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CRÍTICA

A Grande Jogada

(Molly's Game, 2017)
Por Heitor Romero Avaliação:               7.0
A sustentação feminina.
imagem de A Grande Jogada
Em um momento delicado para Hollywood, após uma enxurrada de denúncias e escândalos sexuais escancararem o machismo e misoginia vigente por trás dos bastidores, enquanto atrizes, diretoras, produtoras e roteiristas se unem para combater isso de frente, é interessante perceber o lugar que um filme como A Grande Jogada (Molly’s Game, 2017) ocupa na corrida pelo prêmio mais disputado da indústria. Ao resgatar a história real de uma mulher investigada pelo FBI por sustentar uma rede mundial de jogatina nos mais altos escalões da sociedade, o multipremiado roteirista Aaron Sorkin estreia na direção com um projeto certeiro sobre o papel feminino nesse mundo supostamente dominado por homens.

Claro que não é o único que aproveitou o timing para trazer histórias reais de mulheres que se destacaram de algum modo em um meio predominantemente masculino. The Post: A Guerra Secreta (The Post, 2017), de Steven Spielberg, escala ninguém menos que Meryl Streep para viver a dona de um jornal provinciano que mudou a história ao bater de frente com o governo americano e publicar um conteúdo devastador sobre a realidade da Guerra do Vietnã, mesmo rodeada de homens descontentes com sua posição. Já Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) remonta em formato de falso documentário a trajetória tortuosa de ascensão de uma patinadora no gelo recordista, que no auge de seu sucesso acabou massacrada pela mídia ao se envolver em um escândalo criminoso. Cada uma viveu uma história diferente, em uma época diferente, com repercussões diferentes, mas tanto Tonya Harding quanto Katherine Graham se assemelham a Molly Bloom (Jessica Chastain) em um único quesito, que fez toda a diferença para elas: o sexo. 

Criada por um pai exigente que a ensinou desde cedo a desenvolver ambição por poder e status, Molly a princípio focou suas energias nos esportes com o objetivo de se tornar uma atleta olímpica renomada, mas os reveses da vida a colocaram numa posição de simples secretária de um figurão de Hollywood. Uma vez em contato com a alta roda de Los Angeles ao organizar jogos de poker promovidos por seu chefe, Molly usou de toda sua sagacidade para aprender tudo desse submundo da jogatina quase clandestina e fazer todos os contatos necessários para se tornar sua própria patroa e patrocinadora das partidas mais disputadas do mundo, repletas de atores famosos, músicos, empresários, magnatas e mafiosos internacionais. 

Sorkin faz da história de Molly um filme de muitos focos. Baseando-se no livro da própria, ele divide sua narrativa nas impressões pessoais dela sobre todos os acontecimentos de sua vida particular, na relação dela com o advogado que aceitou defendê-la por puro fascínio pelo caso, no drama de tribunal após o envolvimento com máfia e drogas e, principalmente, em um intrigante filme sobre o vasto universo do jogo de poker e seus segredos. 

Sendo um roteirista nato, fica clara a dificuldade de Sorkin com a direção, de modo a se ancorar principalmente no roteiro e depender quase que em tempo integral nas narrações em off de Molly para manter o interesse na história. A ideia poderia estar fada ao fracasso se não fosse o íntimo tom confessional e a escalação de Jessica Chastain para o papel principal. Atriz competente, de presença marcante e de enorme carisma, ela pega o filme para si e confere a Molly uma complexidade muito mais elevada do que o roteiro é capaz de alcançar. Não é preciso mais que dois ou três minutos para a voz dela nos convencer a embarcar em uma trama real de desdobramentos inimagináveis, que certamente soariam inverossímeis sem a dinâmica e firmeza da atriz. 

Em dado ponto, fica impossível não se impressionar com a posição alcançada por Molly nesse mundo de homens milionários, bilionários, famosos, perigosos. Mais do que uma promoter, ela se finca como uma espécie de âncora de sustentação na vida de todos eles, manipulando um cenário em que milhões de dólares corriam soltos a cada noite. Por outro lado, o roteiro explora a construção das bases morais dela e como isso resultou em um momento crítico em que foi enquadrada pelo FBI e se recusou a delatar os preciosos nomes de suas listas de convidados, preferindo arriscar sua liberdade a destruir a vida de todos esses homens que de alguma forma estiveram sob o seu comando. 

Uma montagem dinâmica e uma narrativa ancorada no carisma de Chastain garantem a enorme empatia e interesse pelo universo retratado em A Grande Jogada, mas o que realmente se destaca é esse cenário em que a mulher acaba assumindo um papel de âmago moral, organizacional e intelectual em um meio de predominância masculina. Seja no submundo da jogatina compulsória, seja perante tribunais, seja publicando best-sellers, seja competindo para as olimpíadas, seja apenas enquanto simples garçonete ou secretária, Molly sempre assume a liderança do jogo com uma facilidade natural. Dentro de um entendimento mais abrangente, e sendo Jessica Chastain uma das atrizes mais engajadas e talentosas da atualidade, não é difícil ver que o movimento pela igualdade de gêneros, hoje em alta na indústria do cinema, é nada mais que a reafirmação de que jogo, a partir de agora, pertence a elas.  
Por Heitor Romero, em 19/02/2018
Avaliação:               7.0
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 FICHA DO FILME

 Grande Jogada, A
(Molly's Game, 2017)
• Direção:
- Aaron Sorkin
• Elenco Principal:
- Jessica Chastain
- Idris Elba
- Kevin Costner
• Sinopse: A história real de Molly Bloom, esquiadora olímpica que após ter a carreira encerrada por uma lesão grave, se envolve no mundo da máfia do pôquer legal, um ambiente perigoso mas que rende bastante dinheiro.
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• Eu, Tonya
• The Post: A Guerra Secreta
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