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|| crítica ::.
Hana-bi - Fogos de Artifício
(Hana-bi, 1997)

Por Flávio Augusto
23/05/2005

 Takeshi Kitano é outro diretor japonês da atualidade de grande destaque. Hana-bi é um de seus bons filmes.

Não há como negar: Takeshi Kitano é, nitidamente, o grande nome das artes contemporâneas japonesas. Nascido em 1947, tornou-se ator, diretor, roteirista e passou a vivenciar vários momentos importantes da cinematografia nipônica. Seus filmes são famosos no Japão e no mundo pela sensibilidade única e pelo modo como a estética inteligente mescla-se com enredos de profundo humanismo.

Em Hana-bi, Fogos de Artifício, Kitano assume papel de diretor, roteirista e ator e constrói um mundo violento e moderno, mas carregado de sentimentos. Ele interpreta Nishi, um policial que procura um mundo pacífico e tranqüilo, onde possa refugiar-se. Antes um simples policial que rondava a cidade com os colegas de trabalho, Nishi é atingido por um episódio violento e passa a buscar um sentido novo para a vida.

O protagonista não é realmente dos mais felizes. Seu amigo foi emboscado pela máfia, sua mulher tem uma doença terminal e sua filha morreu ainda jovem. Em sua luta por uma vida mais calma, a realidade severa conflitua com as idealizações do policial, como se o impedisse de atingir seus objetivos.

Hana-bi é um filme denso, mas que curiosamente não exige grandes atuações. Takeshi Kitano, como de praxe, rouba a cena. Nichi quase não tem falas, o que reflete sua personalidade introvertida e reservada, mas os momentos silenciosos pelos quais passa a personagem abrem para o espectador um leque de reflexões. São as reflexões, inclusive, que fazem de Hana-bi o filme imensamente humano que de fato é. A própria montagem do filme faz o espectador pensar, porque são o pensamento e o questionamento que maquinam a cinematografia de Kitano.

É também em Hana-bi que Kitano dá forma a seu estilo de direção, altamente consolidado em Dolls. A linguagem cinematográfica aqui utilizada já explora as metáforas visuais que o diretor tanto adora. O trabalho de edição é menos engenhoso que o visto em Dolls, por exemplo, mas contém idéias bastante interessantes e reserva surpresas.

O modo como Takeshi Kitano utiliza cores, formas e imagens para compor cenários e cenas sintetiza seu sensível estilo de direção. A fotografia não é poética ou deslumbrante, mas sim real e cotidiana, o que aplica ao filme um tom natural e urbano, bastante contemporâneo. É na contemporaneidade, aliás, que Kitano encontra espaço para fazer seus filmes. Ele retira do mundo moderno a essência de seus histórias e outros elementos importantes, como a violência sempre presente, que em Hana-bi tem um quê de Quentin Tarantino.

Hana-bi, Fogos de artifício demonstra de maneira concreta o verdadeiro Takeshi Kitano. Não aquele excelente diretor, ator ou roteirista, mas sim o ser humano sensível que está por trás das lentes. Seus filmes são uma nova experiência cinematográfica, por oferecem momentos de reflexão e sensibilização tão raros nas grandes produções. Kitano abunda naquilo que falta ao mundo mecânico atual: sentimentos.


Por Flávio Augusto
23/05/2005
|| notas ::.
 » Avaliação: 8.5
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- Andy Malafaya 6.5
- Régis Trigo 7.0
- Média 6.8
Avaliação: 8.9 (8 votos)
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|| ficha do filme ::.
 Hana-bi - Fogos de Artifício
(Hana-bi, 1997)
» Direção:
- Takeshi Kitano
» Elenco:
- Takeshi Kitano
- Kayoko Kishimoto
» Sinopse: Nichi é um policial cujo melhor amigo foi emboscado pela máfia e cuja mulher tem uma doença terminal. Ele quer vingar o amigo e também viajar com a mulher para aliviar seu sofrimento. Duelam incessant...
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