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CRÍTICA

Clube de Compras Dallas

(Dallas Buyers Club, 2013)
Por Francisco Carbone Avaliação:           5.0
Matthew McCounaghey e Jared Leto: os reais donos desse clube.

A primeira vez que ouvi falar de Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013) foi através de fotos de bastidores das filmagens, no melhor estilo Caras, sobre como estavam Matthew McCounaghey e Jared Leto em cena: o primeiro, cadavérico, e o segundo, travestido. Com carreira revitalizada e numa espiral de filmes e personagens excelentes, logo a palavra 'prêmios' foi associada ao texano que surgiu para o cinema há 20 anos, foi considerado uma espécie de jovem Paul Newman, explodiu mais explorando a beleza e o carisma do que o talento e embarcou num ostracismo típico de quem não tinha mais pra onde seguir. Mas a volta por cima começou há 2 anos, com o inesperado sucesso de O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer, 2011)... desde então, Matthew não errou mais (talvez a única bola fora tenha sido Obsessão (The Paperboy, 2012), mas como desconfiar da adaptação de um best seller onde você faria um personagem gay? - sempre sinal de bons momentos on screen).

Já Leto não tinha tido um burburinho de estreia como seu colega de cena. Explodiu como galãzinho teen na tv americana, e assim foi exportado para o cinema. O ponto de curva foi quando emendou Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, 1998), Clube da Luta (Fight Club, 1999), Garota, Interrompida (Girl, Interrupted, 1999), Psicopata Americano (American Psycho, 2000) e o protagonismo de Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000). Mas ele preferiu ser rockstar - no cinema, já não o via há 4 anos. Agora ambos são as apostas máximas para levar carecas dourados dia 2 próximo. E pasmem: o cara que era apenas o travesti do lado de McCounaghey das fotos de um ano atrás, hoje tem ainda mais chances que o líder do elenco. O filme? Ah, esse tem sérios problemas.

Montagem péssima, que tenta destruir somente as cenas cruciais de ambos, optando por não enveredar pela emoção desbragada, mas que acaba picotando grandes momentos dos dois intérpretes, principalmente de Leto. Isso tudo é prova de uma incompetência de Jean-Marc Valee, diretor e montador, pra mim desconhecidas. Conhecido pelos muito bons C.R.A.Z.Y. – Loucos Por Amor (C.R.A.Z.Y., 2005) e A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, 2009), o canadense dá uma marcha a ré na qualidade e aposta nesse roteiro didático e bem enfadonho (principalmente quando somos obrigados a acompanhar a evolução da AIDS através de uma... médica?!), o filme acabou chegando nos píncaros do reconhecimento através de Matthew e Jared, que comandam um show onde eles são as únicas estrelas.

O filme parte da história real de Ron Woodruff, um grosseirão homofóbico, beberrão, mulherengo, drogado e criador de confusão. Pela quantidade de "predicados" do moço, não é estranho quando ele é diagnosticado como soropositivo no final dos anos 80. O médico grita que pelas péssimas condições em que ele se encontrava, nada além de 30 dias de vida o aguardava. Responde impropérios, e sai batendo a porta. Ao se ver na beirada do abismo, prestes a perder o jogo de xadrez com a garota da foice, o malandro sai em busca do remédio para o qual ainda teria de entrar na fila pra conseguir. É no México que ele encontra a resposta para uma sobrevida saudável, e ao começar a traficar os medicamentos para os EUA, cria o tal clube do título auxiliado por Rayon, um travesti exalando feminilidade que conheceu numa recaída braba onde baixou hospital. Os dois, ao lado da médica que não tem nenhum conhecimento sobre a indústria médico farmacêutica americana, travam uma batalha contra o governo e as autoridades. E os 30 dias de Ron viram anos...

Ancorado na força da expressão de McCounaghey e na sensibilidade extrema do olhar de Leto (que tem cenas em dupla ora divertidas, ora de cortar o coração; sempre avassaladores), Clube de Compras Dallas alcança uma força que jamais vem de seu idealizador (muito menos da apática Jennifer Garner, numa personagem simplesmente medonha), nem do roteiro tatibitate que encena anos importantes de uma batalha que precisa ser conhecida sobre mais uma período onde os EUA se mostraram os vilões da história.

No fim das contas, os três Oscars que deve levar (além dos meninos, ainda a maquiagem) devem maquiar a cara ruim do resultado final do produto. Mas devido à importância e relevância das vozes ouvidas por essa fatia triste do princípio do combate a uma doença devastadora, e graças a uma dupla cujo talento fala mais alto que a edição pode sujar, Dallas e sua simplicidade (no que isso tem de positivo e negativo) tendem a permanecer na memória como uma experiência positiva. Mesmo que não seja de todo.

