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CRÍTICA

Amor

(Amour, 2012)
Por Vlademir Lazo Avaliação:           5.0
A falta de amor e o excesso de mão pesada.

A crítica comenta alguns pontos da trama,
então leia depois de assistir ao filme ou por sua conta em risco.

Há não muito tempo, Michael Haneke, desde sempre um símbolo discutível de um cinema histérico (no conteúdo ou na forma, quando não em ambos) com o qual retrata certas mazelas da contemporaneidade e mal estar europeu, surpreendeu meio mundo cinéfilo que não enxergava seu estilo com bons olhos, ao realizar o superestimado (mas possivelmente seu melhor filme) Caché (idem, 2005). Onde o seu estilo era mais controlado, e a observação humana, menos escandalosa, fazendo com que o acolhimento generalizado a ele parecesse facilmente justificável, quem sabe como uma bem-vinda guinada na carreira do austríaco.

O que se viu, entretanto, foi um passo do cineasta rumo a uma depuração artística no formato de seu cinema, deixando a violência explicita e não raro gratuita de trabalhos anteriores por dramas mais pretensamente acabados, em que esta mesma violência se interioriza nos personagens, podendo então ser aceita por platéias mais amplas com inclinação para gostar desse seu cinema, mas que não teriam estômago pros exageros antigos dele, ou paciência para cacoetes de estilo como imagem sendo transmitidas por vídeo, excessos de pontas pretas (cortes secos para três ou quatro segundos de tela escura), além de certa fragmentação visual ou narrativa. A depuração que se deu em sua obra consolidou de vez seu prestígio, com os dois títulos mais recentes, A Fita Branca (Das weiße Band, 2009) e Amor (Amour, 2012), obtendo com ambos os prêmios máximos em Cannes.

Mesmo assim é preciso ter estômago para este seu último filme. Haneke como sempre trabalha de forma a atacar o espectador. O que se torna mais evidente em momentos como em que o marido, Georges (Jean-Louis Trintignant), bate na esposa, Anne (Emmanuelle Riva), estendida numa cama em que agoniza depois de sofrer um derrame. Ou quando ele tenta sufocar a mulher com o travesseiro. Ou a sequência grotesca do sonho envolvendo o casal. Poderia ser apenas um personagem maltratando o outro (por amor, como parece dizer o cínico Haneke já desde o titulo do seu filme), mas o caso aqui não é o de maldade extrema da parte dos personagens (como para definir suas psicologias), mas sim do próprio diretor, que visivelmente lança mão de momentos como esses para impressionar o espectador de maneira grosseira e afetada, atingindo diretamente ao público, o que não ocorre somente em ocasiões específicas como as mencionadas mais acima: o filme como um todo lida com essa tentativa de incomodar em cima de uma imagem arquetípica de um simpático casal de velhinhos que se encontra vítima de uma fatalidade.

Os olhares, as expressões, os gestos dos dois atores veteranos (sobretudo os gemidos da esposa moribunda se retorcendo em sofrimento) são carregados demais (talvez não cheguem ao overacting, mas estão a um passo) e calculados em excesso, bem como a compaixão e o terror provocados pelas situações de Amour. Como já eram fortemente calculadas não só as intrigas, mas também as imagens soturnas da fotografia em preto e branco de A Fita Branca. Desse modo, os efeitos de tensão em um filme e outro não brotam naturalmente, só vão de encontro aos anseios mais baixos e primários do espectador, mesmo os mais inteligentes, que compram e aceitam a proposta de cinema de Haneke. Seus filmes existem inseridos dentro de uma má consciência desse seu espectador para com o mundo, que tem essa relação despertada (ou enfatizada) pelo trabalho oportuno do diretor, geralmente se aproximando (ou abraçando de vez, como em alguns casos) de um cinema de tese no que isso tem de mais pretensioso, e no qual é fundamental vender um discurso ou uma idéia acima de tudo (no caso de Haneke, a de o quanto há de cruel e de podre no mundo).

