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Roma

(Roma, 2018)
Por Marcos Antonio Gomes Pena Júnior Avaliação:                 8.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Este comentário revela detalhes da história do filme.

Contrastes de bravuras
Por Marcos Pena Jr - www.marcospenajr.com

Crítica a “Roma” (Alfonso Cuarón, 2018)

Roma se inicia com uma longa cena em que a câmera está focada no piso de pedras de cimento queimado cinzas e irregulares. Passa praticamente sem som, transmitindo um ar de dramaticidade intensa, que estará presente em todo o filme. Em determinado instante da cena surge um som de água. Trata-se de água sendo jogada no chão para limpá-lo. Nela se faz reflexo do céu, o que nos permite reconhecer um pouco do ambiente, do que aparenta ser o interior de um prédio em que consta uma área a céu aberto (o que se confirma na sequência). No reflexo é possível ver um avião passando no céu. Essa é uma imagem poderosa, cheia de simbolismo que também será utilizada outras vezes (em especial no desfecho do longa).

O filme relata a vida de uma família de classe média no México dos anos 1970, com a explícita dramaticidade das relações sociais. Uma série de “leituras” nesse sentido está disponível. Para uma pessoa de “subcategoria”, talvez seja agradável “estar morta”. Só assim há algum descanso em sua vida. Até a hora do lazer noturno é momento de trabalho duro, entregar prato na mão do patrão e recolher toda a bagunça. Tempo é precioso e já que há quem possa colocar as crianças para dormir (e lhes ensinar rotinas, inclusive sobre o sagrado, nesse momento), porque desperdiçar o escasso recurso com isso?! Que usem os seus as empregadas, afinal para isso recebem! Qualquer mínima oportunidade, esportes, artes marciais, entretenimento, pode ser a oportunidade pra uma vida com algum significado e menos sofrida.

Abastança, exagero, desperdício, regra no andar de cima do edifício.

O significado da cena do incêndio no campo é muito ilustrativo disso tudo. Há uma “demonstração” clara a respeito de quem trabalha, quem não tem a mínima ação e fica só assistindo e “mandando” e quem praticamente se diverte. Isso parece apresentar um ponto muito forte sobre o argumento do roteiro. O contraste entre problemas da família de classe média (a separação) e a “índia órfã”, sua empregada (grávida abandonada e um natimorto); bem como dos meios para “aliviá-los”, uma viagem à praia, no caso da família, e a rotina normal de trabalho praticamente ininterrupto, no caso da empregada.

Outro fator de destaque é a forte diferença entre a vida no campo (tranquilidade, sons da natureza, visão aberta, atividades em comunidade e praticamente todos atuando numa mesma perspectiva) e na cidade (barulhos artificiais, concreto, sem natureza, multidão aglomerada com cada indivíduo focado na sua própria vida).

Ainda que de maneira breve, a obra também apresenta a convulsão política e social vivenciada pelo país naquele momento. Enfrentamentos entre estudantes/revolucionários e governo não foram incomuns. Embora isso faça parte do contexto da história, não parece ser o foco do que se quer apresentar. Além desse ponto, outro que se apresenta de maneira destacada é a condição social da mulher em tal contexto. Uma condição de batalha praticamente solitária, independentemente de geração e de classe econômica.

Existem muitas sequências de cenas desencaixadas, ou melhor, em que a sequência cronológico-argumentativa parece ser quebrada. Isso dificulta um pouco a (re)construção do raciocínio que o roteirista quer apresentar. Um pouco mais de atenção a esse detalhe elevaria sua qualidade e tornaria o filme mais atraente. Isso se junta a um pequeno problema de timming de execução de cenas, como naquela em que o compadre da Sra. Sofia (Marina de Tavira) tenta agarrá-la na varanda da casa de campo; o casamento entre o momento em que Cleo (Yalitza Aparicio) “flagra” isso ocorrendo e o desfecho da cena ficou bastante comprometido. Esse é o tipo de falha que ocorre com certa frequência em Roma. São falhas que o aclamado e premiado diretor Alfonso Cuarón (Gravidade) deixa passar.

Não há como deixar de fazer menção à competente produção do longa. Ambientes, construções, itens de época como os carros, os ônibus e utensílios do dia-a-dia são perfeitos e acrescentam verossimilhança à película.

A trama toda se desenrola com base nos contrastes entre a vida da família e de sua empregada Cleo. Esse é o ponto central do argumento do roteiro, como vivia uma família de classe média de ascendência européia no México dos anos 1970 e como era a vida de indígena de raízes verdadeiramente mexicanas na mesma época. Na Roma antiga, quando o império romano conquistava uma nova região e, por consequência, seu povo, ele não aniquilava os conquistados. Roma mantinha os conquistados em condição de servilismo, mas assimilava sua cultura e permitia a convivência cultural corriqueira. Vejo isso demonstrado no roteiro do filme, a apresentação da classe média de ascendência europeia desfrutando de uma vida razoavelmente confortável, enquanto os conquistados indígenas continuavam perdendo suas terras e encontravam na submissão econômica e social os meios de sobrevivência. O título “Roma”, que pode parecer não fazer sentido, não foi escolhido a toa.

Por Marcos Antonio Gomes Pena Júnior, em 27/12/2018 Avaliação:                 8.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 4.0
• Rodrigo Cunha 9.0
• Régis Trigo 7.0
• Silvio Pilau 8.5
• Heitor Romero 8.5
• Marcelo Leme 8.5
• Bernardo D.I. Brum 8.5
• Léo Félix 8.0
•  Média 7.7
Notas - Usuários
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