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CRÍTICA

A Favorita

(Favourite, The, 2018)
Por Francisco Carbone Avaliação:                   9.5
Um diretor completamente novo.
imagem de A Favorita
É uma prova de amor mostrar para alguém os seus defeitos visíveis quando ninguém tem coragem para tal, ou prova maior é proteger o objeto amado da violência ao seu redor? Estranho observar que o filme de Yorgos Lanthimos seja no fundo uma história sobre corações partidos, desamor e síndromes adquiridas, sem sucesso em perdê-las. O cineasta que há menos de 10 anos chocou o mundo com Kynodontas levou apenas mais 4 filmes para concluir seu plano de dominação global, se adaptando e reciclando muito mais que evoluindo - A Favorita provavelmente não trará admiração entre sua legião crescente de fãs, que esperam dele hoje a metralhadora giratória estética e verbal que o colocou na mira dos misantropos mais odiados do cinema hoje. Seu novo filme parece declarar não apenas seu plano concluído, como atestar sua maturidade estética e intelectual.

Há pelo menos 5 anos, Lanthimos declarava sua obsessão com o roteiro de Deborah Davis e Tony McNamara, ela estreante de fato e ele um roteirista de séries de TV de pouca (ou nenhuma) expressão. Assistir ao filme é entender essa fixação e dar razão a ele; de construção elaborada, com extrema riqueza de delineamento e com diálogos tão originais quanto incríveis, Lanthimos teve pra si apenas o trabalho de se moldar a esse material escrito, e a criatura híbrida que nasce desse experimento é um autor evoluído e impulsionado, que encontrou seu lugar de fala em meio a uma realidade tão diferente ao seu universo. Em 10 anos, ele foi de um provocador mordaz para um esteta rigoroso, abandonando os excessos estilísticos sem jamais perder a assinatura. Tudo o que fazia dele um autor interessado em radiografar o humano em situações extremas é posto a prova nesse rendez-vouz histórico.

A grande angular que o fotógrafo Robbie Ryan transforma em parceira no projeto é ela mesma uma parceira do diretor, quando ele escolhe salientar a neurose meticulosamente construída naquele cenário, dando amplitude ao campo de visão do espectador e permitindo uma investigação apurada sobre aquele universo onde só o palpável é real; tudo que respira, dissimula. Também na conta de Ryan e Lanthimos está a amplificação dos esforços de Stanley Kubrick e John Alcott para a iluminação de Barry Lyndon, uma realização de vigor intocável; aqui, fotógrafo e diretor voltam a criar mecanismos para fotografar a luz natural em ambiente de época, em procedimentos de resultados inomináveis e desde já exemplar na temporada. O filme consegue assim não apenas uma crueza e uma realidade estética, mas também um grau de beleza que raramente é pretendido em produções de larga escala.

No campo do alcance, o filme é muito bem sucedido porque toda sua maquinaria conversa entre si e promove essa reflexão a respeito de nobres valores devassados pelos mesmos, utilizados como moeda de trocas palacianas, que resumem muito bem tanto o raio de ação mais largo e de disposição geral quanto as decisões sentimentais e muito mundanas que arrastam os personagens sem exceção para um espiral de torpezas cometidas a granel. 

Tecnicamente e dramaturgicamente impecável, A Favorita tem um dos elencos mais afiados da temporada pra onde se olha. Dos coadjuvantes absolutos aos personagens com desenvolvimento central como os de Nicholas Hoult e Joe Alwyn, há brilhantismo em cada interpretação. Mas como já foi mais do que declamado, o filme é um tour de force do trio Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. A primeira é a face da fragilidade na primeira parte, até aparentemente ascender em brilho e decisão; a segunda tem a interpretação de sua vida, equilibrando frieza e vilania; a terceira confirma a excepcional fase que sua carreira se encontra desde que foi lançada, uma curva ascendente interminável. Olivia e Rachel em particular estão arrebatadoras e movem o filme numa constante de qualidade que nunca se resume a seus desempenhos. Essa é uma das certezas ao sair da sessão do novo filme de Yorgos Lanthimos, saber que dessa vez ele foi até cada aspecto da produção e superlativou os méritos, transformando o que poderia ser mais um drama de época num quadro vivo de ressentimento travestido da mais cruel ironia.

Filme visto na Mostra de Cinema de São Paulo
Por Francisco Carbone, em 19/10/2018
Avaliação:                   9.5
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• Francisco Carbone 9.5
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 FICHA DO FILME

 Favorita, A
(Favourite, The, 2018)
• Direção:
- Yorgos Lanthimos
• Elenco Principal:
- Emma Stone
- Rachel Weisz
- Nicholas Hoult
• Sinopse: No início do século XVIII, na Inglaterra, a frágil rainha Anne ocupa o trono e sua amiga Sarah governa o país em seu lugar. Quando a nova serva Abigail chega, seu charme a aproxima a Sarah.
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• Barry Lyndon
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