Com certeza, existiriam outras maneiras de tratar certas questões com maior dignidade. Basta comparar com um cineasta como Clint Eastwood, que lida também com o tema da eutanásia na parte final de Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004), não aliviando a barra, resultando também numa tragédia dolorosa, mas sem ofender ou beirar qualquer espécie de sensacionalismo. Já o que Haneke faz é se repetir como torturador de personagens e espectadores, buscando traçar o quadro desesperador de um casal em seu fim, mas em seus piores momentos caindo em um teatrinho filmado com cenários requintados dentro do apartamento onde ele transcorre, e situações dramáticas concebidas por vezes de modo obsceno. A personagem da filha interpretada por Isabelle Huppert termina como um peixe fora d'água, na certa com a atriz requisitada tão somente para acrescentar um prestígio a mais ao filme como um todo, não bastasse o par de veteranos que praticamente representam uma espécie de museu do cinema europeu. Com Amour, Haneke quer ganhar quando tenta um estilo mais sutil que vem sendo elogiado pelos defensores do filme e também quer ganhar quando se trata de não evitar a habitual mão pesada em sua obra, que surpreendentemente costuma ser tolerada e aceita pelos admiradores do diretor austríaco.

E por que a facilidade toda com que os fãs aceitam essa inegável mão pesada com que Haneke se entrega em seus trabalhos? Na certa pelo legado que um grande diretor como Ingmar Bergman deixou como herança cinematográfica com os seus filmes, e do qual Haneke é um dos mais conhecidos seguidores, o que ajuda, além de seu indiscutível talento técnico, com que o austríaco se imponha com mais respeito e legitimação perante parte do público e crítica. Bergman deixou uma obra bastante rica tratando de situações pesadas ou melodramáticas, ou que mostram que o ser humano é cruel, mesquinho, que existe um submundo de intenções, etc., mas que deve ter influenciado negativamente mais filmes que quaisquer outros bons diretores, e isto por vezes dilui o que há de notável na carreira de Bergman. E explica porque, sejamos justos, ele já não representa mais um nome de tanto peso ou referência para uma parcela significativa da cinefilia de hoje em dia quanto havia sido em décadas anteriores. Muito devido a cineastas influenciados por suas obras, mas que se aproveitaram mesmo de alguns dos aspectos mais negativos e pesados da filmografia do sueco, as suas piores tendências à misantropia, ao sofrimento e discussões por vezes pueris, sem irem muito além desses exteriores. Se o crítico francês Jean Douchet, num artigo célebre do começo dos anos sessenta, reclamava dos filhos de Alain Resnais, é porque não imaginava o que seriam os seguidores do diretor sueco. Parafraseando o próprio Douchet, os filhos de Resnais seriam anjos de beleza em comparação com os filhotes de Bergman.

Por Vlademir Lazo, em 19/01/2013 Avaliação:           5.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 4.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 7.5
• Demetrius Caesar 7.0
• Silvio Pilau 7.5
• Vlademir Lazo 5.0
• Bernardo D.I. Brum 7.5
•  Média 6.7
Notas - Usuários
7.7 (414 votos)
Minha nota:
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Comente no Cineplayers (64)
Por Vlademir Lazo , em 27/05/2013 | 02:36:37 h
Marcelo, vou cuidar e prestar atenção nesse ponto que você observa, mas não creio que seja recorrente, no caso de Amor julgo necessário proceder assim porque trata-se de um filme de um cineasta que há pelo menos uns quinze anos angariou um público imenso de admiradores que pouco se importam com questões negativas que levanto no texto e que, estas sim, a meu ver são contumazes na filmografia do austríaco.
Por Marcelo Mello, em 22/04/2013 | 15:54:47 h
Respeito a opinião, mas todas as críticas dos filmes que Vlademir Lazo não aprecia sempre tem o tom do tipo: "quem gosta é porque se deixou levar". Essa idiotização eufemizada do telespectador incomoda.
Por Arthur Barbeitas, em 22/03/2013 | 22:07:43 h
Excelente critica. Concordo com tudo que ta escrito. Riva está bem sim, mas não é essa maravilha toda que todo mundo diz ser. Até porque o papel que ela faz nem dá muito espaço para ela fazer uma atuação exemplar.

