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CRÍTICA

Amadeus

(Amadeus, 1984)
Por Rodrigo Cunha Avaliação:                   9.0
Um belo drama banhado com a mais perfeita música de todas. Uma obra de arte vencedora de 8 Oscar, incluindo Filme e Diretor.

"O homem, o músico, o gênio".

Por trás de todo gênio há uma grande história. Com Wolfgang Amadeus Mozart não foi diferente. Amadeus vem de "Amado de Deus", assim como Salieri costumava chamar Mozart. Mesmo não sendo uma história verídica, Milos Forman retorna apenas nove anos depois de Um Estranho no Ninho para faturar mais oito Oscar, quase repetindo a proeza de levar os cinco principais na mesma noite (fato que só se repetiu três vezes na história), ficando apenas sem o de atriz, sendo que Elizabeth não fora nem indicada. Com seu modo perfeito de contar histórias pesadas e melancólicas, Milos cria uma obra-prima única, com uma sutileza incrível, mas sem nunca perder a força do que ele quer passar ou parecer ingênuo e infantil, sem nunca se tornar explícito ou gratuito.

Logo no início, Salieri (F. Murray Abraham), um ex-importante músico da corte, tenta suicídio e vai parar em um hospício. Ao ser consultado por um padre, confessa a sua culpa perante a morte de Mozart. Nesse exato momento, Salieri começa a história para justificar o porquê de sua ação, depois de uma vida de admiração e inveja. Mozart, desde pequeno, sempre pareceu abençoado pelo Senhor, pois compunha com extrema facilidade e com uma complexidade que mentes mais normais não conseguiam acompanhar. Para se ter uma idéia, compôs uma ópera inteira apenas aos 12 anos de idade. Suas demais obras poderiam não fazer tanto sucesso na época, pois estavam justamente um passo à frente de seu tempo, mas acabaram imortalizadas ao longo dos anos, bem como o início do filme expressa de maneira magnífica.

Como você pode ter percebido, apesar do título do nome estar diretamente ligado a Mozart, ele não é o único personagem principal da trama, tendo inclusive menos importância do que Salieri no contexto geral da história. Sabemos as motivações e as frustrações de cada um pelo ótimo desenvolvimento e clareza do roteiro, e todas as atitudes de Salieri estão diretamente relacionadas a Mozart e sua música. Pensando desse modo, Mozart torna-se apenas um meio para que estudemos a fundo a personalidade de Salieri no filme, mas sem nunca deixarmos de perceber a importância de Mozart para o mundo da música. Ele foi muito bem interpretado por Tom Hulce, que fez a versão mais recente de Frankenstein, criando o ar meio insano que ficava a sua volta e dando algumas peculiaridades que tornaram sua interpretação inesquecível, como a inconveniente risadinha que ele a toda hora fazia questão de dar.

Mas quem rouba a cena mesmo é F. Murray Abraham, que sem querer embarcou no papel mais cogitado em toda a Inglaterra na época. Ele foi fazer uma leitura do texto com um rapaz que queria o papel de Mozart e Milos ficou surpreso com sua atuação, imediatamente convocando-o para interpretar Salieri. Tendo feito Scarface, de Brian De Palma, e depois Amadeus, ainda saindo com o Oscar, foi o que Murray precisava para fazer sua carreira decolar. Ele deu o tom ambíguo perfeito para Salieri, e suas falas se tornaram imortais pela admiração e ódio que são percebidas ao mesmo tempo, sem nunca parecem falsas. Quando interpretou Salieri velho, no hospício (as primeiras cenas gravadas do filme), mesmo após quatro horas de pesada maquiagem diária, o ator mostrou sua genialidade ao nos transmitir não raiva daquele sujeito, e sim pena. Esse é o principal ponto da relação entre Salieri e nós, que estamos assistindo ao filme. Jeffrey Jones (o inesquecível diretor em Curtindo a Vida Adoidado) e Elizabeth Berridge (Mar de Fogo) completam o elenco, mas tiveram suas atuações encobertas pelos dois protagonistas da história.

