FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS   SÉRIES PUBLICIDADE
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS
TOPS
PREMIAÇÕES
ARTIGOS
COMENTÁRIOS
FÓRUNS

SÉRIES
CADASTRE-SE   |   ENTRAR
CRÍTICA

Bergman 100 Anos

(Bergman: A Year in a Life, 2018)
Por Bernardo D.I. Brum Avaliação:             6.5
Desconstrução e exaltação.
imagem de Bergman 100 Anos
Ingmar era um homem com desordem alimentar, terríveis dores estomacais e pernas inquietas. Era egocêntrico, esquecido, ciumento e infiel. Bergman, por sua vez, era um dos mais produtivos e premiados diretores do cinema, teatro e televisão, o diretor dos sonhos de todo ator, autor de algumas das obras mais revolucionárias da sétima arte. E, o que a diretora Jane Magnusson gostaria de lembrar, eram a mesma pessoa.

Esse é o ponto de partida do documentário Bergman - 100 Anos, celebração, como o nome já diz, do centenário de nascimento de uma figura tão ilustre. “Um ano na vida”, no título original, o filme tem como ponto de partida o ano de 1957, quando Ingmar Bergman se envolveu em nada menos que seis produções para cinema, teatro e televisão. Duas dessas obras foram O Sétimo Selo e Morangos Silvestres. Com o filme sobre uma Europa devastada pela Idade Média ganhando o prêmio especial do júri de Cannes e o road movie do professor idoso vencendo o Urso de Prata do Festival de Berlim, Bergman estava por assim dizer no topo do mundo - ao mesmo tempo em que dirigia uma peça de cinco horas e era internado em um hospital para tratar da úlcera devastadora. E, no meio tempo, sentava-se em seu quarto isolado para escrever alguns dos filmes mais desafiadores do cinema. 

Não é o primeiro filme de Magnusson sobre Bergman - a minissérie documental Bergman’s Video e Trespassing Bergman já traziam vários diretores comentando sua obra e visitando os locais onde morou em vida, como a Ilha de Färo. Bergman - 100 Anos, por sua vez, carrega em sua divulgação a epítome de ser “o filme definitivo sobre vida e obra de Ingmar Bergman”. Coisa que alcança, ao menos em parte. 

A diretora trabalha inteligentemente ao contrapor, ao mesmo tempo em que acompanha a ascensão de Bergman ao panteão dos mitos do cinema, o quanto sua vida pessoal era perturbada por doenças e condições que o atormentavam, ao mesmo tempo que também tinha de lidar com as crises conjugais. O ponto base serve para que os depoimentos, imagens de arquivo e narração façam idas e vindas no tempo, mostrando de onde Bergman veio, o que relatou sobre sua infância e juventude, no que foi desmentido por biógrafos e parentes e depois o que conquistou, o que realizou, quem influenciou e o que teve de encarar. 

O filme tem bons argumentos para reforçar a impressão geral que Bergman não era uma pessoa fácil de lidar, vaidosa com o seu trabalho e sua visão autoral, sujeito a ataques de fúria avassaladora e rompantes de gritaria. Ao mesmo tempo aponta, paradoxalmente, como encenava um filme para seus atores e diretores de fotografia de forma quase sensorial, gesticulando, indicando a movimentação dos atores com leves toques no ombro e no rosto, fazendo pantomimas e disparando comentários sardônicos. Pode ser tanto um homem angustiado e sombrio com momentos de leveza ou um homem ordinário e tradicional com um lado feio que por vezes vem à tona. Talvez seja os dois, e esse é o ponto forte do documentário.

Por outro lado, o documentário em si não tem exatamente defeitos; tem carências, além de escolhas esquisitas. Fica difícil compreender depoimentos como de Barbra Streisand ou dos diretores que admiravam o sueco, como Lars Von Trier e John Landis - só estão lá para fazer comentários elogiosos mesmo quando criticam seu comportamento pessoal. Muitos que participaram ativamente da carreira de Bergman tem espaço mínimo - como Liv Ullman, com aparições pingadas - ou só aparecem por meio de imagens, sem prestar depoimentos - como Max Von Sydow e Bibi Andersson, ambos ainda vivos e dois dos maiores colaboradores de Bergman.

