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CRÍTICA

As Horas Vulgares

(Horas Vulgares, As, 2011)
Por Daniel Dalpizzolo Avaliação:                 8.0
Amparo e ruína.

Uma sensação de mal-estar perpassa cada uma das imagens de As Horas Vulgares (idem, 2011). Contrapondo o que geralmente é visto em filmes que giram em torno de amizades, a estreia de Rodrigo de Oliveira e Victor Graize não canoniza a relação entre os amigos ali retratados, nem a compreende como solução para resolverem seus conflitos particulares com o mundo. Não se trata de celebrar a amizade, de compôr uma ilha autossuficiente em meio ao mar de concreto da cidade que habitam — uma Vitória noturna e soturna, negra e melancólica, regada a bebidas, cigarros e jazz —, e sim de compreender estas relações que se entrelaçam como um agrupamento necessário para a sobrevivência de todos. Esse grupo, se existe enquanto meio de lidar com o desamparo e a solidão, também constitui uma fortaleza que, embora essencial a essas pessoas, é quebradiça, e pode se estilhaçar a qualquer instante.

É a iminência da ruína, presente de forma intensa na relação de Lauro, o pintor em crise, com os demais integrantes do grupo,  que faz de As Horas Vulgares um filme tão peculiar e provocativo — especialmente na cinematografia brasileira recente. Em termos de comparação, pode-se dizer que o longa está mais para A Mãe e a Puta (La Maman et la Putain, 1973), de Jean Eustache, ou para o cinema de Phillipe Garrel, influência mencionada pelos autores, do que para Os Monstros (idem, 2010) — talvez o longa sobre amigos que mais esteve em evidência no país recentemente. De Garrel, observa-se toda uma cartela de conceitos estéticos e de encenação, compondo uma mise en scène que se distancia dos padrões do cinema contemporâneo nacional. De Eustache, a sensação exasperante do filme como uma bomba a ponto de explodir, cercada de homens encarando o inferno frontalmente. 

A atmosfera impregnada de melancolia do filme deve-se bastante às experências de Rodrigo e Victor com a cidade de Vitória, e à relação que construiu-se entre um e outro, entre ambos e seus amigos e entre eles todos eles e a cidade. A presença deste elemento autorreferencial permite ao filme uma entrega arriscada e latente ao drama dos personagens. As Horas Vulgares não se inibe de trabalhar suas questões e reflexões existenciais até um limite de composição poética que pode gerar abstrações incômodas a quem não se permitir uma entrega mínima ao filme. Os autores lidam tanto com as cenas mais silenciosas quanto com os diálogos entre seus personagens de forma passional, e esta pulsão dá aos principais conflitos do filme uma intensidade muito particular — a cena derradeira de Lauro é especialmente forte.

A cena, aliás, clarifica o grande trunfo da abordagem de As Horas Vulgares sobre este  grupo. Se o filme trabalha suas relações sob uma espécie de simbiose (“Eu sou todos esses homens”, diz uma das meninas enquanto conversam sobre seus vários parceiros), o sacrifício de Lauro, cuja dor e desolação prevaleciam tal qual um câncer crescente neste organismo coletivo, se apresenta como tentativa de cura de uma doença que fazia o corpo padecer, como a amputação de um membro putrefato que aos poucos contagiava o restante. A opção do pintor pelo próprio sacrifício é a opção por seguir fazendo parte deste organismo não mais como doença, mas através do afeto e das memórias retidas, seja por experiências compartilhadas ou pela pintura deixada de herança no quadro pendurado na parede. A sensação de desconforto, entretanto, mesmo após a solução física, não parece se esvair. As pessoas podem ir e vir, mas o lugar que ocuparam, por bem ou por mal, permanecerá ali para sempre.

Visto na 15a Mostra de Cinema de Tiradentes.

Por Daniel Dalpizzolo, em 25/01/2012
Avaliação:                 8.0
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• Felipe Leal 8.0
•  Média 8.0
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Por Daniel Dalpizzolo, em 11/08/2013 | 21:11:02 h
ainda vai estrear no rio, rodrigão. se liga!
Por Rodrigo Torres de Souza, em 10/08/2013 | 02:12:25 h
Se eu lembrasse desse texto, teria feito um esforço pra ver o filme. Cazzo!
Por Daniel Dalpizzolo, em 27/01/2012 | 04:26:46 h
Outras virao, Rodrigo. O ritmo aqui ta intenso, mas nos proximos dias entrarao varios textos ainda.
Por Rodrigo Torres de Souza, em 26/01/2012 | 23:11:06 h
Finalmente uma crítica realmente positiva! FINALMENTE!
Por Daniel Dalpizzolo, em 26/01/2012 | 12:07:25 h
É cedo pra dizer, João. Ainda faltam muitos filmes.
Por João Paulo , em 25/01/2012 | 19:17:59 h
Melhor filme em Tiradentes, Dalpy?
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 FICHA DO FILME

 Horas Vulgares, As
(Horas Vulgares, As, 2011)
• Direção:
- Rodrigo de Oliveira
- Vitor Graize
• Elenco Principal:
- João Gabriel Vasconcellos
- Rômulo Braga
- Higor Campagnaro
• Sinopse: Na noite vazia de Vitória, Théo e Lauro se reencontram. Entre a cumplicidade dessa noite e a memória de noites passadas em festas na companhia de velhos conhecidos, bebidas e jazz, eles irão confrontar a realidade e o desencanto.
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• A Mãe e a Puta
• Os Monstros
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