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O Julgamento de Viviane Amsalem

(Gett, 2014)
Por Luis Carlos da Costa Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

O Julgamento de Viviane Amsalem é sobre a luta de uma mulher por sua liberdade. Em uma cena, ela desprende seu cabelo no tribunal, algo simbólico, acredito eu, para demonstrar em um gesto, todo o desânimo e a sede de independência, sentimentos que não são valorizados pelos rigorosos rabinos que comandavam o julgamento.

O processo é pura agonia para Viviane Amsalem. Após anos separada, finalmente, ela quer o divórcio do seu marido. Mas não é nada fácil, pois ela está diante de um tribunal rabínico, ou seja, quase uma causa perdida. Enquanto o marido não consentir, não há divórcio. E ele não concorda com o divórcio. Enquanto ele a quiser sexualmente ou não negligenciá-la, não acontece nada, não importa o quanto ela queira, quão desesperada ela fique. Segundo a religião, eles são unidos por Deus e, devido a isso, é um assunto fechado e ponto. Assim, o processo (com muitas interrupções, gerando ainda mais ansiedade, não lembro de diretores que usaram tão bem esse recurso narrativo) dura semana após semana, mês após mês, ano após ano, vai se arrastando cada vez mais. Essa passagem do tempo tem significado, pois revela os absurdos desse rígido sistema, transmitindo a ideia da falta do progresso social. O estresse vivido pela nossa personagem ilustra perfeitamente a prisão que muitas mulheres sofreram e sofrem.

Então nós mergulhamos nesse sofrimento de Viviane, que luta com todas as suas forças para conseguir o que é seu por direito: a liberdade. É triste saber que toda essa angústia sofrida por ela é derivada da ação humana. São homens que governam o tribunal rabínico e ela vai enfrentar esse absurdo processo "legal" durante anos. É lento e inconsistente. Suas leis são arcaicas, conservadoras e profundamente sexistas.

Viviane ama ou não o seu marido? Então, isso pouco importa para as pessoas. E desde quando parentes e amigos podem saber do emocional do casal e decretar que isso ou aquilo não é uma razão válida para o divórcio? A lei religiosa não considera os sentimentos, creio eu. Mas aí que entram os irmãos Elkabetz, que são os diretores. Eles tiveram a inteligência e sutileza de nunca querer passar um discurso antirreligioso, mas, ao invés disso, temos questionamentos sobre a aplicação rígida das normas dessa religião, que nega completamente o lado emocional, individual e humano das mulheres. O contraste com a consideração dos sentimentos humanos é tão assustador!

O cenário se desenvolve inteiramente dentro da sala do tribunal (e na sala de espera, que pode ser considerada como uma extensão). O trabalho de câmera é excelente, os retratos longos colocam os atores em destaque e quase obrigam a nós, telespectadores, a conhecer os personagens complexos do filme de uma forma bem adequada. Tudo é muito bem executado, mas o principal é o seu roteiro e os atores, que são, ao mesmo tempo, muito convincentes. O rosto pálido de Viviane destaca como são incríveis suas expressões de dor e tristeza, mas também de determinação. É essa determinação que faz de Viviane uma personalidade forte. O seu marido parece mais fraco, mas a partir de sua atitude e olhares casuais, percebe-se uma aparente agressão e, no mesmo passo, passividade, por mais paradoxal que isso possa parecer. Enquanto isso, seus advogados fazem o seu melhor para levar as coisas ao limite.

O tema abordado, os direitos das mulheres em Israel, é muito importante e nos faz problematizar as relações interpessoais naquele contexto. O filme funciona muito bem como um drama, onde cada pessoa é tratada com cuidado suficiente para evitar o maniqueísmo. Explicações sociológicas e psicológicas são propostas para entender as atitudes de cada um, tornando-se impossível ser limitado a uma história: a de uma mulher que enfrenta seu marido. Existem outras coisas envolvidas, a montagem é interessante, valorizando os rostos (algo muito focado), olhares e gestos daqueles que, mesmo silenciosos, são tão convincentes e comoventes. As aparências e os comportamentos fazem sentido, revelando diversas vezes a má vontade dos juízes, que se recusam a ver e ouvir algumas vezes. A rigidez do quadro e a nitidez do corte sempre impressionam.

Enfim, é um filme importante para ver. Eu espero que todos que apreciam cinema, ou até mesmo aqueles que tenham interesse em políticas lá de fora, assistam essa preciosidade

Por Luis Carlos da Costa, em 28/06/2018 Avaliação:                   9.0
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 Julgamento de Viviane Amsalem, O
(Gett, 2014)
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