"(por amor, como parece dizer o cínico Haneke já desde o titulo do seu filme)"

A primeira coisa que eu pensei depois que vi o filme foi: Que raio de titulo é esse? Esse filme não tem nada de Amor. Muito pelo contrário.
Por Patricia Izilda Silva, em 14/03/2013 | 19:33:06 h
Um filme sensível e ao mesmo tempo duro, não concordo com crítica, achei o filme um retrato de muitas realidades por ai
Por Jonas F. M., em 28/01/2013 | 22:41:03 h
Concordei com a crítica [2]
Por Vlademir Lazo , em 24/01/2013 | 23:00:48 h
Não há nada de mal em um texto tentar analisar a relação de um público com a obra de um diretor ou filme em voga. É um ponto de vista a mais que pode ser trabalhado na crítica, como tentativa de compreensão de certos fenômenos que levam a um quase endeusamento de um diretor como o austríaco sem que ocorra maiores questionamentos por partes de muitos. Podem achar uma maravilha, mas ele não o é para todos, dai que seria injusto buscar construir uma crítica negativa sobre o filme sem ir fundo em certas questões, concorde-se ou não com os argumentos que foram defendidos.
Por Patrick Corrêa , em 23/01/2013 | 23:04:55 h
"[...] os efeitos de tensão em um filme e outro não brotam naturalmente, só vão de encontro aos anseios mais baixos e primários do espectador, mesmo os mais inteligentes, que compram e aceitam a proposta de cinema de Haneke"

O trecho mais absurdo da crítica pela pretensão que carrega.
Por Víctor Silva, em 22/01/2013 | 22:52:47 h
Estou ansioso para ver este filme. Até agora já assisti 5 dos 9 que foram indicados ao Oscar. Django foi o que eu mais gostei.
Por Marcus Almeida, em 22/01/2013 | 12:55:15 h
Concordo com a questão da mão pesada.
Por Vlademir Lazo , em 21/01/2013 | 23:42:04 h
Ainda sobre Amour, e outros filmes de diretores como Haneke, hoje cedo numa conversa com um crítico no facebook ele fez umas observações certeiras: assistir ao filme pode ser como aquelas experiências dos espectadores de Um Artista da Fome, do kafka, que apesar de horrorizados com a desgraça alheia não conseguem dela tirar os olhos, fascinados com a possibilidade de uma iminente destruição do outro. o conto do kafka era crítica a essa perversidade em escala ontológica, devendo haver, é claro, outras maneiras de se portar e não compactuar diante de um filme como Amour, e outros modos de cineastas de verdade tratarem certas questões sem o mesmo fetiche por essa perversidade (como um Clint, citado no texto, etc.).
Por Vlademir Lazo , em 21/01/2013 | 23:37:25 h
e tratando com mão pesada, ainda que com inquestionável talento técnico, de temas exploratórios em torno do sofrimento edificante e da maldade extrema, perpetuando algumas dessas piores tendências de Bergman, mas apenas estas, não sendo capazes, por outro lado, de conceber coisas diferentes e maiores como Bergman ao fazer um Persona, Monika e o Desejo, Sorrisos de uma Noite de Amor, O Sétimo Selo, e outros.
Por Vlademir Lazo , em 21/01/2013 | 23:35:57 h
Talvez não tenha ficado muito claro a relação com Bergman nas menções ao sueco no texto. Gosto de muita coisa que ele dirigiu (como pode se perceber em várias de minhas notas altas pros seus filmes), mas acho que todos que viram ao menos uns quinze ou vinte filmes deles meio que cansam um pouco de sua obra, pela insistência com que tratava quase sempre dos mesmos temas, como invariavelmente repetia sua mesma visão de mundo, em trabalhos variados (ele não foi tão amplo como um Hitchcock, por exemplo, que passou a vida inteira fazendo thrillers, mas se recriando cada vez de forma diferente e genial). Sei que alguns fãs como o Heitor preferem mantê-lo como um nome inatacável e intocável, mas acho salutar em qualquer forma de arte questionar os valores que muitos querem nos impor a respeito de alguns cânones e mitos. Porém meu problema com Bergman é que ele acabou legitimando todo um cinema posterior de gente como Haneke e outros seguidores que passam uma vida inteira se repetindo e trata
Por Marcus Almeida, em 21/01/2013 | 00:24:21 h
Se os filmes premiados por cannes mantiverem o nível dos últimos anos, a palma de ouro vai ser o mesmo indicativo de qualidade do oscar.
Por Paulo Polastri, em 21/01/2013 | 00:23:55 h
Comparar com o Oscar é sacanagem, huahauhau.