Por Francisco Carbone, em 17/02/2014 Avaliação:           5.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 8.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 6.0
• Demetrius Caesar 5.5
• Silvio Pilau 7.0
• Marcelo Leme 7.0
• Francisco Carbone 5.0
•  Média 6.6
Notas - Usuários
7.5 (345 votos)
Minha nota:
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Comente no Cineplayers (25)
Por Alexandre Marcello de Figueiredo, em 21/06/2014 | 16:03:44 h
Muito boa a atuação dos dois atores principais.
Por Sidnei Rodrigues Noronha, em 04/05/2014 | 23:47:33 h
O filme demonstra com muita eficiência todo o descasoda política de saúde estadunidense e a sanha das indústrias farmacêuticas em relação ao HIV e toda a disputa mercadológica de patente que vitimou muitos doentes. A temática é muita séria e ousada. No elenco McCounaghey abandona o estereótipo de galã e sobra em cena e Leto está visceral na intepretação.
Por Leonardo Melo, em 28/02/2014 | 20:08:32 h
Achei a nota injusta... O filme é bom. McCounaghey está incrível. O filme tem um ritmo bom e funciona (para mim) como denúncia. Vale (e muito) o ingresso.
Por Alexandre Carlos Aguiar, em 28/02/2014 | 18:13:22 h
Deixa eu entender. O filme é ruim, mas os atores são bons. E os atores não conseguem salvar o filme?
Por Ted Rafael Araujo Nogueira, em 27/02/2014 | 00:43:00 h
Bom filme. Denúncia escrachada e, por vezes, muito bem humorada. Fuga do melodrama e 2 grandes atuações. E a montagem me pareceu ótima sem contra indicações.

Querendo debater mais ou me esculhambar...
http://www.cineplayers.com/comentario/clube-de-compras-dallas/37529
Por Lt. Dan, em 22/02/2014 | 21:39:34 h
Ta na hora de fazer uma votação pra saber quem é o cara mais sem noção do CP, apesar de o ter certeza de que o 1º lugar fica com o Demetrius.
Por Patricia Alves Tinoco, em 20/02/2014 | 16:24:40 h
E a caracterização física do Matthew McCounaghey mostra exatamente o que está acontecendo com ele.Começa magro;sabe da enfermidade,aí aparece magérrimo;volta do México já com uma aparência melhor e definha novamente quando os remédios passam a ser controlados.No tribunal ele está péssimo novamente e depois já aparece um pouco melhor depois de ganhar o direito de ter o uso do remédio de que precisa.O tempo passando e acompanhando a história com perfeição.
Por Patricia Alves Tinoco, em 20/02/2014 | 16:09:35 h
Essa crítica cheirou a preconceito.O filme é fantástico e os atores principais dão um show de interpretação. Woodruff foi um ser humano especial que não aceitou que tinha que morrer e lutou por sua sobrevivência e ajudou muitas outras pessoas também.O roteiro não tem nada de enfadonho. E a crítica feita às indústrias farmacêuticas e aos médicos terá sempre o meu apoio.
Por Caio Henrique, em 20/02/2014 | 11:02:56 h
Man,esse tal de McConaughey tá um monstro.Imagino o que aconteceu com ele pra sofrer uma transformação tão abrupta nas suas interpretações ultimamente.O cara mudou da água pro vinho.
Por Adriano Augusto dos Santos, em 19/02/2014 | 09:38:35 h
Eu achei muito bom.Tem ritmo.É divertido,mesmo com o tema e ainda fala bem dele e da situação surreal aidetico=gay que era um fato geral pro povo da época.

E a montagem não tem nada,nada de fraca.
Por Daniel Oliveira, em 19/02/2014 | 09:00:22 h
Carbone não poderia estar mais correto. O filme é Leto e McConaughey.
Só não concordo com a nota 5.0, achei muito baixa, mas isso é questão de gosto e critério de avaliação de cada um, claro.

Também escrevi uma crítica no meu blog pessoal, se alguém quiser conferir, segue abaixo ;)
http://cinefilosantista.blogspot.com.br/2014/02/critica-clube-de-compra-dallas.html
Por Raphael da Silveira Leite Miguel, em 18/02/2014 | 19:07:21 h
Concordo com o Adriano, Leto até teve uma ótima atuação, mas que foi ofuscada pelo seu pouco tempo em tela, até acho o seu favoritismo total no Oscar meio exagerado. Já McConaughey foi o verdadeiro destaque desse filme, que não se sustenta muito, o tornando apenas um bom filme. Concordo com a crítica, apesar da nota estar meio baixa. Outro ponto importante citado na crítica é quanto ao tema do filme, que é de extrema importância, e talvez, pela montagem, tenha ficado um pouco confuso.
Por Paula Lucatelli, em 18/02/2014 | 17:41:21 h
Realmente Kadu, o poder de desvirtuamento cinematográfico do Oscar é impressionante!
Por Adriano Augusto dos Santos, em 18/02/2014 | 08:40:51 h
Acho Matthew sensacional aqui,já Leto não achei destacado.Aliás o resto do elenco é muito sem-graça,um grupo sem força.
Por Katz, em 17/02/2014 | 22:07:59 h
O feitiço das atuações realmente ludibria consideravelmente a real força do filme.

