FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS   SÉRIES PUBLICIDADE
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS
TOPS
PREMIAÇÕES
ARTIGOS
COMENTÁRIOS
FÓRUNS

SÉRIES
CADASTRE-SE   |   ENTRAR
CRÍTICA

A Casa que Jack Construiu

(House That Jack Built, The, 2018)
Por Francisco Carbone Avaliação:     2.0
O ego que Lars alimentou.
imagem de A Casa que Jack Construiu
Lars Von Trier parece ter encontrado um espelho pela primeira vez, como uma criança que se encanta com a própria imagem ao descobri-la. Lá em Ninfomaníaca isso já estava explícito, quando Lars coloca sua persona à disposição da protagonista, reproduzindo sua voz e seus pensamentos na personagem-título. Na ânsia de vencer o cabo de aço que vem disputando com o mundo nos conflitos em profusão em que se envolve (com a imprensa no geral, com os críticos, com seus detratores, com Cannes), o dinamarquês fez de seu cinema uma plataforma de seus discursos particulares através dos protagonistas; tanto na produção anterior quanto na nova produção o ato de contar uma história é substituído por um megalomaníaco desejo de ter voz. No caso, a mesma voz em ambos os filmes.

Em A Casa que Jack Construiu essa exposição se torna também cansativa, quando ele torna a apontar suas armas na direção da plateia e de quem mais se sentir atingido. Não há novidade de nenhum tipo, apenas uma repetição de estrutura dramática, de intenção metafórica, e de gritaria exacerbada. Mais uma vez, o personagem-título passa por uma situação com um ouvinte onde ele contará sua vida; esse ouvinte dirá que não o chocará mas logo estará sim chocado; as conversas entre eles abordam fé muitas vezes, e figuras sacras a todo momento; ambos os protagonistas não passam de alter egos do próprio diretor, que utiliza do seu poder como comunicador para difundir não apenas sua visão de mundo como principalmente o atual estado das coisas entre ele e o mundo que o cerca. É uma posição de profunda onipotência em relação ao outro e uma forma pouco sutil de se mostrar auto centrado.

Tecnicamente é um filme com o rigor típico dele. Manuel Alberto Claro está de volta à fotografia e, conforme o filme avança, os méritos de seu trabalho se tornam evidentes. O trabalho de edição não realiza nenhum grande feito, pelo contrário, o filme parece repleto de sobras, e mesmo a mão de Lars está tímida e pouco presente, como se o projeto tivesse uma força narrativa diferenciada que justificasse uma sobriedade; ainda que esse tom sóbrio desapareça em seu desfecho, é um filme de duração excessiva sem necessidade, e esse diferencial de sua reta final não produz diferença que lhe faça jus. A tão propalada violência extrema do filme parece apenas um trabalho de marketing para vender o material. Uma cena em particular surte um certo efeito, mas a questão não seria um incômodo e sim uma dúvida quanto ao bom gosto e a validade sobre tais ações, que no fim das contas parece apenas interessado em chocar gratuitamente. Também o elenco não surte qualquer efeito, um punhado de participações especiais sem qualquer brilho e um protagonismo em Matt Dillon que só demonstra o motivo pelo qual ele está em aparições cada vez mais esporádicas; aqui lhe falta principalmente carisma, como em geral são os serial killers.

A necessidade de aceitação e a postura virulenta com a qual Lars Von Trier passou a se relacionar parece ter drenado seu talento. O homem que já produziu Dogville, Melancolia e Ondas do Destino hoje não corresponde a uma mera pincelada em seu momento atual. Saiu a provocação através da imagem, através da dramaturgia, e entrou em cena a criança do primeiro parágrafo, que está há alguns anos fazendo pirraça e tentando provar suas teses através do grito. Se antes ele obtinha nossa atenção e nosso debate para o desenvolvimento de suas narrativas, hoje ele promove escândalos ao redor do próprio umbigo e de uma certeza a respeito da própria qualidade, de uma aparente perseguição a ele causada por ele mesmo, além do reluzente desfile em película das principais acusações de seus detratores: a misantropia e principalmente a misoginia, a segunda impávida cena a cena.

Auto propaganda, auto indulgência e a certeza de uma importância auto apregoada fizerem de Lars e do seu cinema algo extremamente aborrecido e redundante. Ora, se o autor tenha plena consciência de seu próprio talento, pra que alguém precisa debate-lo ou discorrer sobre o mesmo? Hoje o grande autor europeu do passado vive de bradar o seu próprio talento sem atestar em ação concreta onde esse talento está. Lars Von Trier infelizmente a cada dia que passa está cada vez mais sozinho, imerso na própria autossuficiência.