Mas prêmio nenhum torna um filme imune a críticas. Em última instância, os prêmios não querem dizer nada. O que importa é o que tá na tela, né.
Por Vinícius Aranha, em 20/01/2013 | 22:06:56 h
Palma de Ouro, ultimamente tão confiável quanto o Oscar.
Por Gustavo Hackaq, em 20/01/2013 | 18:54:05 h
Palma de Ouro está aqui mandando beijos para todos vocês, n.
Por Daniel Oliveira Neves, em 20/01/2013 | 17:06:06 h
Esse filme me emocionou, minha vó com Alzheimer envelheceu de certa forma, do mesmo jeito que a esposa do protagonista, é extremamente triste vê alguém ficar nesse estado.
Por Reginaldo Almeida, em 20/01/2013 | 15:04:10 h
Discordo da critica e da nota. Não foi o final que eu queria para o filme, fiquei até triste (Claro que é polêmico). Mas entendi o que o diretor quis passar. E valeu muito pela a interpretação do casal, principalmente a de Emmanuelle Riva, Que merece esse oscar sem duvida.
Por Matheus Borges, em 20/01/2013 | 14:40:55 h
Realmente. Se um filme é chamado hoje de "existencialista", é realmente difícil desvincular-se daquela visão de negativismo e angústia diante das escolhas de vivência dos personagens que, como você bem disse, foi talvez o grande tema da filmografia de Bergman. Não conheço Haneke tão bem assim, e sequer vi Amor, mas sempre tive a impressão de que, para o bem ou para o mal, ele levava essa possibilidade de ambiguidade dos comportamentos aos extremos, ao ponto em que chega a acarretar consequências físicas, atitude que Bergman tomou em um número menor de obras (Persona, por exemplo). De todo modo, você também trouxe a sua visão sobre isso ("se aproveitaram mesmo de alguns dos aspectos mais negativos e pesados da filmografia do sueco") e agora vai ser difícil ver Amor sem levar em conta o que você disse.
Já Resnais sempre foi mais sutil, por isso achei que seria interessante saber em saber quem seriam os tais que buscaram reinterpretá-lo em filmes próprios.
Buscarei o texto, obrigado!
Por Paulo Matheus, em 20/01/2013 | 13:51:43 h
Se esse foi o significado que ele quis dizer, então me equivoquei no comentário. Pelo o que entendi de "uma espécie de museu do cinema europeu", os dois atores veteranos não apresentaram expressão, estão ali apenas expostos, porque representam uma importância no cinema da França. Mesmo entendendo o texto do Lazo e o que ele diz sobre a filmografia do Haneke, não concordo inteiramente com a crítica.
Por Rodrigo Torres de Souza, em 20/01/2013 | 13:40:06 h
Paulo Matheus não entendeu o significado de "não bastasse o par de veteranos que praticamente representam uma espécie de museu do cinema europeu". Se reler o trecho, vai perceber que Lazo não estava sendo pejorativo, pelo contrário. Afinal, peças de museu têm valor, o que já seria suficiente para o elenco ter um peso, tornando-se a presença de uma atriz consagrada como Hupert desnecessária.
Por Rodrigo Torres de Souza, em 20/01/2013 | 13:37:37 h
A CRÍTICA BOMBOU!!!