Texto muito lúcido.
Por Alex Souza das Chagas, em 17/02/2014 | 17:01:48 h
Gostei do Filme, Drama sem ser "Dramático"... não é tão forte quanto o tema, mas a atuações da Dupla Ron e Rayon vale a pena ser assistida.
Por Diogo Cordeiro da Silva, em 17/02/2014 | 17:01:42 h
A turma criticando esse filme, só porque a imprensa tá dando moral ao Mcconaughey. Ai a "critica especializada" se dói. kkkkkk

O cara tá destruindo até em seriado. Tô viciadão em True Detective da HBO! Ele e Harelsson humilhando geral. kkkkkk

Por Gustavo Hackaq, em 17/02/2014 | 16:48:42 h
Concordo com o Kadu ali no primeiro comentário, principalmente sobre a cena do supermercado, que pra mim é uma das melhores do filme. É previsível? É sim, mas só porque nós estamos íntimos dos personagens a ponto de saber como eles vão se comportar, e isso só foi possível pelo ótimo roteiro e direção.
Por Pedro H. S. Lubschinski, em 17/02/2014 | 16:17:58 h
Entendo tudo que disse, mas ainda acho que se um ponto importante da história é retratar como o personagem permanece vivo por muito mais tempo do que lhe dão de inicio, seria bastante importante deixar claro essa passagem de tempo ao longo do filme e não largar do nada no fim um letreiro dizendo que ele viveu milhares de dias a mais do que a previsão.
E apenas pra tentar encerrar o assunto do Filadélfia, acabei não contextualizando o que quis dizer e resultou em uma comparação infeliz mesmo. Só quis dizer que no caso de Filadélfia, o próprio corpo do Hanks serve como indicio de passagem do tempo e que aqui o do McCounaghey (acho que escrevi errado, mas foda-se) não pode ser usado por que já começa no limite.
Por Pedro H. S. Lubschinski, em 17/02/2014 | 16:03:07 h
Mas foi exatamente pela AIDS que usei Filadélfia como comparação, por que lá o avanço da doença serve como indicio da passagem de tempo. A montagem tecnicamente pode até ser bem feita, não discordo disso, mas isso não muda o fato de que a passagem de tempo do filme soa confusa em diversos pontos. Ou sempre que um letreiro aparecia informando o tempo transcorrido vocês tinham ideia de quanto havia passado? Eu pelo menos não tinha essa ideia, por que nada levava a pensar isso. Como na cena em que somos informados que o protagonista ficou meses no México sendo tratado...
Por Paulo Matheus, em 17/02/2014 | 15:49:36 h
A montagem do filme não é problema. É direta ao ponto e conduzida fluidamente bem, sem apelar para o melodrama, coisa que o roteiro também faz.
Por Pedro H. S. Lubschinski, em 17/02/2014 | 15:46:31 h
Não falo pelo Carbone, mas achei a montagem do filme ruim e comprometeu bastante minha empatia com o filme. Não em termos de transição de cenas ou algo do gênero, mas a própria ideia de passagem do tempo do filme me soou confusa: uma hora achei que passaram-se dias e um letreiro diz que são meses, outra hora acontece o contrário. E nisso a própria caracterização dos personagens atrapalha (apesar das excelentes atuações), por que eles já começam o filme fisicamente "frágeis", não é como Tom Hanks em Filadélfia, onde você acompanha a evolução do tempo através do corpo do ator que se debilita com o avanço da doença - apesar de saber que aqui ela é controlada e por isso os personagens não se tornam mais frágeis.
Por Francisco Bandeira, em 17/02/2014 | 15:13:43 h
Eu achei o filme excelente! Pontua bem o humor, não virou um filme "acadêmico", não caiu na armadilha de dramas baratos, em tentar manipular! E desconsidero quase sempre o que o Demetrius fala!
Por Gustavo Hackaq, em 17/02/2014 | 14:47:05 h
Eu realmente amei esse, principalmente porque não deixaram o filme cair no melodrama. Impressionado com essas notas.
Por Flávio de Abreu, em 17/02/2014 | 13:00:27 h
Acho que merece uma nota 8.Acho que a montagem fez certo em não esticar momentos que poderiam cair no agua com açucar.Acho que Leto ganha sem duvidas ,mas já o McCounaghey não será facil,pois Dicaprio pode ganhar também.
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 FICHA DO FILME

 Clube de Compras Dallas
(Dallas Buyers Club, 2013)
• Direção:
- Jean-Marc Vallée
• Elenco Principal:
- Matthew McConaughey
- Jared Leto
- Jennifer Garner
• Sinopse: Acompanha a trajetória do eletricista Ron Woodroof (McConaughey), que iniciou uma batalha de vida ou morte contra a classe médica e as companhias farmacêuticas. Em 1985, ele se viu surpreendido por um diagnóstico de HIV. Na época, os medicamentos ain...
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