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CRÍTICA

A Lista de Schindler

(Schindler's List, 1993)
Por Rodrigo Cunha Avaliação:                   9.0
A obra-prima de Steven Spielberg em palavras que tentam descrever toda a importância da obra para a humanidade.

“Aquele que salva uma vida, salva todo o mundo.”

A guerra já foi tema de inúmeros filmes, assim como o Holocausto já foi exaustivamente representado. Junto com O Pianista, de Polanski, A Lista de Schindler é um dos filmes mais importantes não só sobre o tema, mas também da história. Com ele, Spielberg finalmente conseguiu sua consagração na Academia, depois de bater na trave com Tubarão e E.T. (que perderam, respectivamente, para Um Estranho no Ninho e Gandhi), com sete importantes estatuetas, incluindo a de melhor filme e diretor. O fato é que O Pianista e A Lista de Schindler se completam, pois tratam do mesmo tema, da mesma época, mas de uma forma completamente diferente. Enquanto Polanski deixa o seu filme o mais frio possível (acreditem, isso é uma virtude em se tratando deste filme), Spielberg se utiliza de seu já característico sentimentalismo para causar a mesma impressão: o choque com as atrocidades dos nazistas sobre os passivos judeus.

A história (real) ronda em torno do alemão Oskar Schindler, que viu na mão-de-obra judia uma solução barata e viável para lucrar com negócios durante a guerra. Com sua forte influência dentro do partido nazista, foi fácil conseguir as autorizações e abrir uma fábrica. O que poderia parecer uma atitude de um homem não muito bondoso transformou-se em um dos maiores casos de amor à vida da história, quando este alemão abdicou de toda sua fortuna para salvar a vida de mais de mil judeus, em plena luta contra o extermínio deles. Schindler não media esforços para proteger seus empregados e outros judeus, desde pagar grandes quantias por seu trabalho até não deixar com que sequer uma munição produzida por sua fábrica funcionasse da maneira correta, com uma mão-de-obra claramente não qualificada para o serviço. Não era isso que lhe interessava. Era a sua forma de lidar com toda a atrocidade que acontecia ao seu redor. Foi então que ele decidiu fazer a famosa lista e retirar o máximo de pessoas do gueto para a Tchecoslováquia.

O que assusta na história de A Lista de Schindler é saber que ela aconteceu de verdade. Não digo no sentido de metáforas, situações criadas a partir de lendas e histórias, e sim que tudo aquilo foi realmente verdadeiro, relatado pelos sobreviventes e transformado em filme pelas mãos do roteirista Steven Zaillian, que se baseou no best seller de Thomas Keneally. Se você está vendo uma das personagens sendo maltratada mesmo tentando fazer o seu melhor, aquela mulher realmente existiu e está no filme. Quando você vê o cruel Amon Goeth pegando o seu rifle e atirando em judeus simplesmente pelo prazer da ação, tudo é agravado ao pensar que ele realmente fez isso: saía em seu cavalo andando pelo meio dos judeus só para fazer sua chacina diária. Não são situações criadas para ilustrar o terror da época, e sim recriações do que alguns sobreviventes contam, do que viram ou viveram na época. Isso é o mais assustador!

Talvez o pequeno ponto fraco de A Lista de Schindler seja mesmo a carência de cenas marcantes. Não é o tipo de filme com o qual, ao seu final, você fique com uma determinada passagem marcada na cabeça, como por exemplo a cena da bicicleta passando em frente à Lua, em E.T., ou então a barbatana de um tubarão se aproximando da vítima ao som do suspense. Em A Lista de Schindler existem cenas maravilhosas, chocantes, emocionantes, tudo. É um filme completo nesse sentido, não me entendam mal, porém, não há muitas que tenham virado referência ao filme, que sejam parodiadas em algum desenho animado ou citadas em algum outro programa qualquer. Talvez a única cena que tenha esse potencial é a da menina de vermelho, a única pessoa que possui cor em meio a todo aquele mundo de matança. Mas é estranho pensar que a cena mais famosa, a cena em que traz mais identidade ao filme, seja justamente com uma personagem que apenas aparece poucos segundos na tela, que não tenha relação concreta nenhuma com a história principal. É uma cena mais marcante do que a de Schindler escrevendo sua lista, por exemplo, a segunda cena mais famosa do longa.

Falando na menina, ela serve para ilustrar bem a unidade do massacre. Vemos vários e vários judeus morrendo na tela, mas por causa da simples cor vermelha da roupa da menina, identificamos-na cada vez que ela aparece na tela. Sabemos sua história, ou seja, tudo o que ela passou até ali. Mas não é só a menina que tem uma história: cada judeu que passa pela tela também possui a sua, só que, por ser a única a possuir cor durante o filme, ela ganha um ar único dentro dele. Pretensioso, claro, mas funciona muito bem. Representa que cada judeu ali tem sua história, seu início, meio e fim, mas nós prendemos nossa atenção à menina justamente por ela ter essa identidade especial, ter uma cor no meio daquilo tudo. Não vou cair em discussões filosóficas sobre o que o vermelho significa ou não, creio que isso seja bastante pessoal, é algo que cada um sente o momento, de forma diferente, mas A, B ou C não podem ficar discutindo sobre quem está certo ou errado em uma situação como essa. É uma cor para ser sentida, não entendida.