Quando tiver um tempo, leio os comentários.
Por Vlademir Lazo , em 20/01/2013 | 05:05:57 h
Victor, enquanto a visão de "amor" e de mundo de filmes como esse apelarem pra um sofrimento edificante e gerarem momentos de náusea como os que vão se acumulando nele (os spoilers - nem tao graves visto que não revelam o desenvolvimento do filme - é pra que sirvam de exemplo de quais as partes que pegam mais pesado nesse sentido), o realizador pode ter o nome que for que a minha adesão a ele não terá.
Por Vlademir Lazo , em 20/01/2013 | 05:04:48 h
Matheus, a comparação é porque existe esse texto clássico (que recomendo muito, vale a pena) em que o Douchet fala muito bem e defende os primeiros filmes de Resnais, mas se preocupa com o excesso de filmes ruins e diretores que os imitavam, todo um subcinema que poderia geral e que imagino existisse na época. Foi o que me levou a pensar que exatamente o mesmo ocorreria com Bergman, então sobre o que você perguntou, nao teria nenhum nome em mente ao mencionar os seguidores de Resnais, somente os de Bergman, como tratado no último parágrafo.
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 20/01/2013 | 04:03:38 h
"heuehuue, e o Lazo é um hater de carteirinha do Haneke."

É verdade, já foi comprovado. E só não li o texto aquela hora por causa dos spoilers, agora, eu parei na nota 5 por que fiquei assustado e depois que vi os comentários alegando spoilers, nem li, mas agora que já vi "legalmente"(heheheh), já posso(ou melhor, já li)..
Por Victor Ramos, em 20/01/2013 | 03:51:21 h
heuehuue, e o Lazo é um hater de carteirinha do Haneke.
Por Victor Ramos, em 20/01/2013 | 03:50:16 h
E ainda existem babacas que, por simplesmente não haver uma compatibilidade de notas (como se uma nota, um número, fosse grande coisa), ficam com "nojinho" de ler o texto. Eu, hein. Se for pelos spoilers, eu entendo; pela nota, não. Lidar com as diferenças é importante.
Por Vinícius Aranha, em 20/01/2013 | 01:52:13 h
Explicando melhor o negócio da estética calculista: Me parecia que Haneke se focava demais nos mecanismos de mise-en-scene em prol do incômodo - ou seja, cortes na hora menos desejada, planos longos, aquela coisa já costumeira em seu cinema. Se focava tanto nisso que deixava as interpretações do casal fluírem sem conseguir se aproximar o bastante delas. A meu ver, Haneke se sai melhor com marionetes do que com personagens de verdade, rs. Mas o filme é bom, diferente e talz, só não achei nenhum filmaço.
Por Vinícius Aranha, em 20/01/2013 | 01:38:24 h
"não entendi nada do que o Aranha escreveu" Caray, tudo isso? Enfim, não senti mesmo harmonia entre os atores e a estética, senti foi uma grande distância, a ponto de antes da meia hora final o filme soar mais como um acúmulo todo calculado de gestos do que algo realmente significante para o tema.
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 20/01/2013 | 00:32:24 h
A crítica mais polêmica do ano, conseguiu bater Lincoln do Demetrius e As Aventuras de Pi do Tony..
Por Paulo Polastri, em 19/01/2013 | 23:58:14 h
Discordo do Vlademir nessa aqui, não acho que o Haneke pesou a mão no sadismo, nem que o tapa na cara ou sufocamento tenham sejam o cerne do que o filme quer mostrar. Pra mim uma cena bem mais forte e significativa é quando a Riva está contando uma cena de infância, e mesmo com a fala já não fluindo o marido consegue a compreender perfeitamente, o que faz com que ela dê a mão pra ele. O filme mais humano do Haneke, provavelmente.

E não entendi nada do que o Aranha escreveu, pra mim personagens e estética tão caminhando bem juntos nesse filme. É muito sobre aquela casa como um baú de memórias já meio desbotado, com os cômodos escuros e meio claustrofóbicos, como que escondendo fragmentos de memória da convivência daqueles dois. E o tempo arrastado, que espelha a existência dos dois ali, afastados de todo o resto, principalmente a partir da doença da mulher.
Por Paulo Matheus, em 19/01/2013 | 22:06:43 h
"não bastasse o par de veteranos que praticamente representam uma espécie de museu do cinema europeu."

