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Uma Prova de Amor

(My Sister's Keeper, 2009)
Por Gabriel Zanchin Avaliação:     2.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.


Insuportavelmente melodramático, como toda obra de Nick Cassavetes

Filho do grande diretor John Cassavetes, Nick Cassavetes parece ter desaprendido tudo que aprendera com o mestre (ou talvez nunca tenha tomado ciência). É que ao contrário do pai, que em suas obras buscava promover um olhar sobre os sentimentos humanos com sensibilidade, Nick vem impondo em toda sua filmografia elementos manjados que compõem o vasto gênero “drama”. Seus filmes considerados “sucesso” utilizam os truques comerciais para adquirir simpatia do grande público adepto de melodramas, visto todo o jogo manipulativo embasado no poder da família explorado em Um Ato de Coragem e no barato romancezinho agridoce de Diário de uma Paixão. Quando não o fez, acabou por resultar em produções nulas (Alpha Dog). Uma Prova de Amor, novo filme de Cassavetes recém lançado nos cinemas brasileiros, pega um pouco da fórmula de cada sucesso de seu histórico: tem o cenário da família unida mas rachada por algum agente externo (em Um Ato de Coragem era o transplante do filho de Denzel Washington), perfeito para algum tipo de redenção, tem o melodrama apelativo das massas e claro, um elenco de nomes conhecidos mas que não possuem qualquer talento (bom, pelo menos não aqueles que a história requer).

Uma Prova de Amor (juro, estou até agora procurando ela) conta a história de uma família norte americana que vive feliz, muito obrigado, mesmo com uma das filhas portadora de uma doença terminal, que aqui toma a forma de leucemia. Kate sobrevive graças à sua irmã Anna (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sunshine, mas que agora já está crescidinha e sem graça), que fora planejada para doar à irmã mais velha seu sangue, e possivelmente órgãos que lhe fossem pedidos pela demanda. Entrando na adolescência, Anna questiona a importância de seu ser dentro da família e cansada de ser explorada sem ser questionada se é o que deseja pelos pais resolve juntar algumas economias e contratar um famoso advogado para pedir emancipação médica de seu corpo. A partir daí abre-se brecha para todos aqueles draminhas, do tipo “até onde vai o direito de salvar alguém” ou “até que ponto deve-se sacrificar por um ente querido”.

O grande problema não é todo o jogo de manipulação que Cassavetes utiliza para virar o espectador do avesso de tanto chorar, mas sim toda a forma esquemática com que trata das situações. Ele fragmenta a ordem dos acontecimentos, recolhendo depoimentos (dos personagens fictícios, vejam só) ou se aproveitando de algum olhar de peixe morto dos integrantes da trama para então rechear o conteúdo com passagens da memória de algum indivíduo. Além de fazer isto diversas vezes, estabelecendo um clima anárquico dentro da harmoniosa proposta, Cassavetes se prolonga, se arrasta, se esquece de retornar ao tempo real, confundindo o espectador desnecessariamente. Em sua maior mancada, na qual descreve todo o namoro de Kate com outro menino também portador de câncer, o diretor faz um retrocesso temporal que dura mais de 10 minutos; quando retorna, o público tem que se esforçar para se recolocar dentro da trama.

Fora estes e outros delírios que vem de brinde (Cameron Diaz fica careca, logo depois já esta com a cabeleira loura novamente), ainda sobra espaço para toda a clichêzada, que não pode ficar de fora de produções como esta. Esta lá o sofrimento da menininha indefesa contra o câncer muito bem explorado se a ótica do convencionalismo é a que está em atividade, as briguinhas triviais que são solucionadas ao som de alguma aprazível baladinha e que no fim acabam por reforçar a imagem de família que se ama, as tomadas simbólicas de poesia barata (já vim em outros filmes aquela cena de Jesse no topo do prédio jogando ao vento pedaços de papel) e as relações sem quaisquer atritos a não ser os fenômenos que não se podem controlar – no caso, o namoro de Kate é interrompido pela doença do amado. O final no melhor estilo O Segredo de Brockeback Mountain!

Esteticamente, Uma Prova de Amor é um show de pedantismo por parte de Cassavetes. Utilizando um efeito muito semelhante ao do brush presente em ferramentas de edição de imagens em conjunto com uma descolorização dos tons fortes (e acentuando a iluminação), o diretor deixa ainda mais implícito a representação de uma história que trata da fragilidade de uma pessoa com um pé na cova. Sempre tem também uma caprichada maquiagem, para dar uma aparência ainda mais moribunda à Kate e facilitar a aproximação dela com o público. Em certas cenas, é inevitável que você escutará na sala de exibição algum comentário do tipo “tadinha” ou “pobrezinha”.

Pode parecer cruel, mas é bem por aí que o cineasta se baseia para dar sustentabilidade ao longa. Ele é feito para fazer chorar, e só. Quando não consegue colocar quem assiste em estado lacrimal, pode-se dizer que é um fracasso. Comparando este à um filme do ano passado, Sete Vidas, que possuía um objetivo em comum ao de Cassavetes, levar o público aos prantos, este Uma Prova de Amor é muito inferior. Ao contrário do longa metragem de Gabriele Muccino, ao qual depois de um ardiloso jogo de manipulação evidente mas sutil conseguia extrair soluços da platéia, este aqui nem isto consegue. E por isso é passível de ser colocado de lado sem qualquer pudor.

Por Gabriel Zanchin, em 04/10/2009 Avaliação:     2.0
Notas - Equipe
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• Rodrigo Cunha 7.0
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• Silvio Pilau 7.0
• Heitor Romero 8.0
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