Filme visto na Mostra de Cinema de São Paulo
Por Francisco Carbone, em 20/10/2018
Avaliação:     2.0
Notas - Equipe
• Francisco Carbone 2.0
•  Média 2.0
Notas - Usuários
5.6/10 (12 votos)
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
    --
• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (8)
Por Josiel Oliveira, em 25/10/2018 | 02:23:49 h
Sim, to sabendo kkkk primeira semana é modo de falar
Eu pretendo assistir na Mostra também, se possível nesse domingo no CineSesc que é mais em conta
Por Augusto Barbosa, em 24/10/2018 | 19:37:43 h
mas foi assistir na primeira semana né

Filme visto na Mostra de Cinema de São Paulo
Por Josiel Oliveira, em 24/10/2018 | 15:58:29 h
Fala mal a vida inteira.. mas foi assistir na primeira semana né kkkkk
Estamos de olho
Por Guilherme Spada, em 21/10/2018 | 02:10:16 h
Mimimi, adorei o filme!
Por Caio Santos, em 20/10/2018 | 19:49:00 h
O primeiro paragrafo desse texto é tudo que eu penso do Von Trier
Por Alexandre Koball, em 20/10/2018 | 18:48:58 h
Von Trier = amor. Tudo para ser OP.
Por André Oliveira de Araujo Ferreira, em 20/10/2018 | 17:40:28 h
Vou ver só pela curiosidade de saber o que vai sair da mente doentia desse sujeito...
Por Pedro Degobbi, em 20/10/2018 | 12:20:30 h
eita kkkkkkkkkkkkkk. Não tô com expectativa p esse filme, mas não consigo não assistir esse filmes polêmicos do von Trier - e do Gaspar Noé.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 CINEPLAYERS CAST
CP Cast
#55 Halloween (2018)
#54 O Primeiro Homem
#53 Nasce Uma Estrela
#52 Musicais no Século XXI
#51 70 anos de John Carpenter
#50 Breaking Bad - 10 Anos
#49 Neorrealismo Italiano
#48 O Exorcista
#47 Wall-E
#46 The Last of Us
#45 60 anos de Tim Burton
#44 Meu Amigo Totoro
#43 Missão: Impossível - Efeito Fallout
#42 Filmes da Sessão da Tarde
#41 Batman: O Cavaleiro das Trevas
#40 100 anos de Ingmar Bergman
#39 Os Incríveis 2
#38 Era Uma Vez no Oeste
#37 Jurassic Park e Jurassic World
#36 O Bebê de Rosemary
#35 A Noite dos Mortos-Vivos e Despertar dos Mortos
#34 Han Solo: Uma História Star Wars
#33 Deadpool 2
#32 Um Corpo que Cai
#31 Stephen King no Cinema
#30 Vingadores: Guerra Infinita
#29 A Franquia 007
#28 Um Lugar Silencioso
#27 2001: Uma Odisseia no Espaço
#26 Jogador Nº1
#25 Planeta dos Macacos
#24 Quentin Tarantino
#23 75 anos de David Cronenberg
#22 Projeto Flórida
#21 Trama Fantasma
#20 Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird
#19 Oito e Meio de Fellini
#18 A Forma da Água
#17 The Post e os filmes de Jornalismo
#16 Indicados ao Oscar 2018!
#15 20 Anos de Titanic
#14 Nostalgia Cinéfila - Especial 15 Anos!
#13 Melhores de 2017
#12 Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
#11 Especial Natalino
#10 Assassinato no Expresso Oriente
#9 Onde os Fracos Não Têm Vez
#8 Liga da Justiça
#7 Stranger Things
#6 45 anos de O Poderoso Chefão
#5 Branca de Neve e os Sete Anões
#4 Halloween
#3 Blade Runner / Blade Runner 2049
#2 De Volta Para o Futuro
#1 Os Goonies
#0 O Piloto
 LEIA TAMBÉM
 FICHA DO FILME

 Casa que Jack Construiu, A
(House That Jack Built, The, 2018)
• Direção:
- Lars von Trier
• Elenco Principal:
- Matt Dillon
- Uma Thurman
- Riley Keough
• Sinopse: A história de Jack, um terrível serial killer, ao longo de 12 anos.
 FILMES RELACIONADOS
• Dogville
• Melancolia
• Ondas do Destino
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
MAIS ASSISTIDOS
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
ESPECIAL A NOVA HOLLYWOOD
ESPECIAL WES CRAVEN
CHAT
MAPA DO SITE
API CINEPLAYERS
ANUNCIE CONOSCO
         
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018)

           
 USUÁRIOS
 + ASSISTIDOS
 EQUIPE
 HISTÓRIA
CONTATO
FAQ
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
WES CRAVEN
MAPA DO SITE
API
ANUNCIE