Eu não posso ter lido isso.
Por Heitor Romero , em 19/01/2013 | 21:03:32 h
Discordo dessas considerações sobre Bergman. Sei que a intenção não foi essa, mas deu a impressão de que quis dizer que ele foi ficando menor com o tempo, pelo menos aos olhos de um público mais entendido - e mesmo que isso seja parcialmente verdade, suas obras continuam lá intactas, com as mesmas qualidades e defeitos que sempre tiveram, e se o público cinéfilo ainda reconhece isso ou não, não importa. Se influenciou negativamente alguns seguidores, isso tbm não diminui sua importância, pq quase todos os grandes cineastas tiveram seguidores sem talento. É bom que outros cineastas menos conhecidos sejam descobertos e estudados, mas isso em momento algum interfere na minha admiração por outros já mais consagrados, só pq a maioria já os conhece. A questão não é o quanto são conhecidos ou reconhecidos, imitados ou desprezados, e sim a qualidade de suas obras.
Por Matheus Borges, em 19/01/2013 | 20:25:48 h
Sei que foi uma paráfrase, mas você tinha algum nome em mente quando mencionou os "filhos de Resnais", Vlademir?
Por Daniel Mendes , em 19/01/2013 | 19:55:20 h
Só editando a geracão que apoia o nazismo e não a geração do nazismo que nem eu escrevi ali embaixo. O fato é que Haneke vê o ser humano como uma massa de babacas que carregam em si sementes do mal e podem ser facilmete corrompidos. Aqui um texto interessantíssimo sobre ele: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/famecos/article/viewFile/7787/5535
Por Vinícius Aranha, em 19/01/2013 | 19:38:17 h
Nem me incomodei com a secura, só achei que o filme girava mais do que andava. Tipo, a cena do sonho e as do pombo me soaram bastante desnecessárias, além do elenco seguir uma direção (os olhares como motor) e a estética seguir outra (o calculismo sobre a mise-en-scene como motor). É um bom filme, mas meio irregular.
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 19:34:27 h
Ele não distorce o ser humano de modo algum,ele retrata seres humanos reais em seus filmes,nada robóticos.E "A Fita Branca" não retrata a origem do nazismo politico cara,acorda!"A Fita Branca" retrata o aspecto negativo de uma sociedade criada dentro de uma repressão calvinista numa sociedade feudalista do inicio do seculo XX,o que descambaria para comportamentos sociais que poderiam ser sim a semente da maldade dos oprimidos na alemanha do pós Primeira Guerra.Por isso que Haneke insere a morte de Francisco ferdinando na trama,mostrando o novo caminho que a historia tomaria.E a narração em off na verdade foi uma cartada de mestre,porque como se trata de uma rica conjectura,nada como um tom de fábula e o excelente final "no ar" para fortalecer o conceito de idéia jogada no ar para ser refletida.Leia os filosofos de Frakfurt,Heidegger por exemplo,que então tu vai entender o filme e parar de tirar conclusões erradas.Tu é muito,muito ingênuo Daniel.Babaquice sobre a origem do nazismo?
Por Paco Picopiedra, em 19/01/2013 | 19:30:28 h
Tiozinho Michael tinha em mãos o material perfeito, o risco de ser encarado de forma negativa era grande. A pancada impressiona alguns, mas funciona como um filtro, pois é no intervalo entre um soco e outro que se encontra o valor do filme, intensificado pela sincera entrega dos atores principais. A passagem do tempo é inevitável, aquilo realmente acontece, é a vida.

