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|| crítica ::.
O Corte
(Couperet, Le, 2005)

Por Ary Monteiro Jr.
05/06/2006

 Costa-Gavras arrisca uma comédia mas não larga os temas políticos, o desemprego e exclusão levando um cidadão ao limite.

O cineasta Costa-Gavras é conhecido por filmes políticos como Desaparecido ("Missing" de 1982, que recebeu indicações ao Oscar incluindo melhor filme e levou o de roteiro adaptado) e  o recente Amém, que lidava com a omissão da igreja ao Holocausto. Em O Corte, ele lida com a questão do capitalismo, ganância corporativa e do desemprego, mas utilizando a melhor forma de crítica, a comédia. Mais precisamente o humor-negro.

Bruno Davert, um executivo da indústria de papéis, está a dois anos sem conseguir emprego e ao ver suas economias chegarem ao fim sente que seu estilo de vida está ameaçado. Isso acaba fazendo com que Bruno enlouqueça e comece a traçar um mirabolante plano para recuperar seu emprego: assassinar o homem que ficou no seu lugar e todos os possíveis concorrentes. Qualquer semelhança com a recente situação da brasileira que mandou matar sua concorrente ao emprego é mera coincidência, mas acaba por trazer a história, por mais absurda que seja, mais próxima de nós. O filme alterna as incursões criminosas de nosso anti-herói com uma outra empreitada igualmente complicada, que é manter sua família na ignorância e unida apesar da crise.

As investidas do desajeitado serial killer rendem risadas e é notável como Gavras sustenta o humor e o suspense após tantos anos de filmes densos e sérios, aqui ele se diverte, inclusive brincando com clichês de filmes americanos como o noticiário de televisão que sempre fala sobre o assunto do filme na hora que os personagens principais estão vendo, ou ao exagerado product placement que pontua o filme inteiro mas você nunca sabe exatamente que produto é. Dividindo boa parte dos méritos está a ótima atuação de José Garcia, que com sua aparência mediocre e ótimo timing consegue convencer a platéia como cidadão comum levado às últimas consequências, mesmo que a verossimilhança de alguns acontecimentos seja duvidosa. Acho que todo mundo que já esteve desempregado por um longo período vai se identificar com o drama e (espero) rir com Bruno.

O Corte só peca por se estender mais do que o necessário, o filme se beneficiaria de uns bons 20 ou até 30 minutos menos. Felizmente ele consegue prender a atenção e ainda tecer um ácido comentário sobre o nosso tempo, onde o homem vale apenas pelo dinheiro e as coisas que possui. O filme chegou a receber duas indicações ao César, melhor ator para José Garcia e melhor roteiro adaptado.  


Por Ary Monteiro Jr.
05/06/2006
|| notas ::.
 » Avaliação: 8.0
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 » Usuários ::.
- Andy Malafaya 7.0
- Alexandre Koball 7.0
- Régis Trigo 5.0
- Média 6.3
Avaliação: 7.8 (35 votos)
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|| destaques ::.
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|| ficha do filme ::.
 Corte, O
(Couperet, Le, 2005)
» Direção:
- Costa-Gavras
» Elenco:
- José Garcia
- Karin Viard
» Sinopse: Bruno Davert é um executivo desempregado a dois anos. Para voltar ao cargo que tinha na empresa que trabalhava, ele decide assassinar o atual ocupante do cargo e todos os concorrentes da empresa que p...
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»  Amém
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