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CRÍTICA

Dogville

(Dogville, 2003)
Por Eduardo Ross Avaliação:                   9.5
Apesar de original em seu estilo, o coração de Dogville está em sua história.

Há quem diga que o cinema vem perdendo fortemente a sua originalidade. Cada vez mais moldado pela chamada indústria cultural, apresentando padrões e regras atrelados a roteiros de fácil assimilação, acredita-se que a cinematografia perdeu de vez para a avalanche dos blockbusters e das comédias românticas mamão com açúcar. É bem verdade que as grades de programação dos multiplexes (que existem justamente com o propósito de alimentar a indústria comercial do cinema) são dominadas pelos “filmes-pipoca”. Mas seria tolice pensar que não exista mais inventividade no cinema e que toda essa “crise” tenha surgido agora. Desde os anos 30, quando Hollywood apresentava seus grandes musicais que eram para o mero deleite visual, que o cinema enfrenta a dualidade entre o puro entretenimento e o seu status de arte reflexiva. Enfim, sim, lógico que cinema é entretenimento e é sempre bom assistir filmes despretensiosamente, mas é estimulante quando aparecem obras como Dogville (2003) para mostrar como continuam existindo produções que desafiam as convenções.

Bom, toda essa longa introdução é para justamente fazer entender como ainda é possível criar e transgredir dentro de uma linguagem e como sempre existirão cineastas ousando fazer mudanças. Este filme de Lars von Trier é a prova disso. É bom ressaltar que alguns recursos do diretor podem levar muitos a tachá-lo de pretensioso. Mas seu experimentalismo tem essencialmente a intenção de quebrar certos paradigmas, e não querer criar múltiplas interpretações semióticas e afins como David Lynch. O fato que causa mais estranhamento, em relação ao não-convencionalismo, ocorre na primeira cena quando percebemos que não há cenário propriamente dito e toda a ação ocorre em um grande palco. As casas da pequena vila de Dogville são representadas por riscos no chão delineando seus limites. Há apenas alguns elementos de cena como mesas e cadeiras, além dos efeitos sonoros servirem para identificar elementos que não estão presentes (como o abrir e fechar de portas). Isso, na verdade, está de acordo com alguns preceitos de um manifesto artístico assinado por Lars von Trier e outro diretor dinamarquês, Thomas Vinterberg, chamado Dogma 95. Obviamente que nem tudo que consta no manifesto está presente, mas a idéia é justamente mostrar que filmes, para serem bons e transmitirem suas mensagens (o que seria o essencial de uma obra), não precisam de grandes recursos. 

Este método usado pelo diretor, como foi dito, pode ser uma barreira para os espectadores mal acostumados, ou até mesmo motivo de fascinação para aqueles que apenas se deslumbram com o diferente. Mas o que realmente importa em Dogville é sua história, que é o verdadeiro foco de Lars von Trier. Ele parte de uma premissa aparentemente simples: nos Estados Unidos da Grande Depressão, Grace é uma mulher que, fugindo de gângsters, chega a uma pequena vila. Lá ela é acolhida por um jovem pensador chamado Tom que tenta inseri-la na comunidade. Se isso fosse transposto para uma Sessão da Tarde da vida, seria uma lenga-lenga melosa sobre a aceitação do próximo estrelada por Hugh Grant em que no final ele acabava por conquistar a moça recém-chegada que acabou trazendo novo sentido à vida daquele povoadozinho. Bom, em parte, isso de fato acontece. Mas até certo ponto.

O roteiro de Lars von Trier é meticuloso. Ele fala sim da capacidade do homem em aceitar o próximo e tratar a ajuda alheia como simples altruísmo. Mas também mostra como isso pode ser desvirtuado e subvertido em hipocrisia e aproveitamento. Grace, a jovem indefesa que chega fugida ao vilarejo, oferece em troca da confiança dos habitantes, ajuda braçal nos seus afazeres diários (leve em conta que essa é uma comunidade dos anos 30). O que no início parecia ser tudo aquilo que aquele lugar esquecido pelo mundo precisava, alguém para infundir nova vida àquelas pessoas pacatas, alguém cuja mera presença consiste em um acontecimento para aquele local isolado e praticamente desprovido de notícias, se transforma numa alegoria sobre a exploração humana. E para enriquecer toda a odisséia de Grace são utilizados personagens bastante peculiares que servem de amostra para as várias provações a que ela se submete. Como o velho cego que se recusa a admitir sua condição, o médico com mania de doenças, a dona-de-casa frágil dedicada à educação dos filhos e o jovem com dificuldade de aprendizado, apenas para citar alguns. O próprio Tom, ou Thomas Edison Jr., personagem que luta pelo acolhimento da heroína, é um caso a parte. Ele é um rapaz tirado a intelectual inserido em uma comunidade interiorana e que vai acabar cultivando um relacionamento estranho com Grace.

Todo esse elenco de personagens caricaturais é bastante privilegiado pelos atores escolhidos para os papéis. O filme realmente exige do potencial dos artistas e principalmente de suas habilidades teatrais dadas as condições de filmagem em um “palco”. Todas as interpretações são excelentes. Nicole Kidman, que eu não lembro de nunca tê-la achado tão bonita (apesar disso não ter nada a ver com interpretação), mostra toda delicadeza necessária a Grace. Paul Bettany, ator inglês geralmente lembrado por seu trabalho em Uma Mente Brilhante (2001) e mais recentemente como o albino Silas de O Código DaVinci (2006), está mais uma vez competente, interpretando Tom. Além dos dois principais, aparecem também Patricia Clarkson, John Hurt (que na verdade narra a história) e Jeremy Davies (que atualmente pode ser visto no seriado Lost como o cientista perturbado Daniel Faraday). O elenco é vasto. E talvez, apesar da competência de todos, esse seja um dos poucos defeitos do filme. Nem todos são aproveitados em seu pleno potencial e a história é preenchida por vários desses coadjuvantes.

Enfim, sendo experimental ou não em seus aspectos técnicos, o que já é louvável, Dogville tem a verdadeira virtude de trazer uma história altamente reflexiva para aqueles dispostos a entendê-la. Apesar do escopo temático do filme que dei acima, ele pode trazer outras várias interpretações. Dogville é uma obra que pretende ser o primeiro capítulo de uma trilogia sobre os Estados Unidos (cujo segundo filme é Manderlay [2005]), o que acabou acarretando várias críticas acerca de um anti-americanismo por parte de Lars von Trier. Ao invés de se vendar em relação às reais intenções do filme e conspirar contra seus propósitos, é preciso entender que é próprio do ser humano, e não de um único povo, ser vil, hipócrita e mesquinho.

Por Eduardo Ross, em 25/06/2008
Avaliação:                   9.5
Notas - Equipe
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• Daniel Dalpizzolo 5.0
• Rodrigo Cunha 9.0
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• Heitor Romero 7.5
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Por Luiz Phillipe Lameirão Côrtes, em 02/09/2014 | 21:12:33 h
Um dos 20 melhores filmes de todos os tempos. Lindo e inteligente demais.
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 FICHA DO FILME

 Dogville
(Dogville, 2003)
• Direção:
- Lars von Trier
• Elenco Principal:
- Nicole Kidman
- Ben Gazzara
- Jeremy Davies
• Sinopse: Durante a época da grande depressão, Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva da máfia, encontra abrigo numa pacata cidadezinha chamada Dogville. Os habitantes no começo se mostram receptivos e bondosos com a nova moradora, mas aos poucos são reveladas as...
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