Por Paco Picopiedra, em 19/01/2013 | 19:30:11 h
Discordo que Haneke queira chocar como objetivo principal e único. Não considero perfeito porque o tema é um velho conhecido nosso, porém, também não o vejo como uma provocação, por isso não encaro o título com cinismo. O diretor se abstém de todo tipo de artifício que dê a entender que sua obra seja propaganda para vender lenços de papel. Perceberam como a música é sempre interrompida - e num desses momentos acontece, quiçá, a melhor cena do filme? É isento de declarações açucaradas, sem beijos/abraços, mudanças de comportamento forçadas, nem confissões de última hora, como a esposa, em seu leito de morte, revelar que a filha do casal é, na verdade, fruto de um incesto (salve, Almodóvar). É cru para preservar o foco, e isso gera o distanciamento de alguns e a aproximação de outros.
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 19:27:01 h
Sim,desde Hobbes,desde os céticos.E no cinema desde o Expressionismo alemão da década de 20.Vide "The Last Laugh".
Por Daniel Mendes , em 19/01/2013 | 19:24:04 h
É claro que não é só o lado bom da humanidade que deve ser retratado, mas o modo do Haneke realiza sua obra com cinismo exagerado, optando sempre por simplificar os seres humanos a indivíduos extremamente robóticos e com uma puta tendência a fazer o mal. Daí o fato deu odiar a pessoa dele que tem uma visão completamente distorcida do ser humano. Vale sempre lembrar a narração em off extremamente covarde de A Fita Branca e toda aquela babaquice sobre a geração do nazismo, sem considerar o contexto político, já que aquilo que aconteceu na Alemanhã vai muito além da pura maldade do ser humano.
Por Guilherme Moreira, em 19/01/2013 | 19:21:08 h
Para aqueles que se incomodam com a abordagem do cinema do Haneke, quanto aos temas que se esbarram na maldade humana como algo inato (e que nem acho que seja o caso de Amour): qual o problema disso, afinal de contas? É apenas a visão do cineasta recortada na forma da sua expressão de arte, o cinema, portanto. Essa questão já foi abordada exaustivamente na literatura e filosofia, desde os pré-socráticos, passando por Hobbes, desembocando em escritos de Victor Hugo e William Goldwin. Haneke apenas insere a sua marca nesse questionamento, sem pretensão de querer elaborar a teoria definitiva da natureza humana.
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 19:15:07 h
Concordo com o felipe Alekhine
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 19:13:28 h
"Sobre o Haneke, não me resta dúvida que é um cara problemático que tem ódio da humanidade, sempre cruel e com tendência a fazer o mal (a excecão dele é claro)."

Isso aqui é que não faz sentido,além de ser por demais ingênuo.Haneke não é um homem pervertido ou malvado,pelo amor de Deus,é só um cineasta.Tu tava brincando quando disse isso né?Agora é só o lado bom da sociedade que deve ser retratada?
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 19/01/2013 | 19:12:21 h
Se fosse só por causa da nota, tem spoilers, Daniel . E acabei de vê-lo, obra-prima, simplesmente..
Por Júlio César Filho, em 19/01/2013 | 19:12:21 h
Metralhadora giratória!
Por Daniel Mendes , em 19/01/2013 | 19:08:47 h
"A importancia de Bergman hoje é irrelevante,o que importa foi a importancia dele quando vivo. A história anda." Só para mim que isso aqui não faz sentido algum?????
Por Felipe Alekhine, em 19/01/2013 | 19:06:11 h
Eu respeito o sr Lazo,certamente um dos que mais manjam no Cineplayers,mas sei lá,não curti a crítica ...

Meio que apenas repete uma certa tendência aí numa parcela mais 'hipster' da crítica internacional-tanto quanto a Haneke quanto a Bergman.

Meio cansado desse mundo das críticas e tals e aliás meio de saco-cheio com os filmes em cartaz.Vamos ver se Holy Motors salva...
Por Daniel Mendes , em 19/01/2013 | 19:06:04 h
Não ler um texto por causa da nota é uma tremenda besteira. Eu nem sou um grande fã do Bergman, mas me parece claro pelo que vejo de cinéfilos muit mais experientes, que ele não goza mais de tanto prestígio. O mesmo vale para Fellini, Truffaut e alguns outros, o que não quer dizer que eles não sejam ótimos cineastas (ou gênios se vcs preferirem). Sobre o Haneke, não me resta dúvida que é um cara problemático que tem ódio da humanidade, sempre cruel e com tendência a fazer o mal (a excecão dele é claro).
Por Vinícius Aranha, em 19/01/2013 | 19:05:25 h
Concordo com o Silvio Pilau.
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 18:31:53 h
A importancia de Bergman hoje é irrelevante,o que importa foi a importancia dele quando vivo.A história anda.
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 18:30:04 h
Uma diferença clara entre Bergman e Haneke:Bergman filosofava sobre Deus e sua influencia ou não na humanidade(e ai eu concordo que as vezes ele se equivocava pela superficialidade de alguns de seus questionamentos) e Haneke filosofa sobre a humanidade e suas atitudes psicológicas mais terrenas,sem metafísica.Nenhum dos dois eram misantropos,apenas focavam no lado mais perturbador da humanidade,e se esse lado obscuro da humanidade existe,nada mais justo que seja devidamente retratado.E o artista tem que se auto-impor o limite sem se preocupar em agradar ou não o público,mas em fazr uma obra de arte convincente.Não acho que haneke pegou o pior da filmografia de bergman e acho que ele nem quis,a única semelhança é o foco.
Por Guilherme Moreira, em 19/01/2013 | 18:28:54 h
Não é a primeira vez que vejo algum 'crítico' asseverar sobre a a menor importância que Bergman vem recebendo entre os círculos cinéfilos atuais. Pura bobagem. Além da falta de embasamento explícito quando se pretende tirar a admiração duradoura de um idealizador que certamente não agrada aqueles que assim dizem, é notório que não existe qualquer respaldo mais objeto para se constatar tal insanidade, não passando de mera abstratização de um ponto de vista unicamente simplista nas suas próprias linhas de interpretação.

