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CRÍTICA

Deslembro

(Deslembro, 2018)
Por Francisco Carbone Avaliação:                   9.0
A ditadura desconstruída.

Flávia Castro impressionou com seu filme Diário de uma Busca, que não era necessariamente um filme nunca visto antes, mas cujo tratamento sensível foi tão apurado, ao mesmo tempo que mais uma vez tentava radiografar um período tão ignorado da nossa História, mesmo tão perigoso e assustadoramente próximo. Seu filme gerou uma série de filhotes igualmente delicados, um grupo de cineastas que resolveram também eles descortinar relações paternas, ao mesmo tempo em que olhavam para a sociedade. Fica a vontade de que mais uma vez nosso cinema seja inspirado por Flávia a produzir algo tão sensorial quanto Deslembro, que participou do último Festival de Veneza e agora está competindo no Festival do Rio. Quando pensamos que a estratégia 'o passado pelos olhos de uma criança' já foi completamente esgotado enquanto tema, eis que 2018 nos coloca novas perspectivas.

Jennifer Fox esse ano em Sundance mostrou seu The Tale, e deixou a plateia boquiaberta com a forma desconcertante com que trata a pedofilia e de como nossa memória tem caminhos próprios que muitas vezes não dominamos. Pois também Flávia aborda seu roteiro através da recuperação de uma memória afetada pelo trauma de um abandono, que criou uma adolescente em conflito com a sombra da ditadura. Joana não se despediu de seu pai, ele "caiu" nos anos 70 e sua mãe refez sua vida na França, até chegar a anistia, e a hora de voltar para uma casa que Joana não reconhece como tal a faz reacender seu baú de memórias. O que ela gravou corretamente? Onde estará a verdade que o tempo e a mágoa distorceram? Joana não quer voltar ao Brasil, mas é aqui que ela entenderá o quanto sua memória é fragilizada, e foi construída sobre um amontoado de imagens desconexas.

Além de plasticamente ter feito um filme lindíssimo (com fotografia embasbacante de Heloisa Passos), Flávia também foi muito ousada em como proporcionar a estrutura imagética do filme para o espectador, e aí a comunicação com a obra de Fox é bem-vinda. O filme lida com o leque de possibilidades que a memória abre para nós, para o bem e para o mal; além de construir em roteiro essa sinuosidade pela qual nossas lembranças caminham, talvez seja ainda superior os lugares por onde as imagens são gravadas, captadas e/ou reproduzidas pela direção de Flávia. Um caleidoscópio de imagens que fazem sentido ora sim ora não, e acabam construindo o panorama de desordem descritivo de uma adolescente em processo de reconstrução interna, uma idade que ninguém retratou como fácil porque de fato não é. O filme explora muito bem a dualidade entre se estabelecer como um futuro adulto e descobrir as verdades que se escondem por trás das suas lembranças.

O filme utiliza de maneira igualmente acertada seu roteiro e o desenho de uma personagem em formação. Por já ter descrito parte de sua história no longa anterior e vermos pontos em comum entre ela e Joana, a obra de Flávia Castro se mostra até agora como um mosaico a ser montado. A comunicação entre os longas é rápida e esperada, e não são poucas vezes que imaginamos a diretora naquele lugar de montar um quebra cabeça sobre si mesma; ela conseguiu de algo tão pessoal extrair identificação tão universal, muito por causa do lugar parcimonioso com que suas lentes filmam e traduzem aquelas imagens, do passado e do presente, ambos envoltos por um lugar inexistente hoje. Sua intérprete Jeanne Boudier tem uma entrega muito sincera e suas cenas com Eliane Giardini entregam inúmeros estados de emoção incontida, e de detalhes preciosos que escaparão aos olhares menos argutos.

Ainda que o recurso utilizado para contar sua história de fato não tenha absolutamente nada de novo, Flávia volta a trazer frescor à cena por meio de um lugar da singeleza e da compreensão partilhada entre a realizadora e o público. Essa combinação de fatores cria magia em outros lugares, transformando um novo olhar juvenil sobre o passado em uma experiência enriquecedora sobretudo no ponto de vista cinematográfico, mas que nunca excluiu o aspecto humano da equação. É ele que nos faz construir junto com Joana as lacunas de sua infância.

Filme visto no Festival de Cinema do Rio de Janeiro
Por Francisco Carbone, em 06/11/2018
Avaliação:                   9.0
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 FICHA DO FILME

 Deslembro
(Deslembro, 2018)
• Direção:
- Flávia Castro
• Elenco Principal:
- Hugo Abranches
- Sara Antunes
- Jesuita Barbosa
• Sinopse: Em 1979, uma adolescente se muda de Paris para o Brasil e se encontra no meio de uma tempestade política que assola o país, sendo obrigada a enfrentar o desaparecimento de seus pais, ocorrido muitos anos antes.
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