplação no melhor estilo anti-script.

A interpretação teatral ganha formas com a representação da tragédia grega, na qual Brad participa euforicamente. Ele se deixa levar pela exaltação do texto da peça, à qual desempenha o papel principal. O próprio teatro é, por diversas vezes, explorado por Herzog como um ponto de ligação direto com o cinema; e como essas duas expressões artísticas caminham de mãos dadas.

Talvez muito pela influência da veia surrealista (e extremamente criativa) de David Lynch na produção é que os traços principalmente estéticos e narrativos da obra vão sendo desenhados com sua famosa e excelente singularidade. E tendo um Herzog tomando toda a liberdade na direção, forma-se uma dupla esplendorosa; da qual torço para que saiam muito mais projetos no futuro.

Por André Vidazinha, em 14/09/2014 Avaliação:                     10.0
Notas - Equipe
• Daniel Dalpizzolo 8.0
• Vlademir Lazo 7.0
• Francisco Bandeira 7.5
•  Média 7.5
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