Mas bem, só para ilustrar melhor esse meu ponto abordado, Roger Ebert compartilha da mesma inquietação, ao contra-atacar um artigo de Rosenbaum.

Como não caberá uma citação do trecho pertinente neste espaço, deixo o link, para quem se interessar.

http://rogerebert.suntimes.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20070807/PEOPLE/70808002
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 18:24:24 h
E porque chamar de "fãs" quem gosta de haneke?
Por Marcus Almeida de Castro, em 19/01/2013 | 18:23:36 h
Cara,eu acho personagem da Huppert até indispensável,pois mostra o afastamento da filha em relação aos pais.Como vcs podem notar no primeiro dialogo entre ela e o Trintignant,é um distanciamento sufocante.Haneke é um artista,não deve-se impor limites à um artista.Nada do que ele faz é gratuito ,é verossímel,e se apropriar do espectador é o mínimo que eu espero de um artista como ele.Grande filme.
Por Luís Pedro Constante Montijo, em 19/01/2013 | 17:40:31 h
Critica ridicula com nota ainda mais ridicula. O melhor filme do ano!
Por Vinícius Aranha, em 19/01/2013 | 17:30:01 h
Lazo exagerou um pouco, mas também não entendi todo esse hype em torno do filme.
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 19/01/2013 | 16:01:24 h
Rodrigo, só botando lenha na fogueira, né?
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 19/01/2013 | 15:42:05 h
Parei na nota 5.0 [2]
Por Gustavo Hackaq, em 19/01/2013 | 15:37:04 h
Parei na nota 5.0
Por Rodrigo Torres de Souza, em 19/01/2013 | 14:46:50 h
Quem curtiu a pezada no peito de Bergman, levanta a mão! o/
Por Daniel Vilas Boas, em 19/01/2013 | 14:30:14 h
Tem spoilers enormes nessa crítica, bem que poderia avisar em cima. E sobre o texto, os haters do Haneke conseguem ser piores e mais afetados que os fãs.
Por Rodrigo Torres de Souza, em 19/01/2013 | 14:21:49 h
Um ou outro spoiler no texto, pessoal, quem não quiser lê-los, recomendo que leia após ter visto o filme.

Quanto ao cinismo do título, foi exatamente o que pensei antes de ver o filme, mas hoje interpreto a obra como uma versão real do amor, que precisa superar várias situações difíceis, abrir mão, algo que vai de encontro à versão romantizada comumente apresentada.

Agora, concordo que Haneke joga sempre com o objetivo de impressionar o espectador e com o fato de Isabelle Hupert ser completamente dispensável - além de interpretar uma personagem muito chata!
Por Sandro Lima, em 19/01/2013 | 14:04:00 h
Pausa dramática para os dois últimos parágrafos. O.O'
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 FICHA DO FILME

 Amor
(Amour, 2012)
• Direção:
- Michael Haneke
• Elenco Principal:
- Emmanuelle Riva
- Jean-Louis Trintignant
- Isabelle Huppert
• Sinopse: Georges e Anne estão na faixa dos oitenta anos. Ambos são professores de música aposentados. Sua filha, que também é musicista, mora no exterior com sua família. Um dia, Anne sofre um derrame e o vínculo amoroso do casal é severamente testado.
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