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Passageiros

(Passengers, 2016)
Por Danilo Calazans Avaliação:           5.5
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

‘Cada momento conta’.

Os prós e contras de 'Passageiros' em 7 tópicos simples e objetivos.

RESUMO: No espaço, a nave Avalon está no seu longo caminho de 120 anos para chegar a um novo planeta colonizado, que irá abrigar mais de cinco mil pessoas que estão a bordo da nave em busca de um novo lugar para morar. Entretanto, um mau funcionamento na nave desperta dois passageiros muito antes do tempo, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence), com ainda 90 anos para chegarem ao seu destino. A direção é do norueguês Morten Tyldum, que despontou com o thriller ‘Headhunters’ na sua terra natal, mas talvez você o conheça pelo drama biográfico ‘O Jogo da Imitação’, pelo qual foi indicado ao Oscar de Melhor Direção. Ele dirige o roteiro escrito por Jon Spaiths, experiente no gênero da ficção científica, como fez em ‘Prometheus’ e ‘Doutor Estranho’.

QUAIS TEMAS O FILME ABORDA? ‘Passageiros’ é um filme muito abrangente tanto em temas, quanto em gêneros também. Como os trailers já indicavam, a história é um misto de ficção científica com suspense. Mas, durante o filme há uma boa dose de romance com pitadas de humor, com alguns momentos de ação e ainda um complexo dilema que ao menos deveria trazer para o filme uma boa carga dramática. Infelizmente, contar com toda essa variedade acabou mais prejudicando do que agradando, como veremos mais a frente. Com relação aos temas, ‘Passageiros’ também é bastante eclético, levantando questões sobre culpa, decepção, solidão, amor e perdão, por exemplo. Há também a questão de aproveitar a vida, pois nunca se sabe o que o amanhã nos reserva – há um diálogo interessante entre Chris Pratt e Michael Sheen onde o protagonista diz que ‘o universo é perverso, você tem a possibilidade de mudar de planeta, mas pode morrer no caminho’. Essa contradição da frase ajuda a reforçar o tom ‘agridoce’ da história, onde um sonho pode se tornar um pesadelo em questão de minutos. Uma curiosidade, ‘Aurora’ – que é o nome da personagem de Jennifer Lawrence – é também o nome de um livro de um dos escritores contemporâneos de ficção científica mais respeitados nos EUA atualmente, Kim Stanley Robinson, que também conta a história de uma viagem interestelar que deu errado.

ROTEIRO: O roteiro do filme esteve presente na famosa ‘blacklist’ em 2007, ou seja, aquela lista onde são destacados os roteiros mais promissores que não conseguiram ser produzidos. Porém, citando a famosa frase ‘treino é treino, jogo é jogo’, um roteiro pode parecer incrível no papel, mas dependendo de todas as variáveis da produção e direção, o resultado final pode ser completamente diferente. E infelizmente é o acontece com o filme. Como mencionei anteriormente, ao tentar abordar tantos temas e passando por tantos gêneros diferentes, o filme foi perdendo sua identidade aos poucos, abandonando a boa atmosfera de mistério que preenche o primeiro ato para se tornar cada vez mais repetitivo e previsível do meio para o final. Mesmo que não aconteça muita coisa no início, o carisma de Chris Pratt funciona em momentos bastante divertidos explorando a nave (como por exemplo, mesmo no futuro as máquinas continuam burocratizando a vida das pessoas).

PERDENDO O FIO DA MEADA: ‘Passageiros’ é um filme bastante intimista por se passar em um lugar isolado e ter basicamente apenas três personagens que interagem entre si durante todo o filme. Quando bem dirigida, uma história assim consegue manter o interesse do espectador se houver um mistério ou enigma que mantenha a atenção do público até o final, como fazem os filmes ‘Lunar’ e ‘Locke’, por exemplo. Entretanto, na minha opinião, ‘Passageiros’ se perde por alguns erros cruciais cometidos. O primeiro é que o mistério que sustenta todo o conflito entre os dois protagonistas não é revelado no clímax final do filme, e sim no meio da história. Como é um momento de carga dramática muito elevada e ocorre muito cedo, dali para a frente é só ladeira abaixo em termos de tensão e o terceiro ato vira uma correria previsível como já vista na maioria dos filmes genéricos de ação. O segundo ponto foi a má escalação de Chris Pratt. O ator é ótimo na sua zona de conforto, com seu bom humor galanteador característico, mas nas cenas mais intensas, quando o filme precisa de uma investida mais dramática, Chris não corresponde. E esse problema fica ainda mais evidente em comparação com a entrega emocional de Jennifer Lawrence, absolutamente em níveis completamente diferentes. E por fim, diálogos ruins e repetitivos (em uma cena Chris pega um barbeador em frente ao espelho e solta a incrível frase ‘eu vou fazer a minha barba’), além de um final mal construído e previsível.