A falta de cor está diretamente relacionada ao fato de todas as lembranças que Spielberg tem da época serem preto-e-brancas, por causa dos documentários que assistia. Sua intenção foi aproximar ao máximo o filme da realidade, trazendo-o ao mesmo patamar dos documentários de época sobre o tema. O recurso de filmar com câmera na mão também foi bastante utilizado, para reforçar este ar documental que o filme buscou, e o contraste de luz fez com que o fotgógrafo Janusz Kaminski utilizasse tudo o que sabia para brincar com o brilho e a sombra durante as cenas – simplesmente um dos setores mais importantes de todo o filme.

O que mais impressiona nisso tudo é a proeza que a produção fez para ambientar a trama. O número de locações reais impressiona: desde a fábrica de Schindler até a Igreja de St. Mary (do século XIV, a mais importante de Cracóvia), muito foi utilizado no filme. Isso não trouxe só realismo, mas também uma energia fantástica a tudo aquilo que era filmado. O campo de concentração de Plaszow foi recriado inteiro pelo cenógrafo Allan Starski, em um gigantesco set erguido na Polônia através de plantas originais do local. Esse tipo de opção funciona muito melhor do que estúdio ou grandes construções recriadas por computador, e não só em um âmbito de planos gerais, mostrando grande escala do lugar, e sim também em cenas menores, pois Spielberg pôde filmar onde desejava sem se preocupar se aqui ou ali iria aparecer parte do estúdio ou ficar irreal. Aprecio muito produções que optam por recriar esses tipos de cenários, sem se acomodar com o mais fácil ou barato. E em uma produção deste tamanho, seria um pecado Spielberg escorregar para esses lados.

O filme havia sido oferecido a ninguém menos que Martin Scorsese, que preferiu deixar o projeto para um judeu de verdade. Ele sabia que isso afetaria diretamente no amor pelo qual o filme seria realizado, e Spielberg veio a ser a pessoa perfeita para o trabalho. O projeto chegou a ele logo após a finalização de E.T., mas só fora produzido dez anos depois, ou por diferenças em agendas, ou por um ajuste ou outro no projeto que sempre o atrasava. Vendo com bons olhos, seria até incorreto chamar de atraso. É melhor considerarmos esse tempo como uma preparação natural para o filme, onde todos os envolvidos amadureceram, perceberam a importância do que tinham em mãos e tudo o que poderia sair errado fora consertado para que um filme praticamente perfeito fosse lançado.

O elenco é uma peça chave para que tudo funcione. Ralph Fiennes encarnou Amon Goeth de forma assustadora. É impressionante o modo como ele tratava os judeus, atirando em suas cabeças, por exemplo, se eles parassem um segundo seu trabalho para respirar. Somado o forte personagem ao excepcional ator que Fiennes é, o nível de realismo chega a assustar. Ben Kingsley faz o judeu Itzhak Stern, o braço direito e contador de Shindler, e Liam Neeson teve o importante cargo de representar Oskar Schindler de maneira bastante fiel. Até os traços são parecidos, mas as expressões que Liam deu ao personagem transmitiram sua importância. O final, quando Schindler vê quantas pessoas salvou e pensa que poderia ter salvo ainda mais, é um show de interpretação, emocionante. Ele deu a expressão forte e segura que Schindler exigia naquela situação.

A Lista de Schindler é um filme definitivo sobre o Holocausto. Um trabalho como esse não altera o passado, mas com certeza pretende impedir que as atrocidades se repitam em um futuro qualquer. O filme é uma combinação de boas interpretações, uma produção invejável e uma história baseada em relatos individuais reais que assustam ao mostrar do que o ser humano é capaz de fazer.

“Essa lista é a essência do bem”

Por Rodrigo Cunha, em 10/09/2004
Avaliação:                   9.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 9.0
• Daniel Dalpizzolo 5.0
• Rodrigo Cunha 9.0
• Régis Trigo 8.0
• Heitor Romero 7.5
• Rodrigo Torres 9.0
• Marcelo Leme 9.0
• Léo Félix 9.5
•  Média 8.3
Notas - Usuários
8.6/10 (1201 votos)
Top Usuários #46
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Comente no Cineplayers (2)
Por Alexandre Marcello de Figueiredo, em 27/07/2015 | 19:18:14 h
Impossível fazer um filme sobre o Holocausto melhor que este. Obra-prima de Spielberg.
Por Cristian Oliveira Bruno, em 29/11/2013 | 13:32:14 h
Um filme perfeito. Nenhum defeito. Nota 10
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 FICHA DO FILME

 Lista de Schindler, A
(Schindler's List, 1993)
• Direção:
- Steven Spielberg
• Elenco Principal:
- Liam Neeson
- Ben Kingsley
- Ralph Fiennes
• Sinopse: A história real ronda em torno do alemão Oskar Schindler, que viu na mão-de-obra judia uma solução barata e viável para lucrar com negócios durante a guerra. Com sua forte influência dentro do partido nazista, foi fácil conseguir as autorizações e ab...
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