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O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

(Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)
Por Felipe Barata Amaral Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Amélie Poulain é uma adorável e doce francesinha que se muda do subúrbio da França para o bairro parisiense de Montmartre e que irá tomar conta do filme de uma maneira impressionante. Ela é filha do ex-médico militar Raphaël Poulain com Amadine Poulain, ambos nitidamente aparentam ser um tanto histéricos, rígidos e sempre mantiveram uma postura de salvaguardar a filha do mundo, privando-a até de ir à escola, sob alegação de uma arritmia cardíaca erroneamente diagnosticada pelo pai. Devido a extrema solidão e motivada por sua fecunda imaginação, Amélie passa a criar um mundo particular permeado por criaturas fantasiosas que suprem uma parte da carência afetiva da menina. Durante toda a produção, Amélie olha tudo( se me permitem o pleonasmo ) com olhos arregalados de surpresa como uma criança que se surpreende com o mundo que conhece.

O ponto alto do filme é a busca de Amélie por um propósito para sua existência e tudo começa quando, por um mero acaso, ela encontra uma caixinha com pertences do antigo morador de seu apartamento e pensa em devolvê-la, a partir daí o seu destino toma um rumo diferente. A tristonha Amélie passa a elaborar planos mirabolantes para ajudar as pessoas a sua volta, proporcionando-lhe satisfação e um bem-estar que preenchem o seu vazio existencial. Implicitamente, Amélie é comparada com a moça pensativa e sozinha com o copo de água do quadro “Lê dejeuner dês canatiers” do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir.

Quem dá vida à Amélie é a grandiosa e carismática Audrey Tautou que tem como marca registrada a adoção de uma feição doce a todas as suas atuações. E na minha opinião, teve seu talento desperdiçado no razoável “O Código Da Vinci”. Porém não devemos nos preocupar de ela cair nas garras do cinema massificado de Hollywood, pois em uma entrevista ela declarou: “Sou uma atriz francesa. Não estou dizendo que nunca mais trabalharei em um filme que fala inglês, mas minha casa e minha carreira estão na França. Eu nunca me mudarei para Los Angeles.”

Com ajuda do maravilhoso roteiro de Guilhaurme Laurant, as aventuras de Amélie ganham um tom criativo e cômico, pois ela é capaz de, por um simples atraso, imaginar hipóteses que podem ser simples o bastante ou até impensáveis, beirando o absurdo, o non-sense.

Jeunet nos transporta para uma Paris mágica, diferente da convencional. Pois, com a utilização de filtros, a imagem captada pela câmera é sempre preenchida por tons verdes e vermelhos – cores que nos levam a perceber um ambiente romântico, doce e calmo – fazendo alusão ao amor, a felicidade e a esperança. Toda essa estrutura tem como acessório fundamental a belíssima fotografia de Delbonnel, juntamente com os planos de filmagem utilizados pelo diretor que conferem um ritmo alucinante ao filme, principalmente durante os devaneios da personagem título. Ou seja, o diretor e o roteirista construíram um filme sinestésico que brinca com sensações, sentimentos e cores.

O roteiro aborda uma valorização dos pequenos prazeres e desprazeres dos personagens que normalmente são suplantados pela vida corrida das grandes cidades. Prazeres estes que nos são revelados pelo narrador em uma pequena introdução das personagens, permitindo-nos conhecer um pouco do psicológico deste. Além do que, a exposição de tais prazeres acarreta uma maior aproximação do espectador com o personagem.

O filme é embalado por uma excelente trilha sonora assinada pelo multi-instrumentista Yann Tiersen, que combina instrumentos musicais variados ( como o acordeão, o mandolim, o banjo, a harpa e o piano ) resultando em uma música que confere a produção, ora um ar de pureza, ora um ar melancólico, porém sempre mantendo uma certa agilidade. Tais músicas são capazes de nos inebriar e nos conduzir, em um plano onírico, à Paris. O espectador se sente em meio a toda a movimentação dos personagens.

Existe um aspecto na obra de Jeunet que pode ser comparada com uma das características da poesia de Manuel Bandeira – guardadas as devidas proporções, já que Bandeira era rei ao trabalhar esse quesito: Ambos conseguem captar o lirismo do cotidiano com sensibilidade e humildade, além de possuírem uma visão de mundo decorrente da descoberta de poesia nos fatos corriqueiros, demonstrando a intenção de poetar o prosaico ( o banal, o trivial, o impensado ) .

Com três grandes obras ( “Delicatessen” – grande produção francesa de humor negro; “A Cidade das Crianças Perdidas” – onde o diretor cria um ambiente surrealista para a trama; e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” ), Jean-Pierre Jeunet afirma-se como um dos melhores diretores da nova geração, que tem como principais exemplos os irmãos Joel e Ethan Coen e Spike Jonze.

Recordista de indicações ao Prêmio César ( o mais influente e importante prêmio do cinema francês ), porém desprezado pelo Oscar, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” já pode ser considerado um novo clássico do cinema. Com certeza, uma vez assistido ao filme, Amélie marcará a sua vida.


Por Felipe Barata Amaral, em 13/12/2008 Avaliação:                   9.0
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• Alexandre Koball 8.0
• Daniel Dalpizzolo 7.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Josiane Ka 9.0
• Régis Trigo 8.0
• Heitor Romero 8.0
•  Média 8.0
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(Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)
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