CONTROVÉRSIA E ATRIBUTOS TÉCNICOS: Em meio as questões que o filme levanta, está um assunto bastante delicado (que só poderia ser aprofundado por mim em uma análise com spoilers), que é relativamente bem construído, mas ao longo da trama tem seu desenvolvimento abandonado para dar lugar a uma história de amor. Se você estivesse em uma ilha deserta e pudesse levar alguém, levaria? É de se pensar... Provavelmente vai gerar certa polêmica e dividir as pessoas. Mas, talvez o grande elogio do filme seja o incrível conceito visual da obra. A direção de arte buscou construir o máximo possível de efeitos práticos que ao mesmo tempo em que mantém uma estética bonita e futurista, trazem uma sensação de ‘realidade’, algo que apenas um efeito visual talvez não tivesse o mesmo resultado. Outros elogios vão para os conceitos tecnológicos utilizados, excelentes efeitos 3D (coisa rara) e a trilha misteriosa do genial Thomas Newman funciona em boa parte das cenas. Ah, e a fotografia de Rodrigo Prieto (possível candidato ao Oscar por ‘Silence’ este ano) também consegue captar imagens belíssimas através de suas lentes (a cena do passeio no espaço é muito bem filmada, por exemplo).

DESPERDÍCIO DE UM BOM POTENCIAL: Apesar de conceitos visuais realmente bem feitos e interessantes, é uma pena que a jornada de ‘Passageiros’ nunca decola. A dificuldade de Chris Pratt em expressar remorso, dilema, o abandono do mistério sci-fi para priorizar um romance clichê (que até repete frases de ‘Titanic’, como ‘essa nave é impossível de dar defeito’ ou ‘você morre, eu morro’), o surgimento absurdo de um personagem simplesmente para explicar certas situações e em seguida ser descartado de forma ridícula e as refilmagens que foram feitas segundo a imprensa para ‘consertar’ certos elementos da história que não estavam funcionando, certamente foram fatores determinantes para o desperdício do bom potencial que a história tinha. E pensar que Keanu Reeves recusou o papel principal para o filme...

CONCLUSÃO: Grande parte da responsabilidade de ‘Passageiros’ não funcionar é a fraca direção de Morten Tyldum. Há um desperdício da sensação de isolamento que poderia ser melhor explorado, há cenas onde o filme poderia ser sexy, mas os momentos de paixão são abruptamente cortados impedindo a relação dos protagonistas de ficar mais plausível, etc. A montagem também não ajuda, pois como a grande revelação do filme ocorre muito cedo, do meio para o final a história começa a ficar previsível e maçante. Fãs da dupla principal e que não se importam com um romance blasé, podem não se incomodar e se envolver melhor com a história, mas para os espectadores mais exigentes, apenas o visual não é suficiente para encobrir uma história confusa e cheia de furos.

E você, já assistiu ou está ansioso para ver? Concorda ou discorda da análise? Deixe seu comentário ou crítica (educadamente) e até a próxima!

Para a versão com imagens acesse: www.pipocadepimenta.com

Por Danilo Calazans, em 06/01/2017 Avaliação:           5.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Silvio Pilau 5.5
• Marcelo Leme 6.0
• Rafael W. Oliveira 2.0
• Felipe Ishac 4.0
•  Média 4.9
Notas - Usuários
6.1/10 (99 votos)
Minha nota:
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 Passageiros
(Passengers, 2016)
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