Um filme de época, sobre música clássica e ainda com três horas de duração (na versão do diretor, já que a normal possui 20 minutos a menos) poderia ser um pé no saco de qualquer um. Milos Forman então criou a melhor solução possível para esse problema: transformou a música de um simples meio de construção em um personagem do filme. É incrível o quanto ela influi não só na história, mas até mesmo no pensamento dos personagens. Um exemplo disso é a cena em que a mulher de Mozart leva suas partituras para Salieri olhar e, enquanto ele as lê por pensamento, ouvimos a música sendo tocada, em sua imaginação. Quando ele tira os olhos da partitura, a música simplesmente pára.

Agora o melhor exemplo de como a música influencia diretamente no filme é a cena final - calma, não irei revelá-la -, onde todos os diálogos são "dó sustenido", "fá com baixo em ré", e por aí vai. Isso poderia ser o massacre final da chatice, mas funciona justamente ao contrário. É incrível como essas falas, que dizem tão pouco, ao mesmo tempo dizem tanto sobre os personagens. Impressiona o modo como Mozart constrói suas músicas e a percepção da grandeza de Mozart por Salieri, por quase não conseguir acompanhar o raciocínio do gênio, sempre com as notas sendo tocadas ao mesmo tempo em que os personagens pensam, sempre na mente dos personagens.

Mesmo que todos esses fatores anteriores funcionassem, o filme seria uma tragédia se não tivesse uma convincente ambientação. Para resolver esse problema, Milos mudou sua produção para Praga, onde a arquitetura da cidade é uma perfeita pedida para esse tipo de filme, devido à sua bem conservada cidade, sem modernização ou qualquer sinal de publicidade nas paredes. A única coisa que eles precisaram fazer para as cenas externas foi trocar as lâmpadas por lampiões e pronto, já tinham o cenário perfeito. Milos e sua equipe se deram ao luxo, inclusive, de utilizar o mesmo teatro em que Mozart tocou a primeira vez para representar a mesma cena no filme.

A impressionante iluminação também contribuiu, pois boa parte é luz natural trabalhada com velas e outros tipos de iluminação de época, e isso ajudou muito a construir a realidade que o filme tentou alcançar. A montagem vem e volta no tempo e isso nunca cansa ou quebra o ritmo, pelo contrário, junto com a sincronização dos atores (Tom Hulce não sabia tocar piano antes, mas não errou uma tecla sequer mesmo com o som sendo dublado, devido ao ótimo treinamento), tudo fica verossímil e dá uma riqueza incrível a toda construção de Amadeus.

Como você deve ter percebido, Amadeus é uma perfeita sincronização de todos os setores do filme funcionando bem. Pegue o ótimo roteiro, as magníficas interpretações, some à ótima direção de arte e saboreie as deliciosas músicas que complementam todo o resto. Tudo isso faz deste filme uma experiência única e inesquecível no mundo do bom cinema americano.

Por Rodrigo Cunha, em 18/09/2004
Avaliação:                   9.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 9.0
• Daniel Dalpizzolo 7.0
• Rodrigo Cunha 9.0
• Régis Trigo 9.0
• Vlademir Lazo 7.5
• Heitor Romero 8.0
• Marcelo Leme 8.5
• Léo Félix 8.5
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 FICHA DO FILME

 Amadeus
(Amadeus, 1984)
• Direção:
- Milos Forman
• Elenco Principal:
- F. Murray Abraham
- Lisabeth Bartlett
- Kenny Baker
• Sinopse: Cinebiografia fictícia de um dos maiores gênios da música clássica de todos os tempos. A história é contada através de Salieri, antigo músico da corte real. Toda a sua admiração e inveja por Mozart criam um paradoxal sentimento durante toda a projeçã...
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