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CRÍTICA

A Bela Junie

(Belle Personne, La, 2008)
Por Conrado Heoli Avaliação:               7.5
Uma visão madura sobre o amor na juventude e suas implicações.

Cineastas que se repetem podem ser facilmente identificados no cinema contemporâneo e, quando se constata a homogeneidade presente em suas obras, fica a impressão de que uma identidade própria se sobrepõe à importância que deveria ter o conteúdo daquilo que produzem. Christophe Honoré é um dos raros exemplos de realizador que, mantendo o mesmo gênero de cinema e com temática semelhante, está longe de soar repetitivo. Em seu novo trabalho, A Bela Junie, Honoré deixa de lado qualquer traço de otimismo presente em seu filme anterior, Canções de Amor, e realiza através de perspectiva bastante madura uma leitura singular sobre o amor.

Inspirado no romance A Princesa de Clèves, publicado anonimamente por Madame de La Fayette em 1678, A Bela Junie apresenta, através de uma gama enorme de personagens, o amor na juventude e suas mais diversas implicações, com ênfase nas paixões repentinas e arrebatadoras. A Junie do título, inquestionavelmente bela, é uma garota que se muda para a casa do primo após a morte da mãe e passa a frequentar a mesma escola e círculos sociais que o rapaz. Ela instantaneamente desperta o interesse de vários rapazes, e dois deles farão parte do triângulo amoroso complexo que a confunde: o colega de classe Otto e o professor de italiano Nemours.

As comparações entre Canções de Amor e A Bela Junie são inevitáveis, ainda que os filmes possuam tramas e narrativas muito diferentes. Se em Canções de Amor todo diálogo honesto e profundo era exposto pelos personagens através das ótimas composições do músico Alex Beaupain, em A Bela Junie Honoré procura, com a ajuda fundamental de seu elenco, demonstrar sentimentos e intenções através de olhares que em certos momentos dizem muito mais do que outras sequências faladas. Todo close do diretor em uma face pede por uma análise do espectador, que tem a oportunidade de conhecer melhor todos os envolvidos na ciranda amorosa de sua história. Uma das cenas mais belas da produção, que faz uso do artifício acima descrito, acontece na aula de italiano de Nemours, quando todos se calam para ouvir Maria Callas interpretando a dilacerante Il Dolce Suono, da ópera Lucia de Lammermoor. As expressões captadas pelas câmeras de Honoré são mais significativas que muitos dos diálogos presentes no filme.

Ainda em Canções de Amor, um dos principais questionamentos do diretor era, assim como o amor na juventude, a temporalidade evidente nos relacionamentos de hoje, questão explícita em uma das mais belas falas do filme: “Ama-me menos, mas ama-me por mais tempo”. Aqui tal tema é novamente levantado e refletido nos envolvimentos rápidos e superficiais dos personagens e, de forma evidente, aparece no diálogo entre Junie e Nemours, onde a primeira demonstra com franqueza toda sua insegurança sobre o destino de um relacionamento que sequer teve início. É interessante notar a insistência do diretor quando aborda novamente as relações amorosas gratuitas e apenas convenientes, que começam intensas apenas para, em pouco tempo, terminarem no sofrimento de um dos envolvidos. Essa é a realidade que desestabiliza Otto, Henri, Marie, Florence e ainda outros personagens de seu filme, que em algum momento priorizaram a impulsão do amor ao invés da razão e acabam feridos por suas escolhas.

Para enriquecer sua narrativa melancólica, Honoré conta com a fotografia inspirada de Laurent Brunet, que constrói uma Paris triste em seus tons apagados de cinza, responsável pela sensação de frio e solidão que apenas enriquece o contexto do filme. Honoré ainda conta com presenças marcantes de outros filmes seus, como a do próprio Beaupain, responsável pela tocante trilha sonora de A Bela Junie, que inclusive tem aqui uma de suas músicas interpretadas novamente por Grégoire Leprince-Ringuet, ator que deu voz à várias de suas composições em Canções de Amor. Ainda em A Bela Junie, Honoré trabalha mais uma vez com o prolífico Louis Garrel, Clotilde Hesme, e até mesmo inclui um cameo bastante simpático de Chiara Mastroianni.

Junto ao elenco supracitado se encontra Léa Seydoux, intérprete da “bela pessoa” que aparece no título original da produção. Lembrando um pouco a estonteante Laura Smet e ainda mais a musa da nouvelle vague Anna Karina, Seydoux é portadora de uma beleza que serve muito bem ao papel de Junie, que compete apenas com seu talento impressionante para o drama. Por citar o movimento máximo do cinema francês, as alusões à nouvelle vague não ocorrem apenas através da protagonista do filme, como também na forma com que Paris é retratada, na estética e, principalmente, no cinema de autor que Honoré sabiamente desenvolve.

Com uma gama imensa de pequenas histórias escritas através do olhar pouco romanceado de Gilles Taurand e do próprio Honoré, A Bela Junie merece ser visto pela forma com que aborda os temas já mencionados, sempre com muita razão e veracidade. O filme serve ainda como uma resposta ao infinito de produções comerciais açucaradas sobre o amor, que irresponsavelmente tratam da temática universal de forma frívola e tendenciosa. Se o amor é doce ou amargo cabe a cada um julgar, mas é gratificante ver que em seus filmes Christophe Honoré insiste em apresentar mais de uma perspectiva ao sentimento.

Por Conrado Heoli, em 15/09/2009 Avaliação:               7.5
Notas - Equipe
• Silvio Pilau 7.5
• Vlademir Lazo 7.5
•  Média 7.5
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 FICHA DO FILME

 Bela Junie, A
(Belle Personne, La, 2008)
• Direção:
- Christophe Honoré
• Elenco Principal:
- Louis Garrel
- Léa Seydoux
- Grégoire Leprince-Ringuet
• Sinopse: Junie é uma garota de 16 anos que se mudou após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma turma que seu primo Matthias, que a apresenta aos demais colegas. Todos os garotos logo desejam sair com June, mas ela escolhe o mais calado de todos, Ot...
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