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Ônibus 174

(Ônibus 174, 2002)
Por Gustavo Hackaq Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

No mundo em que vivemos, somos movidos pelo senso comum. Todos nós sabemos que a cada esquina pode acontecer o pior, que podemos não voltar pra casa no final do dia, mas ele nos auxilia em, mecanicamente, seguirmos com nossas vidas. Se parássemos para avaliar criticamente o quanto a violência reina nas ruas, talvez nem saíssemos de nossas camas. E foi num dia corriqueiro, onde o senso comum continuava operando, que várias pessoas foram reféns de Sandro do Nascimento, no ônibus da Linha 174 em janeiro de 2000 no Rio de Janeiro. José Padilha, a partir desse acontecimento, cria o documentário Ônibus 174.

O interessante é que em momento algum o diretor quis ser tendencioso para algum dos dois lados (os das vítimas versus o do bandido). No início do filme, sentimos um ódio destilado pelo ato hediondo cometido por Sandro, todavia, no seu decorrer, esse ódio é amenizado. A fita começa a desmembrar a vida do bandido, a mostrar suas raízes e bases, e assim vemos que a vítima de tudo aquilo é, antes de qualquer coisa, o próprio Sandro. Toda sua história o leva para aquele lado, e seria sorte se ele conseguisse desviar. O descaso gritante da sociedade com os chamados “homens invisíveis” acarreta numa série de desestruturas sociais que acabam sempre no mesmo ponto final. O ato de ignorar os “invisibilizados” é absurdamente cometido por você, por mim, por todos, e isso agride e humilha fortemente. Do outro lado, a “segurança” entre aspas das mesmas ruas onde os bandidos vagueiam se mostra precária, não só nos termos de armamento, mas sim no primordial: o psicológico. Sem composição emocional, nem toda a munição do mundo é capaz de ser eficaz, e nesse episódio isso é deixado de forma bem clara. Diversas situações poderiam ter sido evitadas com um preparo mental melhor; sim, aquela era uma situação extrema, e todos ali são seres humanos, porém, se carregar uma arma fosse a única função de um policial, qualquer um poderia ser. Todo esse redemoinho de fragilidades pode ser comprovado no “ato final” do filme, onde uma refém acaba sendo morta por um policial.

O documentário só pode ser feito graças à cobertura televisiva que aconteceu no momento do sequestro. As inúmeras câmeras que captavam com ânsia o horror estavam lá simplesmente para registrar um fato que marcaria a história, mas Sandro, inesperadamente, se torna o maestro e protagonista – literalmente – do ato aterrorizante e passa a manipular todos os meios de comunicação para se “auto promover”, ter seus quinze minutos de fama (como nos momentos em que ele pede para uma das vítimas escrever com um batom nos vidros do ônibus). A mídia, espertamente, colocou-se logo à disposição, já que Sandro estava apenas cavando a própria cova com aquilo, o que geraria a condenação em massa; fora a audiência que foi às alturas.

Seria muita hipocrisia falar algo na linha de “quem somos nós, meros cidadãos, para julgar o que aconteceu”. Sim, todos nós julgamos, falamos e apontamos o dedo. Padilha consegue com louvou ser o mais imparcial possível (dentro do limite da utópica imparcialidade), e abre um leque de rumos que levou ao ocorrido, o que nos deixa aberto para pensarmos e debatemos. Porque, para conseguimos um dia, mesmo que longínquo, mudar essa realidade, temos que parar e tornar visíveis e palpáveis os pobres Sandros do Nascimento Invisíveis que tanto cruzam por nós. E que na maioria das vezes nem percebemos.

Por Gustavo Hackaq, em 10/04/2012 Avaliação:                   9.0
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