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COMENTÁRIO
Terra de Ninguém
(No Man's Land, 2001)
Por Rosana de Almeida Machado Avaliação:                 8.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Um filme/documentário/critica muito bom, tanto que foi premiadíssimo, culminando com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2002, uma critica a guerra do ponto de vista de quem sofre com ela, os soldados, uma critica a neutralidade e omissão da ONU ao oportunismo da imprensa em geral, a intolerância mundial. Um retrato impracial, onde o diretor quis expor os fatos sem dar a razão a um ou outro lado, muito pelo contrario, mostrando a frieza da guerra em seus piores aspectos, ate porque não existe nenhum lado positivo da guerra.

O filme inicia se com Chiki e seu grupo de soldados bósnio perdidos em meio à neblina, quando amanhece percebem que estão do lado sérvio e são bombardeados por eles, Chiki consegue escapar caindo numa trincheira, que fica entre Bósnios e Sérvios, do lado sérvio o capitão escala dois soldados para averiguarem a situação, ao chegarem na trincheira armam uma mina sob o corpo de um inimigo dado como morto, porém num descuido Chiki atinge Nino com um tiro na barriga e mata seu companheiro. Então ambos ficam ilhados porque o que fora morto sabia onde se acham as minas. Para aumentar o drama, o soldado sobre a mina acorda, tendo de ficar imóvel, caso contrario tudo num raio de 50 metros iria para os ares. Quando parece que as coisas vão melhor com a chegada da ONU é que os problemas burocráticos e hierárquicos interferem e prejudicam a tentativa de salvamento, com a ajuda de uma repórter de uma rede de Tv o assunto torna se publico, o brigando a ONU a tomar um atitude imediata.

O diretor e roteirista Danis Tanovic participou durante 2 anos da guerra da Iugoslávia fazendo um documentário e após o fim deste projeto surgiu a idéia de um longa sobre a guerra, então produziu o “Terra de ninguém” que foi incrivelmente foi escrito em 14 dias, filmado em 26 e editado em 12, foi ele também responsável pelo som do filme, sua intenção era se aproximar ao Maximo do som ambiente o que conseguiu perfeitamente, ele só utiliza musicas em raros momentos como inicio, fim e no momento em que um dos soldados esta ouvindo um walkman. Alternando os tiros com os zzzz das moscas e silêncio da solidão. Uma curiosidade a camiseta dos Rolling Stones que Chiki, Danis usou uma camisa do U2 durante a guerra na confecção de seu documentário.

Um drama com algumas pitadas de humor, que foi ate chamado de humor negro pela situação em as piadas eram feitas, como num momento de discussão Nino atira sem querer, ou numa discussão entre o bósnio e o sérvio sobre quem começou a guerra e Nino pressionada pelo cano do rifle admite “nós”, porem minutos depois Chiki se encontra na mira do rifle de Nino que pergunta quem começou a guerra, no que prontamente Chiki reponde “nós”.

Com uma pitada de documentário Danis inseriu alguns flashes com reportagens sobre a guerra para explicar algumas questões, então ai vai um pouquinho de historia a Guerra da Bósnia foi uma guerra civil pelo controle da Bósnia e Herzegovina ocorreu entre 4 povos: sérvios (cristãos), croatas (católicos) e bósnios (muçulmanos) e Croatas. Durou 2 anos e 8 meses e deixou 200 mil mortos.

Uma bela fotografia mesclando cenas terrestres da guerra, com o céu limpo de um dia ensolarado, sangue e o campo verde, provavelmente não é um primor fotográfico, mas se sai bem naquilo que se propôs a fazer, mostrar os contrates e a dor da guerra. Como o próprio Danir diz: “De um lado, um longo dia de verão – natureza perfeita, cores fortes – e do outro, seres humanos e sua loucura negra.”

É difícil você ver um filme de guerra com menos de 70 personagem entre atores e figurantes, mas Danis conseguiu esta proeza com apenas 3 protagonista Branko Djuric (Chiki), Rene Bitorajac (Nino) e Filip Sovagovic (Cera) não muito conhecidos por aqui, mas que dão um show de interpretação, transmitindo toda dor, raiva, o companheirismo de Chiki, a angustia de Cera, Nino no inicio frágil novato e por fim vingativo . assim como Georges Siatidis (Sergeant Marchand) e Katrin Cartlidge (Jane Livingstone) o sargento da ONU e a repórter, que cumprem bem a missão.

O filme retrata principalmente o lado psicológico da guerra, em que ambos os lados tem a plena certeza de que eles, apenas eles tem a razão, o outro lado é o mal, o bandido, só que na verdade ambos tem razão e ao mesmo tempo estão completamente errados, e o pior numa guerra nunca terá vencedores porque o numero de perdas é sempre suficiente maior do que a vitória, quantos vidas perdidas, quantos feridos, quantos cidades, casas, famílias, monumentos históricos, quanto dinheiro gasto, quanto terror psicológico, quanto dor e tanto trauma. Após vermos os 3 personagens principais mortos, está ironia de sobreviver a guerra, mas não ao orgulho ferido, a fome de vingança, nos faz ver o quão mesquinhos somos. É um filme não só para se assistir, mas para pensar, se questionar, não estaremos nos também em guerra todos os dias, com algum colega de trabalho, parentes, rivais. Um tapa com luva de pelica, mostrando todas as mazelas dos seres humanos, ditos racionais.

Desfecho triste, inesperado e que nos fazem refletir do porque da guerra, qual seu sentido, seu objetivo, quão absurda é, como diz a musica do Titãs “nenhuma idéia vale uma vida” em que a câmera fica alguns segundo sobre Cero, mostrando a solidão e o abandono, no silencio e depois uma musica triste, fazendo com que nos revoltemos contra isso tudo, Onde estão as nações Unidas, o amor e piedade pelo próximo, inacreditável tanta covardia e negligencia. O sargento da Onu diz em determinado momento “Diante de tantas agressões como essa, é impossível falar em neutralidade. Não fazer nada é tomar partido.”, pois é, quando nos cruzamos o braço estamos escolhendo o pior lado para apoiar, o da negligencia.

Por Rosana de Almeida Machado, em 29/02/2008 Avaliação:                 8.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 8.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 6.0
• Emilio Franco Jr. 8.0
•  Média 7.5
Notas - Usuários
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