Ainda que tenha coisas interessantes, como o flerte de Bergman com o nazismo, seu primeiro namoro terminado de forma intensa com a atriz e espiã Karin Lannby, ou a entrevista inédita proibida de ser veiculada na década de 70 com seu irmão Dag Bergman, o filme acaba deixando de lado o ano de 1957 ao longo de seu desenvolvimento e focando mais em um porto seguro dos clichês biográficos da carreira do artista - seu relacionamento com Liv Ullman, seu auto-exílio após ser denunciado por fraude fiscal, a vida reclusa na ilha de Färo, a premiação com a “Palma das Palmas” em Cannes, único a receber até hoje. Começa como uma interessante problematização, termina como uma exaltação bem pensada, bem editada, porém comum. 

De qualquer forma, o material apresentado em Bergman - 100 Anos é um prato cheio para os fãs de um artistas que mais se libertou de amarras e produziu um cinema radicalmente pessoal e quase artesanal, conhecendo grandes públicos, aclamação crítica e reconhecimento da vanguarda artística e nos deixou em 2007 como um dos nomes mais revolucionários e influentes do século 20. E, além de prato cheio, alguns passos a mais (tímidos, é verdade) dentro da intimidade do Ernst Ingmar por trás do grandioso Bergman.
Por Bernardo D.I. Brum, em 14/07/2018
Avaliação:             6.5
Notas - Equipe
• Bernardo D.I. Brum 6.5
•  Média 6.5
Notas - Usuários
aguardando 3 votos
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
    --
• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (0)
Não há opiniões dos usuários.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 CINEPLAYERS CAST
CP Cast
• #41 Batman: O Cavaleiro das Trevas
• #40 100 anos de Ingmar Bergman
• #39 Os Incríveis 2
• #38 Era Uma Vez no Oeste
• #37 Jurassic Park e Jurassic World
• #36 O Bebê de Rosemary
• #35 A Noite dos Mortos-Vivos e Despertar dos Mortos
• #34 Han Solo: Uma História Star Wars
• #33 Deadpool 2
• #32 Um Corpo que Cai
• #31 Stephen King no Cinema
• #30 Vingadores: Guerra Infinita
• #29 A Franquia 007
• #28 Um Lugar Silencioso
• #27 2001: Uma Odisseia no Espaço
• #26 Jogador Nº1
• #25 Planeta dos Macacos
• #24 Quentin Tarantino
• #23 75 anos de David Cronenberg
• #22 Projeto Flórida
• #21 Trama Fantasma
• #20 Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird
• #19 Oito e Meio de Fellini
• #18 A Forma da Água
• #17 The Post e os filmes de Jornalismo
• #16 Indicados ao Oscar 2018!
• #15 20 Anos de Titanic
• #14 Nostalgia Cinéfila - Especial 15 Anos!
• #13 Melhores de 2017
• #12 Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
• #11 Especial Natalino
• #10 Assassinato no Expresso Oriente
• #9 Onde os Fracos Não Têm Vez
• #8 Liga da Justiça
• #7 Stranger Things
• #6 45 anos de O Poderoso Chefão
• #5 Branca de Neve e os Sete Anões
• #4 Halloween
• #3 Blade Runner / Blade Runner 2049
• #2 De Volta Para o Futuro
• #1 Os Goonies
• #0 O Piloto
 LEIA TAMBÉM
 FICHA DO FILME

 Bergman 100 Anos
(Bergman: A Year in a Life, 2018)
• Direção:
- Jane Magnusson
• Elenco Principal:
- Ingmar Bergman
- Lena Endre
- Thorsten Flinck
• Sinopse: Uma homenagem ao diretor sueco Ingmar Bergman, no ano de seu centenário.
 FILMES RELACIONADOS
• Morangos Silvestres
• O Sétimo Selo
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
MAIS ASSISTIDOS
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
ESPECIAL A NOVA HOLLYWOOD
ESPECIAL WES CRAVEN
CHAT
MAPA DO SITE
API CINEPLAYERS
ANUNCIE CONOSCO
         
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018)

           
 USUÁRIOS
 + ASSISTIDOS
 EQUIPE
 HISTÓRIA
CONTATO
FAQ
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
WES CRAVEN
MAPA DO SITE
API
ANUNCIE