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O Homem das Cavernas

(Early Man, 2018)
Por Mateus da Silva Frota Avaliação:               7.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Bastante esquecido e também de fora das salas de cinema no Brasil, de forma injusta, digo de passagem, já que produções bastante inferiores de animação ganharam mais espaço em 2018, O Homem das Cavernas (Early Man, 2018) é uma animação em stop-motion muito animada e desenvolvida, cheia de críticas, humor ácido, clichês infantis e um significado bastante belo. Para não dizer motivador. Vou tentar explicar um pouco do por quê.

Criado e dirigido por Nick Park, o mesmo e inconfundível de A Fuga das Galinhas (2000) e Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais (2005), que basta ver o contorno dos bichinhos e pronto, as crianças e os adultos reconhecem de quem trata-se. Enfim, saindo do clima infantil proposto pela maioria das animações e da qual Early Man não foge sistematicamente, se mantendo ingênuo em muitos sentidos, há muito o que analisar aqui.

Fazendo uma miscelânea histórica que me incomodou um pouco no início (Período Triássico, Pré-História, Paleolítico e Era do Bronze), o resultado no final das contas é bastante divertido para adultos e crianças, talvez até mais para adultos, como geralmente funciona os longas de Nick Park. Trata-se de Dug, um personagem das cavernas apaixonado pelo diferente e com uma curiosidade corajosa que o leva adiante, desafiando o ditatorial Lorde Nooth após sua tribo (pré-histórica) ser expulsa de seu Vale verde e vívido, pelo interesse monetário do tirânico Nooth. O desafio se dará como? Por uma partida de futebol, introduzida de forma diferente nesse contexto, ao estilo de uma Roma Antiga onde os gladiadores sempre foram simbolizados como os atuais jogadores de futebol, agora sendo basicamente isso. O ditador se utiliza do esporte para "cooptar" sem nenhuma responsabilidade (a não ser que queiram morrer) contribuições financeiras dos cidadãos, sabe o pão e circo?

Pronto, necessariamente é só o que se precisa saber sobre O Homem das Cavernas, com seus homens de massinha imaginados por Nick Park. O resto é desenvolver a crítica que este resolve fazer para a sociedade (que não é rasa, de forma nenhuma) e divertir-se. Se quiser, claro. Porque quando aparece uma família do Vale, olhando de fora a sua própria terra ser apropriada violentamente por forças desumanas e estrangeiras, que observam tudo de uma cerca de madeira e metal retorcido, lembrei: aí estão os mexicanos, nicaraguenses, hondurenhos.. E comecei a levar um pouco mais a sério um simples desenho sobre um time que vence o outro, algo tão batido nas tardes entediantes de programas como Sessão da Tarde.

Nooth é a melhor interpretação de Benito Mussolini, (sim!) a semelhança de longe não parece ser uma coincidência: careca, extravagante, colocando medo ao ponto do ridículo, ordenado por forças superiores e simbólico no esporte para o avanço dos seus próprios interesses. Ditador da Itália fascista, da história contemporânea, Mussolini foi o grande articulador de esporte-política, até mesmo mais que Hitler (visto que Mussolini ganhou duas copas do mundo, 1934 e 1938, a Itália só ganharia a terceira em 1990). Quando vê o seu império de bronze ameaçado por "bárbaros" que nem deveriam jogar, ameaça de morte a estrela do time, o que parece ser a afetação do século XXI aos jogadores de futebol: mais imagem do que jogo, a grande estrela do Bronze até mesmo simula faltas que são modificadas pela "mídia" da época. Nick Park e seus roteiristas parecem estar insatisfeitos com Neymar e cia, ou com os próprios rumos do milionário futebol inglês de hoje.

Mais sério do que parece, a interferência de um político nos meios esportivos, aqui infantilmente elucidada, é bem perigosa. Il Dulce, como Mussolini era conhecido, mandava matar os jogadores que perdessem, como forma de intimidação. Na Copa da Itália de 1934, o italiano escolheu o juiz da final, algo que não fez poucas vezes; exibia execuções de rivais ideológicos, sendo o primeiro grande político a usar o futebol como implementação de políticas populistas; chegou a trazer jogadores do Brasil e da Argentina para jogar na seleção italiana, como forma de reformar a Itália que decidia erguer. Doentio. Perigoso. Mas aqui tudo isso ganha um toque doce e infantil, que possivelmente passou despercebido pela maioria das poucas pessoas que devem ter assistido e esta mediana, mas interessantíssima animação.

Pretendendo ir muito além de ser um lugar comum onde bonzinhos vencem os sabichões no final, o jogo proposto pelos "bárbaros" contra a Idade do Bronze se torna uma superação bastante divertida de uma etapa histórica utilizada de uma forma loucamente criativa pela mente de um cineasta iluminado. Decidido a criticar desde a Itália fascista até os Estados Unidos de Donald Trump. Early Man merece uma compreensão dos adultos que o assistem: nem toda análise/crítica/intenção política deve ser séria e respeitada com autoridade, muitas vezes ela vem despercebida e de onde menos esperamos. Detalhe: há uma cena onde o manda-chuva do bronze cai do seu pedestal e quase fica de pernas para o ar dependurado no campo do estádio (tal qual como o ditador fascista morreu). E o jogo entre civilização x barbárie que acaba se tornando a partida final, termina como uma referência bastante indireta a atual campeã do mundo no futebol: a França africanizada, com sua base completamente fora do continente europeu. Mas nem por isso inferior.

Criticando o ouro e a alienação das sociedades com os meios de produção que possuem, a imagem de um império (que se perder no jogo, perde na política - preço da alta hibridização propostos por grandes ditadores da história humana), evitando um romance piegas de Dog com uma jogadora de futebol da Idade do Bronze, preferindo a análise de como as mulheres são excluídas do mundo futebolístico, este despercebido desenho foi um dos que mais me animou no ano de 2018, pelo menos dos que assisti até aqui. Fazendo referências inteligentes, piadas simples e nada grosseiras, sendo culturalmente muito relevante e indispensável para tempos que virão, de escuridão na política e também no cinema.

Por Mateus da Silva Frota, em 27/12/2018 Avaliação:               7.0
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