Vendo O Clube dos Pervertidos, de John Waters, fica-se sabendo de várias taras sexuais desconhecidas. Uma delas é a misofilia, a atração sexual por sujeira, pois um dos personagens do filme tem seu orgasmo ao engolir um lenço de papel de uma mulher que acabara de assoar o nariz nele. Depois ele lamberá pneus. Aliás, lamber é outra tara. A personagem principal, interpretada por Tracey Ulman, gosta de ser inteiramente lambida. E mais uma sensacional, conhecida como "splosh": jogar comida nas partes íntimas.
É o universo de Waters, de Cecil Bem Demente e Mamãe é de Morte, ambas comédias muito críticas de pouco riso, irregulares demais para serem consideradas boas. Esse A Dirty Shame é melhor que os filmes citados, mais conhecidos, mas ainda inferior aos dois considerados suas obras máximas: Cry Baby e Pink Flamingos.
Só para constar, a história é a seguinte: uma mulher mal-humorada e assexuada leva acidentalmente uma cacetada na cabeça e, como efeito colateral, tem sua avassaladora libido despertada. Procura então o mecânico da cidade, espécie de líder de uma turma de viciados em sexo. A mãe dessa mulher, uma octogenária reacionária puritana, move então, na cidade, uma cruzada contra a putaria enquanto a neta (Selma Blair), depois de ter feito uma cirurgia nos seios para aumentá-los a um tamanho surreal, tem problemas mentais, pois o sangue não consegue chegar à cabeça.
E por aí vai. É quase um compêndio de variações sexuais, todas filmadas a fazer o público se dobrar de rir. Um casal se apaixona pelos vômitos um do outro. Uma solteirona gostava de se masturbar até mão ficar dormente, quando, por fim, se enforcava com o fio de telefones públicos (“auto-enforcamento erótico”). Um cidadão ensina como defecar enquanto se masturba, o chamado “tocando trombone”. A escatologia, também fiquei sabendo, não é apenas ter prazer com as fezes (cheiro e visão), mas em ver os parceiros mexerem nela.
Desnecessário dizer que é uma crítica ao neoconservadorismo religioso da era Bush filho.